Celebridades

Diana, o mundo a seus pés

Houve uma princesa que foi diferente e que desbravou o caminho da realeza e celebridade que todas as outras percorrem hoje: Diana, princesa de Gales. No dia do seu aniversário, relembramos alguns dos momentos em que revolucionou a história com este texto originalmente publicado na revista Máxima de setembro de 2017.
Por Carolina Carvalho, 01.07.2019

"Achei-a sexy, sim. Absolutamente… As pessoas são naturalmente sexy ou sensuais, ou não são. Ela era ambas as coisas. [Diana] tinha consciência de mim e eu tinha consciência dela. Eu não sabia se estava alguém a tirar fotografias, para dizer a verdade… Mas sabia que tinha de parecer maravilhoso porque se estava a fazer História. E a minha função era fazer com que tudo saísse bem, como se estivesse no cinema." Tina Brown, a ex-diretora da Vanity Fair americana, divulga esta confidência de John Travolta no livro Diana, Uma Vida, quando o ator revelou ao mundo a sua segunda dança mais famosa, desta vez com a princesa Diana. Não o fez numa pista de dança, como em Febre de Sábado à Noite, mas na magnificência de um jantar de gala na Casa Branca, em novembro de 1985, na era em que Ronald e Nancy Reagan tinham glamorizado a presidência americana, o que apenas aconteceu com JFK e a mulher, Jacqueline, nos anos de 1960. John Travolta confidenciaria, anos depois, numa entrevista a uma estação de televisão holandesa: "Eu não esperava dançar com a princesa Diana. Foi a mulher do Presidente, Nancy Reagan, que me disse: ‘É a vontade dela.’ À meia-noite, eu tive de lhe tocar no ombro e dizer-lhe: ‘Importa-se de dançar comigo?’ Ela virou-se para mim e baixou a cabeça naquele modo característico de Lady Diana e estivemos 15 minutos a dançar." Mas de acordo com as revelações de Paul Burrell, o mordomo da princesa, o alvo de Diana como seu par de dança era Mikhail Baryshnikov. Independentemente da escolha, e tal como Travolta previra, o momento foi histórico e se ninguém se lembra que música dançaram, dele resta a lembrança de uma princesa fortuitamente feliz, num vestido comprido em veludo azul-noite, criado pelo inglês Victor Edelstein, e que rodopia nos braços de John Travolta sob o olhar divertido do casal Reagan. No leilão de vestidos usados por Diana que a Christie’s organizou, no verão de 1997, em Nova Iorque, aquele foi o mais disputado e caro. Segundo o relato feito pelo The New York Times, a criação de Edelstein bateu o recorde para uma peça de vestuário, destronando (por ironia) o fato branco e justo de três peças que John Travolta usou na icónica cena de dança no filme Febre de Sábado à Noite, em 1977.

Prova de que o papel da princesa Diana na moda não foi apenas inspirador, mas sim o de um verdadeiro ícone, é o facto do citado vestido ser, durante este ano (e mais de 30 anos após o famoso momento), uma das peças centrais da exposição Diana: Her Fashion Story, no palácio de Kensington, a residência oficial da princesa durante 15 anos. A curadora da exposição, Eleri Lynn, afirmou ao site da revista Vanity Fair (edição americana) que Diana "está a entrar no mesmo tipo de espaço que uma Audrey Hepburn ou uma Jackie Kennedy: um ícone de moda, cujo estilo é tão copiado e tão amado". O guarda-roupa de Diana podia contar a história de uma vida. A então jovem e tímida noiva do príncipe Carlos começou por procurar, na equipa da Vogue inglesa, os conselhos de especialistas para criar um guarda-roupa real que viria a ter diferentes fases, entre elas o da chamada Diana Dinasty, em referência à série de televisão americana, porque Diana era, indubitavelmente, uma estrela internacional. Para Diana, o vocabulário da moda mudava. Não havia excessos, limites de brilho, cores impossíveis de combinar ou saias demasiado amplas, mas, sim, escolhas arrojadas. Ela usava tudo com o mesmo sentido de estado abrilhantado por um toque de bom humor e era perita na arte de baralhar e voltar a conjugar as peças que eram criadas especialmente para si, algumas por criadores que foi a própria que apresentou ao mundo. Se a moda é, hoje, uma ferramenta de comunicação da realeza é graças a Diana. Mas, tal como as primeiras páginas de jornais tiveram parte da sua força a escapar para as redes sociais, também o guarda-roupa real se adaptou a uma realidade em que se promove a igualdade e a rapidez da comunicação. Hoje, a exclusividade do vestuário continua a ser um privilégio garantido, mas uma princesa que figura nas listas de mulheres mais bem vestidas tem de se render, ocasionalmente, tanto às marcas de luxo como às cadeias internacionais de moda low cost. Como Tina Brown escreve no citado livro: "Nos anos de 1980, a Inglaterra definia-se face ao resto do mundo por três divas de dimensão global: Diana, princesa de Gales, a primeira-ministra Margaret Thatcher e Joan Collins, a medíocre atriz de cinema que se transformou numa gigantesca estrela da televisão. As Ilhas Britânicas encolheram um pouco desde que voltaram a uma cultura gerida por homens." Quando Diana se tornou princesa e entrou na família real britânica, esta última não cativava pela simpatia nem tão-pouco pela proximidade com o povo. Diana constituía a exceção e, por isso, quando acompanhada do seu príncipe em atos oficiais, os olhos azuis de Diana cruzavam-se com as máquinas fotográficas de uma indústria de imprensa mais popular e sensacionalista que despontava numa Inglaterra cinzenta e reprimida pela austeridade. Com Diana a magia acontecia. A princesa estimulou, como nenhuma outra figura, até hoje, as vendas de jornais e de revistas, proporcionando belas fotografias, primeiras páginas e histórias. Era inevitável que a imprensa e o público se apaixonassem por ela. Aprendeu, com o tempo e a experiência, a jogar com a fama um jogo perigoso que viria a ter a mais cruel de todas as consequências na noite de 31 de agosto, de há 20 anos. Diana tornou-se a mulher mais fotografada do mundo e usou a sua celebridade para iluminar as causas que apoiava e fizeram dela muito mais do que uma princesa bonita e bem vestida. Enquanto esteve casada, apadrinhou mais de cem instituições de caridade. E, mesmo quando, depois de se divorciar, decidiu reduzir a sua exposição pública, continuou a apoiar ativamente os sem-abrigo, os leprosos, a luta contra a SIDA e duas das suas grandes paixões: as crianças e o ballet.

Na atualidade, faz parte do trabalho (e da missão) de uma princesa apoiar movimentos de mudança social em temas como a educação, a saúde ou a igualdade. Diana abraçou as causas humanitárias como a sua grande missão e fez a diferença só pelo facto de não usar luvas. Vimo-la passar de jovem noiva, de 19 anos, com blusa de laçada fotografada por Lord Snowdon, a mulher atraente num vestido Versace pela lente de Mario Testino. Vimo-la também como a mulher destemida em terrenos minados, em Angola, perante um batalhão de repórteres fotográficos. A história da Princesa do Povo (cognome pronunciado pelo então primeiro-ministro Tony Blair, que se colou à imagem da princesa como uma verdadeira identidade) foi contada vezes sem conta e poucos serão os seus segredos ainda guardados. No verão passado, a história recontou-se em dois novos documentários: nas palavras da própria princesa (Diana: In Her own Words) e através das memórias dos seus filhos (Our Mother: Her Life and Legacy). Quando Diana Spencer e o príncipe Carlos se casaram, em 1981, perante uma audiência de rádio e televisão estimada em mil milhões de pessoas, já Carolina do Mónaco tinha casado e descasado de Philippe Junot, Grace Kelly tinha mudado toda a imagem de um principado, a princesa Ana tinha surgido na capa da Vogue inglesa e a princesa Margarida tinha mostrado que as regras da realeza precisavam de ser quebradas. Antes de Diana, outras princesas despontaram o fenómeno da princesa vista como uma celebridade. Mas nenhuma outra se tornou a mulher mais famosa do mundo.

Momentos em que revolucionou a história

A campanha antiminas em Angola, em janeiro de 1997. Foi a sua última grande cruzada.

Leilão dos vestidos, em junho de 1997, na Christie’s, em Nova Iorque. Os 79 vestidos apresentados no leilão renderam cerca de dois milhões de libras mais 1 milhão e meio com as vendas do catálogo. Foi considerado um sucesso.

A luta contra a SIDA revelou-a uma fervorosa apoiante, sobretudo quando não receou tocar nos doentes, ajudando, assim, a combater o medo de uma doença que era desconhecida. Os sem-abrigo e os leprosos foram as suas outras grandes causas.

Os filhos constituem uma das facetas mais representativas de Diana: a maternidade. Tentou dar normalidade à vida dos príncipes e quebrou muitos tabus da realeza no que se refere à educação dos filhos.

A separação, no final de 1992, foi anunciada e o divórcio aconteceu em agosto de 1996.

Fez-se História por ser a primeira inglesa a casar com o herdeiro do trono britânico, desde há 300 anos.

Looks históricos

O noivado foi anunciado a 24 de fevereiro de 1981 e a noiva usou um tailleur azul, a combinar com o anel de noivado com uma safira envolvida em diamantes.

O casamento, a 29 de julho de 1981, na Catedral de S. Paul. Estavam cerca de 600 mil pessoas nas ruas de Londres e cerca de 750 milhões de pessoas a assistir em casa, segundo a BBC. A noiva usou um vestido da dupla de criadores Emanuel.

A dança com John Travolta, na visita oficial aos Estados Unidos, em 1985, revelando Diana num vestido de veludo azul de Victor Edelstein.

A festa na Serpentine Gallery, no dia em que o príncipe Carlos deu uma entrevista à BBC. O vestido foi uma criação de Christina Stambolian.

O Elvis style, ou o famoso conjunto de vestido e bolero, em crepe de seda com pérolas bordadas, é uma das mais famosas criações de Catherine Walker para a princesa. A criadora foi uma das pessoas que mais vezes vestiu Diana.

Como uma estrela de cinema, num vestido azul esvoaçante de Catherine Walker, no Festival de Cinema de Cannes, em 1987.

Versace, mais do que um criador de moda, era um amigo e Diana usou várias peças suas. Este vestido é uma delas. E quem melhor para o usar…

O primeiro compromisso foi também a primeira (e provavelmente a única) gaffe. Diana usou um vestido preto (cor que a realeza só deve usar em situações de luto) e com um vistoso decote. A criação foi da dupla David e Elizabeth Emanuel.

Joias de eleição

A tiara Spencer. Uma joia da família de Diana que a princesa usou no dia do seu casamento e em inúmeros outros atos oficiais, enquanto princesa.

A tiara dos Amantes de Cambridge. Encomendada pela rainha Mary, avó da rainha Isabel II, que data de 1913/14.

O anel de noivado. Criado pela joalharia Garrard. Hoje, é a duquesa de Cambridge quem o usa.

A gargantilha de pérolas. A rainha-mãe ofereceu, de presente de noivado a Diana, uma safira azul que a princesa mandou montar numa pregadeira com diamantes e, mais tarde, nesta gargantilha com pérolas.

A gargantilha na cabeça. A joia, em esmeraldas e diamantes, foi um presente de casamento da rainha Isabel II para fazer conjunto com os brincos e a pulseira oferecidos pelo príncipe Carlos.

 

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1 Comentários
Carmo Dias Diana foi uma mulher única dentro da realeza. Era dócil, educada, uma maneira de estar, única, alegre, apesar de Carlos não ter sido o homem perfeito???? viveu uma vida a seu contento. Kate se quiser poderá seguir as suas pisadas, mas com muito amor pelo seu marido.
Há 2 semanas
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