Prazeres

72h na Madeira, eleita melhor destino insular da Europa (pela sétima vez)

Em tempos incertos para os viajantes, a segurança passou a ser um novo critério a juntar à cultura, à gastronomia ou à geografia do destino a eleger. Numa altura em tudo atípica, a Madeira reúne todos os requisitos para umas férias tranquilas e prazerosas.

27 de outubro de 2020 | Rita Silva Avelar

Escrever sobre viagens nunca é uma tarefa justa. Há dois casos: se não se vem deslumbrado do destino, não há inspiração. Se se vem deslumbrado do destino, as palavras parecem-nos sempre ou demasiado insuficientes ou demasiado eloquentes, para o descrever. A Madeira inclui-se no segundo caso, e torna-se ainda mais difícil encontrar-lhe defeitos porque é um destino português (e todos sabemos que o que é português…).

Situada a 1h30 de avião de Lisboa, apercebemo-nos que estamos prestes a aterrar na Madeira, quando no horizonte começa a desenhar-se a sua forma arredondada com recortes irregulares, envolta pelas nuvens, ainda meio desfocada. Aterrar neste arquipélago é sempre emocionante e, de certo modo, o fascínio começa à chegada, com essa vista área que nos faz suster a respiração (sim, a par da emoção de se estar a aterrar numa das pistas mais desafiantes para os pilotos).

Em tempos de Covid-19, poderia ser tortuoso passear pelas burocracias do aeroporto, mas não é de todo o caso. À chegada, somos encaminhados para a saída com distanciamento social, e com a necessidade de cumprirmos apenas duas etapas: a inscrição no site da Covid Madeira, para updates futuros caso algum passageiro do mesmo voo venha a ter sintomas do novo coronavírus, e a apresentação do documento de que o teste feito está negativo (caso não tenha feito teste previamente, este é feito na hora e é preciso realizar quarentena até sair o resultado). Para os portugueses, o teste é pago pelo Governo Regional da Madeira desde que seja marcado com antecedência e que se reúnam condições para que o resultado chegue a tempo da viagem.

PortoMare Resort é um dos hotéis do grupo Portobay.
PortoMare Resort é um dos hotéis do grupo Portobay.

Burocracias ultrapassadas, as possibilidades de visita aos recantos desta ilha são infinitas, seja para quem adora fazer turismo de aventura, de natureza, ou até gastronómico. Para estadia, e se optar por ficar no Funchal, o Porto Mare, hotel de quatro estrelas que pertence à Porto Bay Hotels & Resort, é uma escolha certeira. Dividido em vários núcleos, tem uma vista soberba sobre o Oceano, e uma proposta gastronómica que promete uma viagem de sabores que atravessa toda a ilha, e situa-se numa zona da cidade mais luxuosa. Mas já lá iremos.

Dentro do Vila Porto Mare Resort (que se divide no Eden Mar, Porto Mare e The Residence e conta com um total de 198 quartos) há piscinas para todos, miúdos e graúdos, e recantos que permitem o distanciamento social sem constrangimentos. As boas notícias são que o grupo hoteleiro está a oferecer um upgrade de quarto para reservas de 21 ou mais noites, descontos de 50% na lavandaria e preços especiais na meia pensão e pensão completa (na Madeira, mas também no Algarve).

As piscinas do PortoMare.
As piscinas do PortoMare.
Os jardins do PortoMare.
Os jardins do PortoMare.

Se preferir uma estadia ainda mais num registo mais premium, o Les Suites é um novo hotel de cinco estrelas do grupo que conta com 23 suites soberbas, inseridas num edifício centenário, rodeado por jardins exóticos e luxuriantes. E sem dúvida que, se ficar hospedado nesta ou noutra zona do Funchal, vale uma visita ao Avista, um dos restaurantes do grupo, com uma carta consultada pelo chef premiado chef Benoît Sinthon e executada e pensada pelos chefs João Luz e Luísa Castro. Uma junção entre o melhor dos sabores mediterrânicos e asiáticos, o Avista conquista logo à chegada pela decoração exótica, verde e requintada e, claro, pela vista sobre o mar e o por do sol madeirense. Depois, pelos pratos em si: tempura de espada preto (€19,50), arroz caldoso de limão e coentros (€42, para dois), plumas de porco preto em crosta de café de paris (€19) ou costeleta de vaca maturada com flor de sal (€9,50) são algumas das opções que vale a pena explorar se a ideia é descobrir os sabores da Madeira.

Avista, um dos restaurantes do Portobay.
Avista, um dos restaurantes do Portobay.
Avista, um dos restaurantes do Portobay.
Avista, um dos restaurantes do Portobay.
Avista, um dos restaurantes do Portobay.
Avista, um dos restaurantes do Portobay.

72 horas na Madeira

Dia 1

Manhã

Ainda que no conforto da estadia seja possível fazer várias atividades, há incontornáveis programas para realizar quando se chega a este pequeno paraíso rico em experiências na Natureza. Se estiver no Funchal, pode aproveitar o primeiro dia para passear pelas ruas da cidade e beber uma poncha regional na Mercadora, depois de ir ao famoso Mercado dos Lavradores descobrir as frutas e vegetais madeirenses. Depois, apanhar o teleférico, chegar à chamada zona do Monte e visitar o jardim tropical Monte Palace Madeira, terminando com uma descida nos famosos cestos madeirenses, é um ex-líbris dentro dos programas da cidade. Sem se dar conta (acredite, vai acontecer) passou uma manhã. 

Tarde & Noite

Sair do Funchal. Na zona sudoeste da ilha, a Ribeira Brava é uma das vilas mais pitorescas, que vale pelo passeio junto ao mar, mas não menos que a vizinha Ponta do Sol, onde a paragem no The Old Pharmacy para beber um vinho (atenção que vem acompanhado da oferta de uma maravilhosa tábua de queijos e enchidos) ou um gin é essencial, assim como ir até ao cais apreciar um final de tarde ameno e sem ruídos citadinos. Mais a sudoeste, na Madalena do Mar, há paragem para comer lapas e caramujos na Casa de Pedra, antes de chegar à praia da Calheta. Para o passeio nesta zona ficar completo, o fim do dia perfeito é a apreciar a vista do Jardim do Mar, terminando com um cocktail no Paul do Mar, onde regra geral há sempre gente a ver o sol que ali se põe de forma majestosa.

Em alternativa a este programa, também a sul da ilha, descer o Calhau da Lapa é para os destemidos mas também para os ambiciosos: vale a pena o mergulho no mar límpido e quase sempre calmo deste recanto que tem um cais de pedra. Ao lado, em Fajã dos Padres, descer no teleférico para almoçar no restaurante regional que leva o mesmo nome que o local é uma experiência imperdível, sobretudo a fim de provar o filete de espada dourado com manga, atum salpresado ou um raro cheesecake com coulis de pitanga. A gastronomia madeirense é, sem dúvida, um dos trunfos da ilha e proporciona bons momentos durante as férias. Neste dia, também pode passar pelo Cabo Girão, no Estreito de Câmara de Lobos, para observar a vista vertiginosa que este local oferece.

Dia 2

Manhã

A noroeste da ilha, num programa para outro dia, vale a pena visitar as piscinas de Porto Moniz, pequenos recantos esculpidos na rocha por onde a água do mar entra, e que se tornam nos spots perfeitos para mergulhar.  mas antes veja consulte o boletim metereológico, pois esta zona é ventosa. Ao lado, a Praia do Seixal é uma das raras praias de areia (neste caso, de cor acinzentada) da ilha, mas não é só por isso que merece uma visita: recortada pela serra, é uma simbiose entre a terra e o mar. E se se diz que dá sorte e vitalidade banharmo-nos debaixo de uma cachoeira, repare que há uma ali mesmo ao lado. Para o almoço, e perto, está o restaurante Sol Mar, onde o arroz de lapas com filete de espada é um dos pratos a provar, com entrada bolo do caco (já se mencionou esta iguaria?).

Piscinas do Porto Moniz
Piscinas do Porto Moniz Foto: Getty Images

Tarde & Noite

Se quiser experimentar uma levada (trilho na Natureza) de grau de dificuldade mínimo, a Levada do Alecrim é boa para começar. Se optar por fazer uma vereda, a Vereda dos Balcões, em Ribeiro Frio, é curta e tem uma vista de suster a respiração. Lá perto, no Restaurante Ribeiro Frio, comem-se das melhores trutas da Madeira, e já que está nesta zona pode sempre ir ver o entardecer ao Pico do Arieiro, o terceiro pico mais alto da Madeira. Se estiver num mood mais aventureiro, visitar a Ponta de São Lourenço, o ponto mais a este da ilha, é um programa para uma tarde inteira.

Pico do Arieiro
Pico do Arieiro Foto: Getty Images

Por fim, ninguém vai à Madeira sem provar pelo menos uma poncha ou uma niquita, e para tal as coordenadas são: Taberna da Poncha na Serra de Água ou A Venda do André, na Quinta Grande.  

Dia 3

Manhã

Se estiver nos seus planos ir a Porto Santo no Lobo Marinho (há hipótese de ida e volta), também há inúmeros programas a concretizar nesta pequena ilha. Além de óbvio - desfrutar do extenso areal branco das praias de Porto Santo - visitar o Ilhéu de Cima com a Mar Dourado, descobrir a fauna e a flora deste ilhéu, desfrutar de um piquenique no topo com produtos regionais e por fim mergulhar para fazer snorkeling é um programa que ocupa uma manhã inteira (preços a partir de €20). Em alternativa, pode optar por fazer uma visita turística à ilha nos famosos CityBubbles, carros elétricos que nos levam a todo o lado de forma descomplicada. O que vale a pena: ir à praia do Zimbralinho e da Calheta, subir até ao Pico Ana Ferreira, ir ao Miradouro das Flores e ver os Moinhos da Portela já ocuparão uma manhã.

Porto Santo
Porto Santo Foto: Getty Images

Tarde

De tarde (e por favor consulte a Tábua das Marés antes de ir) o Porto das Salemas vale a descida, porque lá em baixo esperam-nos piscinas naturais que mais parecem um pequeno paraíso escondido. Por fim, pode aproveitar para visitar a Vila Baleira . Para comer, tanto n’O Jorge como o Vila Alencastre servem saborosas (e democráticas) refeições. À noite, beber uma niquita de oreo (única!) ou uma poncha de goiaba no Banheiro, tasco situado no Campo de Cima, é imperativo.

Foto: Portobay
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