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Beleza / Wellness

O que acontece à pele quando deixamos de beber álcool?

A propósito do Dry January, iniciativa que promove um início do ano sem bebidas alcoólicas, perguntámos a uma dermatologista e a uma nutricionista que efeitos positivos tem a pausa neste consumo para o organismo. E que consequências tem a continuidade.

Foto: Sony Pictures/ No Hard Feelings
08 de janeiro de 2024 Rita Silva Avelar

Depois de dezembro, talvez o mês em que mais festas e excessos acontecem – ou será o verão? – há quem abrande a duas velocidades: alimentação e consumo de bebidas alcoólicas. Moderam-se ambas, com esperança de atenuar os efeitos dos tais pecados festivos. Afinal, e primeiro no caso da pele, o que acontece quando se dá a ressaca? E como podemos atenuar todos os efeitos, por sua vez, através da alimentação? Alexandra Osório, dermatologista na Clínica Dermage, e Isanete Alonso, nutricionista no Hospital da Cruz Vermelha, respondem.

As implicações cutâneas

Comecemos pelos efeitos. A ressaca é a pior inimiga do nosso organismo. Ela só acontece com o consumo de álcool. "Este produz desidratação generalizada e por isso a urina fica mais concentrada e a pele fica desidratada após um processo inicial de inchaço", avança Alexandra Osório, dermatologista na Clínica Dermage. "Se houve ressaca – há inchaço de todo o corpo – por inflamação generalizada - porque há retenção de líquidos nos tecidos. E os órgãos vitais sofrem: intestino, coração, rins e pele. A posteriori, 24 horas depois, acontece o fenómeno da desidratação generalizada – com hipovolemia (diminuição do volume sanguíneo), baixa de tensão e quebra energética", acrescenta.

Alexandra Osório, dermatologista na Clínica Dermage.
Alexandra Osório, dermatologista na Clínica Dermage. Foto: DR

No caso de pessoas que sofram de rosácea, acne-rosácea, lúpus cutâneo facial ou qualquer inflamação e/ou processo infeccioso da pele, é importante saber que todos estes problemas podem ser agravadas com o consumo de álcool. "Em todos os casos – o mecanismo é o aparecimento de um flush na cara – isto é aumento da temperatura local e concomitante o aumento da microcirculação local – o que dá origem ao aparecimento de pequenos vasos dilatados na cara que se vão agravando quanto mais episódios de flush sofrerem (telangiectasias)."

E que ingredientes da cosmética podem surtir efeitos negativos conjugados quanto com o álcool? "Se houver vasodilatação, a cara fica ruborizada - e a pele torna-se mais reativa a fatores externos. Deve-se evitar alfa-hidroxiacidos ou retinol na constituição da cosmética." A médica recomenda ainda que, para a limpeza do rosto, se use "água de rosas fresca ou água micelar dermatologicamente testada para peles com rosácea – há varias marcas - para baixar a reatividade e a temperatura da pele."

A alimentação e a desidratação

Falando do interior da pele, ou seja, da hidratação, Isanete Alonso, nutricionista no Hospital da Cruz Vermelha, começa por sublinhar que "o álcool estimula a produção de radicais livres, é o elemento oxidativo que, em contacto com células saudáveis do corpo, danifica a sua estrutura. A aparência da pele fica envelhecida e é realçada pela aspereza, rugas, alteração da pigmentação, telangiectasias (pontos encarnados), perda de elasticidade e diminuição da firmeza."

Isanete Alonso, nutricionista no Hospital da Cruz Vermelha.
Isanete Alonso, nutricionista no Hospital da Cruz Vermelha. Foto: DR

O álcool seca e descama a pele, indica Isanete Alonso, "ativa a diurese, alterando a produção da hormona ADH (antidiurética), com o objetivo de livrar-se do agente tóxico, e acaba por influenciar a quantidade da água corporal. Por este motivo, é sempre indicado que ao beber um copo de vinho se beba depois um copo de água no sentido de compensar a perda. Caso não bebamos água suficiente, o organismo passa a retirar água dos outros tecidos, principalmente da pele, que fica seca." A desidratação desequilibra, portanto, os fluídos e sais do nosso corpo. "E nas áreas mais sensíveis do rosto (principalmente nas áreas dos olhos que são naturalmente propensas a reter fluidos, pois a pele é muito fina e muito vascularizada) aparecem as bolsas e a pele mais escura."

O efeito inflamatório desta bebida "pode ser sistémico, ou seja em todo o corpo" e pode desequilibrar as células produtoras de gordura da pele "aumentando a probabilidade de acne", explica. "Além disso não podemos esquecer que o álcool transforma-se em açúcar, alterando os níveis de glicemia e a produção da insulina, e passa a desencadear também o aumento das hormonas da tiróide e das supra-renais, levando a um desequilíbrio importante."

Os nutrientes e alimentos salva-vidas

As vitaminas A, B6, B5, biotina, C e E, além dos antioxidantes como a glutationa e o SOD (enzima superóxido dismutase), o ácido hialurónico, os peptídios do colágeno e os minerais como, o cobre, o magnésio e o selénio – são todos elementos indicados pela nutricionista para fazer frente ao álcool. "O zinco é muito importante, pois a pele é o terceiro tecido do corpo com abundante quantidade de zinco."

Voltando à cosmética, deve beneficiar-se o uso de "resveratrol e de ácido hialurónico, que se conseguem diretamente como extratos nos cosméticos ou através do que chamamos de fitocosméticos, que têm nutrientes específicos como o chá verde, azeites de borragem, vitamina C – e que previnem a oxidação do ferro, protegendo as enzimas contra a auto-inativação e ajudam na regulação da síntese de colágeno tipo I e III."

Por fim, uma dieta rica em alimentos como "açafrão, gengibre, oleaginosas, folhas verdes escuras, sementes de abóbora, castanha caju, amêndoa, camarão, lentilha, girassol, sardinha, gérmen de trigo, levedura, ostra, mexilhões, erva-mate, capsaicina [presente nas pimentas chili, por exemplo], curcuma, berberina (sementes de goji), fibras de chia, aveia e linhaça" dará certamente uma ajuda, já que estas são fontes da maioria dos nutrientes necessários para auxiliar nos processo de reparação celular da pele.

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