Irritação, insónia e afrontamentos? Como a masturbação pode ajudar
Num estudo recente, que contou com a participação de 1178 mulheres entre os 40 e os 65 anos, uma em cada cinco reportou que a masturbação proporcionou alívio dos sintomas menopáusicos. E o recurso à vibração parece ter benefícios acrescidos.
O que é que faria se o seu ginecologista recomendasse masturbação para aliviar os sintomas da perimenopausa e menopausa? Sairia do gabinete a correr, ofendida? Pagaria a consulta contrariada, convencida de estar a lidar com um charlatão libidinoso? Ou regressaria a casa satisfeita por uma vez na vida lhe ter sido recomendado um tratamento agradável e económico? Porquê todas estas perguntas? Terá esta jornalista da Máxima algum episódio inusitado para partilhar? De todo. Na verdade, é muito mais interessante e útil do que isso. Um estudo recente, feito nos Estados Unidos, com 1178 mulheres entre os 40 e os 65 anos, concluiu, entre outras coisas curiosas, que a masturbação alivia os sintomas menopáusicos, em particular, os psicológicos, como as oscilações de humor (em particular a irritação), e as perturbações do sono. Curiosamente, mesmo as mulheres que nunca tinham praticado masturbação (as mais velhas, que viveram a sua juventude num tempo em que o prazer feminino não era visto com bons olhos), afirmaram estar dispostas a experimentar se recomendadas pelo médico.
O estudo, intitulado The role of masturbation in relieving symptoms associated with menopause (em português, “O papel da masturbação no alívio dos sintomas da menopausa”, foi publicado no final do ano passado na revista científica Menopause, e foi elaborado com base em dados recolhidos pelo famoso Kinsey Institute – tão famoso e controverso que até deu um filme, “Relatório Kinsey” protagonizado por Liam Neeson, e que conta a história de quando o instituto decidiu fazer, baseado em milhares de entrevistas, um relatório sobre o comportamento sexual dos homens, em 1948, e outro sobre o comportamento sexual das mulheres, em 1953 (este, sim, deu pano para mangas em escândalo e horror).
Os resultados deste estudo em concreto, cujos dados foram recolhidos em maio de 2024, mostram que cerca de 20% das participantes relataram que a masturbação lhes proporcionava alívio de sintomas, em particular alterações de humor e perturbações do sono, muitas vezes consideradas dos aspetos mais difíceis de gerir durante a transição menopausal. Isto porque a masturbação, aliás, mais concretamente, o orgasmo leva à libertação de hormonas como oxitocina e endorfinas, que podem ajudar a reduzir stress, melhorar o humor e facilitar o sono.
Quando comparada com outras estratégias (como exercício, dieta ou suplementos), a masturbação foi avaliada por quem a utiliza como uma das mais eficazes formas de aliviar alguns sintomas, e, embora raramente seja discutida no consultório, 91% das participantes disseram que estariam inclinadas a usar esta estratégia se soubessem que pode ter um efeito positivo nos sintomas, e 79% seguiria esse conselho médico.
Mais especificamente, no estudo pode ler-se que “entre as participantes que referiram experiência prévia de masturbação ao longo da vida [...] 5,7% das mulheres na perimenopausa referiram que melhorava muito os sintomas, 14,4% disseram que os melhorava um pouco, 76,3% indicaram que a masturbação não tinha qualquer efeito, 2,7% afirmaram que piorava um pouco os sintomas e 1% que os piorava muito. Entre as mulheres no pós-menopausa, 7,6% referiram que a masturbação melhorava muito os sintomas e 11,2% disseram que os melhorava um pouco; 79,7% indicaram que não tinha qualquer efeito, 0,8% que piorava um pouco os sintomas e 0,8% que os piorava muito”.
Ou seja, “em síntese,” continuam os investigadores, “tanto entre mulheres na perimenopausa como no pós-menopausa, quase uma em cada cinco relatou uma associação entre a masturbação e os seus sintomas, sendo que a maioria indicou uma melhoria. No entanto, um número muito reduzido de mulheres referiu agravamento dos sintomas”. De qualquer forma, convém sublinhar que tendo em conta que a masturbação não tem (ou não precisa ter, mas já lá vamos) qualquer custo inerente e que, de facto, há um número não negligenciável de mulheres que relatam melhoria dos seus sintomas, vale sempre a pena experimentar.
Consequentemente, os autores destacam que, embora a discussão sobre menopausa tenda a focar-se em terapias hormonais e mudanças de estilo de vida, a masturbação pode ser uma ferramenta subutilizada e valiosa para a gestão de sintomas, e que os profissionais de saúde deveriam incluir essa conversa nas consultas com as suas pacientes.
O estudo, não certamente por acaso, foi financiado pela Womanizer, uma empresa alemã de fabrico de brinquedos sexuais ou massajadores íntimos, com trabalho desenvolvido no âmbito da saúde sexual feminina. Num outro estudo mais pequeno, realizado em concomitância com este estudo principal, que contou com 66 mulheres, as participantes foram orientadas a usar brinquedos sexuais doados pela marca Womanizer para avaliar efeitos da masturbação com esses dispositivos. Os resultados indicam que 92% das mulheres notaram alívio de sintomas, no contexto específico dessa experiência.
Em nenhum dos estudos fica claro por que razão a masturbação com dispositivos parece ter melhores resultados do que a manual. É possível que o efeito da novidade faça com que as mulheres a pratiquem com mais frequência – afinal, quem é que não acha graça a um pequeno objeto colorido e vibratório? –, ou que o facto de o trabalho ser feito pelo dispositivo faça com que a actividade seja vista mais como um momento de relaxamento do que como (mais) uma tarefa.
De facto, num evento recente sobre a relação entre o pavimento pélvico e o bem-estar mental, organizado pela Intimina, outra marca focada na saúde sexual feminina, ficou claro que o relaxamento parece ter um peso considerável na equação. Ana Miguel, fisioterapeuta especializada na saúde da mulher, convidada para falar no evento, explicou que o pavimento pélvico – músculos, ligamentos e fáscias que sustentam a bexiga, o útero e o intestino – é uma zona com muitos nervos e “altamente reativa às emoções”. Num documento distribuído aos jornalistas, a Intimina acrescentava que “tal como se ‘carrega’ tensão nos ombros ou no maxilar, também se acumula tensão na pélvis – muitas vezes inconscientemente”.
“Com o tempo”, continua o relatório, “esta tensão constante pode causar dor pélvica ou sensação de peso, dificuldade em relaxar para urinar ou evacuar, dor durante as relações sexuais, ou dor lombar”. Alguns destes sintomas são também comuns durante a fase da perimenopausa e menopausa, em particular os genito-urinários, que tendem a agudizar-se com o declínio dos níveis de estrogénio, acabando por criar um círculo vicioso de desconforto, dor, preocupação e tensão. E aqui, de facto, tanto a Intimina como Ana Miguel concordam que a masturbação ajuda, nomeadamente, com recurso a dispositivos vibratórios. A fisioterapeuta esclarece que “a vibração ajuda porque tem um efeito relaxante, mas tem de ser vibração constante porque a intermitente é estimulante, sendo muito útil em casos de perda de tónus muscular, mas não quando há necessidade de relaxamento da zona”. Ana Miguel diz ainda que recomenda, frequentemente, dispositivos de vibração externa em contexto de pós-parto uma vez que ajudam a melhorar o estado das cicatrizes, ao mesmo tempo que favorecem a circulação sanguínea e o fortalecimento da musculatura.
Já a Intimina garante que os seus dispositivos “foram concebidos para combater problemas como a secura vaginal [...], a anorgasmia, [sequelas das] episiotomias, vaginismo e dispareunia (sensação de dor ou desconforto durante as relações sexuais”. Ou seja, uma vez mais, sintomas bastante comuns nas fases da perimenopausa e menopausa.
A fisioterapeuta laudou, em particular, os benefícios do pequeno dispositivo Kiri que, por alguma razão, neste momento não está disponível no site da marca, mas que pode ser adquirido no site da Wells. Por outro lado, a Intimina comercializa um outro dispositivo – este para ser usado internamente, no canal vaginal –, o KegelSmart 2, que foi especificamente desenvolvido a pensar na necessidade de reforçar o pavimento pélvico no pós-parto e durante a perimenopausa e menopausa, e que é, na prática uma maquininha que ajuda a utilizadora a fazer exercícios Kegel de forma automática. O dispositivo tem sensores que registam a força pélvica da utilizadora e determinam o nível de exercício mais adequado. De acordo com a Intimina, com utilização diária do KegelSmart 2, “a força média do pavimento pélvico duplica ao fim de 12 semanas, há 90% de melhoria no controlo da bexiga e 94% de melhoria no aperto e tonificação vaginais”. Tudo o que tem de fazer é inserir e relaxar. Se não resultar, pelo menos tirou cinco minutos para estar sossegada – ou animada, conforme seja o caso.
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