Atual

Desintoxicar não é para meninas

"Como sou uma lambona, não conseguia deixar de pensar que aquelas bolinhas de frutos secos seriam ainda melhores se fossem do tamanho de um bolo grande."

Foto: Getty Images
01 de abril de 2021 | Cláudia Lucas Chéu

Nunca tinha feito um programa de desintoxicação alimentar. E um programa de detox é exigente, não é para meninas. Ainda por cima gulosas, como eu. Errei tantas vezes ao longo dos dias, que não cumpri o programa como deve ser. De qualquer forma, devemos sempre partilhar experiências semifalhadas e não ter vergonha dos erros. A ideia era ingerir praticamente só sumos e sopas durante cinco dias. Mas, comilona como eu sou, prevariquei, claro. Comecei muito motivada, no primeiro dia consegui cumprir, ainda que sentisse fome. Logo pela manhã, os sumos riquíssimos do programa da Marta Caras Lindas eram-me trazidos até à porta de casa pela Elsa; um verdadeiro luxo, devo dizer. A Elsa é uma estafeta simpatiquíssima e enérgica, talvez a mais gentil que conheci até à data. No nosso primeiro encontro, à porta de minha casa, revelou cheia de vergonha que andava a fazer entregas desde as 7h da manhã e que estava muito aflita para ir à casa de banho. Indiquei-lhe onde ficava, pois claro. Desfez-se em desculpas, quando não fez nem pediu algo errado. Precisava apenas de esvaziar as águas. Talvez a Elsa também andasse a beber os sumos do programa. Porque uma das coisas que notei foi que passei a ir à casa de banho mais vezes ao dia. Os sumos do programa são feitos com produtos biológicos, e confeccionados no próprio dia: legumes, frutas, frutos secos; achei-os, praticamente a todos, uma delícia, especialmente o golden milk, que era ingerido ao final do dia. As sopas, cremes super saborosos, e as bolas energéticas (uma por dia) eram a parte mais deliciosa do programa. Como sou uma lambona, não conseguia deixar de pensar que aquelas bolinhas de frutos secos seriam ainda melhores se fossem do tamanho de um bolo grande. Sou assim, tenho sempre apetite. Por isso, entre os sumos que ia bebendo de duas em duas horas, ao segundo dia já acrescentava, nos intervalos, ovos cozidos, brócolos, saladas, bananas, bolachas de água e sal, um peixinho cozido, um arrozinho; fui aumentando a dose nos intervalos aos longo dos dias. Ainda assim, tentando prevaricar de forma saudável. Pecar, sim, mas com moderação. 

Percebi que tentar ficar apenas a líquidos não é coisa para mim, aliás, eu já sabia. «Sou uma pessoa que precisa de trincar», como me disse uma amiga, e eu subscrevo. No entanto, mesmo não cumprindo à risca, vi o corpo desinchar ao fim dos cinco dias, senti-me mais leve, mesmo sem ter ido verificar à balança. A ideia também não era emagrecer, mas limpar, por dentro. Não sei se limpou ou não, mas senti-me fisicamente melhor, mais apta durante essa semana. O problema foi que assim que terminei o programa voltei ao meu regime alimentar normal; alimento-me tão mal, sou mesmo uma nódoa. Lá voltei aos chocolates, às batatas fritas, ao pão com manteiga. Sou uma labrega no que toca a comida, não há nada a fazer. Preciso de me educar, pode ser que seja este ano. Pelo menos já me estreei no detox, no semi-detox, vá, nada mal. 

*A cronista escreve de acordo com o Acordo Ortográfico de 1990.

Leia também
Saiba mais Cláudia Lucas Chéu, Crónica Flor do Cacto, desintoxicação alimentar, programa de detox, experiência, partilha, sumos, produtos biológicos, corpo, desinchar, peso, balança, comida, motivação
Mais Lidas