Celebridades

Kim Kardashian e a drástica perda de peso. Uma nutricionista explica se foi, ou não, saudável

Não é a primeira vez que uma celebridade perde peso para um grande acontecimento e, certamente, não será a última. Porém, a recente revelação de Kim levou a que várias pessoas se pronunciassem sobre o tema, incluindo estrelas do mundo do entretenimento.

Kim Kardashian na Met Gala, 2022
Kim Kardashian na Met Gala, 2022 Foto: Getty Images
05 de maio de 2022 Ana Filipa Damião

O mundo ficou em choque quando, em noite de Met Gala, Kim Kardashian confessou ter perdido peso para conseguir entrar no icónico vestido que Marilyn Monroe usou em 1962 para cantar os parabéns ao então presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy. A namorada de Pete Davidson contou que precisou de perder sete quilos em três semanas, visto que alterar a criação original do designer Jean-Louis estava fora de questão.

"Usei um fato de sauna duas vezes por dia, corri na passadeira, cortei completamente todo o açúcar e todos os hidratos de carbono, e apenas comia os vegetais e as proteínas mais limpos", afirmou Kim à Vogue americana. "Não morria de fome, mas era muito rigorosa". A revelação suscitou desconforto e levou a reações de mulheres como a atriz Lili Reinhart, conhecida por protagonizar Betty Cooper na série Riverdale.  

"Desfilar na passerelle vermelha e dar uma entrevista em que dizes o quão faminta estás porque não comes hidratos há um mês… tudo para caber num vestido?", escreveu a jovem de 25 anos nas suas histórias do Instagram. "É tão errado. Admitir abertamente que se passou fome por causa da Met Gala. Quando sabes que milhões de homens e mulheres jovens te admiram e escutam cada palavra que dizes. A ignorância é de outro mundo e nojenta", continua. "Por favor, parem de apoiar estas celebridades estúpidas e prejudiciais cuja imagem gira em torno dos seus corpos", pediu.

Mas afinal, será que a dieta de Kim foi saudável? "Perda de peso e perda de gordura são dois conceitos que frequentemente se confundem, mas que na realidade podem não coincidir em diversas situações. É o caso das estratégias extremas de corte calórico, frequentemente conseguidos à custa de corte de hidratos que têm tanto de rápido como de efémero", explicou Joana Jacinto, nutricionista, à Máxima. Quando se perde peso de forma drástica, tal deve-se maioritariamente à perda de água e de volume muscular", esclareceu.

"A nossa massa muscular é constituída não só de fibra muscular, mas também na sua grande maioria de glicogénio (armazenamento de hidratos) e bastante água. Sempre que fazemos um corte abrupto nas calorias diárias, comprometemos as calorias basais necessárias para o correto funcionamento do organismo, e este tem de arranjar forma de manter o equilíbrio (nomeadamente o açúcar no sangue estável)" explica. "É precisamente recorrendo aos hidratos armazenados na massa que o corpo consegue esse equilíbrio de forma mais célere e energeticamente económica. Consequentemente, cada vez que sai uma molécula de glicogénio do músculo saem aproximadamente quatro moléculas de água. Também o facto da estimulação da insulina ser bastante reduzida leva a uma maior libertação do líquido", continua.

E a nutricionista dá, inclusive, um exemplo. "A perda de 1kg de massa gorda exige em média um défice de 7000 kcal, tornando muito difícil com que haja um défice tão acentuado em 3 semanas para que exista a perda real de 7kg de gordura. Posto isto, importa a cada um ponderar os reais motivos que o fazem querer perder peso a curto prazo e decidir em consciência se valerá a pena sacrificar a nutrição, a massa magra e a água que depressa voltará para o seu devido sítio, assim que a dieta voltar ao normal", esclarece. "Se ainda assim a necessidade da perda de peso rápida se sobrepuser à perda de gordura de forma saudável, estas estratégias cumprirão o seu propósito, que nada tem a ver com a promoção de saúde nem tão pouco de hábitos alimentares saudáveis", garante a nutricionista.

Reinhart, que já falou publicamente sobre a sua dismorfia corporal, recorreu ainda ao Twitter para explicar que a única razão pela qual comentou sobre o tema deve-se ao facto de "não ver pessoas suficientes com plataformas [de comunicação] grandes a denunciarem os comportamentos tóxicos" que acontecem na indústria do entretenimento. "Importa pararmos um pouco e pensarmos: ‘afinal, quais são os padrões que queremos para nós e para as futuras gerações’. Numa sociedade que revela cada vez mais os problemas psicológicos e comportamentais inerentes à necessidade da constante perfeição, que mensagem passa este "feito" de uma das maiores influencers do mundo? Será uma questão de tempo até qualquer um de nós, nutricionistas, ter em consulta alguém que procura a "dieta da Kim". Resta-me acreditar que a cada reeducação alimentar ficamos um passo mais perto de desmistificar este tema e evitar estas ideias toxicas", concluiu a nutricionista.
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