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Moda / Tendências

Alcino Silversmith. A marca de joalharia que passou por duas guerras mundiais, uma ditadura e uma pandemia

Criada em 1902, a joalheira portuense celebra o aniversário com uma coleção especial, que revisita os seus melhores momentos.

Foto: Cortesia da marca
13 de abril de 2023 Inês Aparício

Passou por duas guerras mundiais, uma ditadura e uma pandemia. Contudo, sobreviveu a todos esses momentos e, hoje, é uma marca estabelecida no mercado da joalharia. Repleta de história, a Alcino Silversmith especializa-se na arte de trabalhar a prata de forma artesanal, mas teve de se adaptar, constantemente, à mudança dos tempos.

"Foi, ao longo de todas as gerações, um desafio constante", declara Manuel Alcino, atual diretor da empresa, em entrevista à Máxima. E é fácil perceber porquê. A evolução social, política, económica e, essencialmente, tecnológica são pedras num percurso que já se faz longo. Afinal, a insígnia portuense nasceu, pelas mãos de Manuel Alcino Sousa e Silva, em 1902, e os hábitos e processos de produção evoluíram por completo.

Porém, o atual diretor acredita que os gestores da empresa "souberam sempre explorar vários caminhos", não só através do trabalho da prata decorativa e de mesa, a sua "arte principal", como em "projetos e parcerias com outros artistas e marcas, a arte sacra, o restauro, o custom made e, mais recentemente, a criação e produção de peças de joalharia".

E foi essa a receita para ainda hoje serem uma joalheira relevante. Mas, confessa, foi difícil que assim fosse, em especial, quando a era digital teve início. "A articulação entre a arte manual e a utilização de novas tecnologias" foi um "grande desafio", uma vez que se "pressupõe um grande estudo entre aquilo que as novas tecnologias oferecem" e o que pode ser aproveitado para a joalharia, "no sentido de eliminar o trabalho mais repetitivo em prol do desenvolvimento das áreas criativas".

Isso foi, contudo, importante para a marca de hoje: "Se queremos evoluir, temos de ser capazes de aliar as novas tecnologias com o nosso conhecimento – esta é a melhor receita para a inovação. E abriu-nos, sem dúvida, novas portas para caminhos e processos alternativos de produção e criação", esclarece, acrescentando: "por exemplo, o desenho deixou de ser efetuado manualmente para passar a ser feito a computador. Esta modificação permite uma maior rapidez no processo criativo, ao tornar possível fazer cópias e experimentação de várias formas e texturas, sem ter que fazer um desenho novo".

Ainda assim, acreditam que nunca perderão a "manualidade" da sua essência, tal como "a inspiração na natureza, fauna e flora" evidentes na marca. "Os planos para o futuro serão sempre adaptarmo-nos à nova era digital, inevitavelmente, sem esquecer a tradição e o passado que nos trouxe até onde chegámos, sempre com inovação", conta.

Manter a tradição viva

A arte de "fazer artesanalmente" é já uma raridade. Ainda que, em alguns pontos do país, se tente manter viva a tradição, procurando continuar a desenvolver peças como as nossas avós e bisavós faziam, a verdade é que os hábitos de consumo mudaram. Enquanto que, antigamente, ter um faqueiro de prata ou uma peça de decoração de prata eram sinal de riqueza e imprescindível para as famílias mais abastadas, agora preferimos designs mais modernos e clean.

Exatamente por isso, não é de estranhar que, no que diz respeito à execução das peças, existam "cada vez menos artesãos, não só na ourivesaria, como nas restantes artes". "Esta situação reflete as alterações sociais sentidas nas últimas décadas, no mundo globalizado em que vivemos", esclarece Manuel Alcino.

"Apesar da nossa vontade em querer continuar a transmitir o conhecimento adquirido, tem sido difícil motivar os jovens para estas profissões ligadas à ourivesaria da prata decorativa, como cinzeladores, repuxadores, polidores", afirma, salientando: "um bom ourives/cinzelador demora cerca de 15 anos para atingir a excelência", pelo que "manter a qualidade" do seu trabalho tem sido um dos maiores desafios que a Alcino tem encontrado.

Contudo, este problema não se verifica na criação de novos itens. "Com a nossa equipa criativa, bem como com outros artistas com quem estabelecemos parcerias, as coisas estão a correr bem e até sentimos que há cada vez mais gente jovem e com formação, bastante empenhada e motivada", revela.

Uma coleção de aniversário

São já seis gerações a trabalhar a prata manualmente. 120 anos a contar histórias através de peças exclusivas, feitas à mão. Por isso, para celebrar o aniversário, a Alcino lançou uma coleção dividida em quatro momentos que serão partilhados ao longo do ano. 

O primeiro ponto da "Viagem", como se designa a linha, é composto por 18 peças de joalharia, todas fabricadas manualmente em prata 925. Com o tema "Animais", que "marcam um dos momentos mais importantes da Alcino", a coleção enche-se de girafas e a textura da sua pele, que surgem em brincos, pulseiras, anéis e colares. A escolha desta espécie em particular está relacionada com a sua fisionomia e significado: devido ao seu longo pescoço, "olha fixamente para o mais longínquo", sendo uma "metáfora para os olhos postos no futuro". Os preços variam entre os 15 e os 525 euros.

Seguir-se-ão peças inspiradas no minimalismo, no barroco e na arte nova, lançadas ao longo deste ano.

Todos os produtos podem ser encontrados na plataforma digital e lojas físicas, com moradas na Rua Santos Pousada - a sede e oficina, que recebe visitas guiadas para quem tem interesse em perceber como é o trabalho manual dos artesãos -, no Intercontinental - Palácio das Cardosas e na Rua das Flores.

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