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Enxaquecas. O que comemos pode desencadeá-las?

Que alimentos podem potenciar a dor de cabeça ao nível de enxaqueca? E quais os que podem ajudar na prevenção? A desidratação é um gatilho? Este e outros mitos explicados pela nutricionista Isabel Pedroso Silva.

Foto: Foto de Claudia Barbosa / Pexels
18 de outubro de 2022 Rita Silva Avelar

Mais conhecida por enxaqueca, uma cefaleia pode ser tão condicionante como uma dor de dentes, tornando-se insuportável fazer o que quer que seja, a não ser ficar deitada/o, de olhos fechados, até que passe. Esta não é uma dor de cabeça comum, mas antes uma dor latejante que varia de moderada a grave, e que em muitos casos é mais frequente do que se desejaria. Entre os muitos estudos que existem sobre o tema, alguns relacionam as cefaleias com a alimentação, tornando esta última fundamental e decisiva para conter a primeira.

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Já foi estudado o impacto de diferentes dietas nas enxaquecas, desde a dieta Atkins à cetogénica, e todas elas dizem que são necessários mais estudos para afirmar algo", diz-nos Isabel Pedroso Silva, nutricionista, que participou num episódio do podcast Isto Não É Só Nutrição!, em colaboração com a Associação Portuguesa de Doenças com Enxaquecas e Cefaleias.

"Especula-se que há intervenções dietéticas que podem afetar as enxaquecas. No caso de estarmos a falar de indivíduos com diagnóstico de obesidade, tendo em conta que esta doença está associada a padrões alimentares não saudáveis e estilos de vida mais sedentários, a enxaqueca é um quadro frequente devido à inflamação", esclarece. "Além disso, saltar refeições ou estar longos períodos sem comer e ter baixos níveis de açúcar no sangue são situações que poderão desencadear enxaquecas."

Isabel Pedroso Silva, nutricionista.
Isabel Pedroso Silva, nutricionista. Foto: DR

Assim sendo, haverá alimentos que funcionam como trigger? Se sim, quais? "Vai depender muito de pessoa para pessoa, [alimentos] como o queijo, o chocolate, algumas frutas cítricas, bebidas alcoólicas (nomeadamente vinho tinto e cerveja ou o consumo excessivo de qualquer bebida alcoólica), café, comidas ricas em nitritos (enchidos e carnes de charcutaria e utilizados como conservante em alguns alimentos processados), Aspartame (adoçante artificial utilizado em algumas bebidas, sobremesas, laticínios, chicletes e produtos baixos em calorias), e hidratos de carbono refinados, quando combinados com um estilo de vida stressante, sedentarismo..." nomeia a nutricionista, podem funcionar como gatilho para a enxaqueca. "Estas dietas mais restritivas devem ser estratégias temporárias para evitar défice de nutrientes importantes, sendo que o objetivo para uma boa saúde é variedade alimentar." A juntar aos inimigos, "o stress, álcool e certos cheiros e alimentos podem ser gatilhos potenciais para as enxaquecas. Mas a desidratação é um dos principais gatilhos que podem exacerbar as dores de cabeça."

Por outro lado, há alimentos que podem ser aliados na prevenção e alívio das cefaleias. "A nível nutricional, o que se faz em consulta é garantir um bom aporte de nutrientes ao longo do dia, assegurar especialmente ómega-3 e ómega-6, pois afetam as respostas inflamatórias. Também se devem priorizar alimentos ricos em magnésio, além de uma alta ingestão de água e gestão dos níveis de ansiedade/ stress", alerta Isabel Pedroso Silva. "O corpo precisa de uma certa quantidade de eletrólitos (minerais que regulam as funções corporais), bem como de fluídos para funcionar melhor. É necessário repor minerais como potássio e sódio ao longo do dia, pois vamos perdendo líquidos através do suor e da urina. Quando não há uma adequada substituição destes fluídos e eletrólitos, a desidratação poderá causar uma enxaqueca. Há certos estudos ainda a mostrar que poderá levar à irritação e  ainda a problemas de concentração.

Quais são os maiores mitos neste domínio? Perguntamos. Que "é 'só' uma dor, por exemplo? Na verdade, explica ainda a nutricionista, "a enxaqueca é uma doença neurológica crónica, frequentemente acompanhada de náuseas e/ou vómitos, intolerância à luz, ao ruído e aos cheiros e intensifica-se com o esforço físico/movimento, o que a torna altamente incapacitante". Outro mito é o de que só os adultos têm dor de cabeça: "Dores de cabeça, incluindo a cefaleia tensional, também ocorrem em crianças, com a única diferença de que as crianças, especialmente as mais novas, não conseguem expressar bem quais os sintomas que sentem", desmistifica Isabel. Ou que apenas as mulheres podem ter enxaquecas frequentes. "Os homens são menos propensos a sofrer de enxaquecas, enquanto, por outro lado, os homens são quatro vezes mais propensos a sofrer de dor de cabeça cumulativa, uma dor de cabeça extremamente dolorosa que ocorre diariamente ou quase diariamente por algum tempo e pode desaparecer por meses ou anos."

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