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Beleza

Limões lisboetas inspiram novo perfume da Dolce & Gabbana

Conversa com a perfumista francesa Daphné Bugey, em Milão, a propósito do lançamento das K&Q Eaux de Parfum Intense.

Foto: DR
08 de fevereiro de 2024 Rita Silva Avelar

São poucas as marcas com capacidade para nos fixar em arranjar todas as maneiras de viajar para um determinado destino só porque vimos 30 segundos de um anúncio. A exceção é a Dolce & Gabbana, o destino é a Sicília e a razão são os novos perfumes da marca. Com um portfólio de Beleza cada vez mais forte, e à beira de lançar a sua segunda coleção de maquilhagem – aguarde, só chega em outubro – a Dolce & Gabbana lança agora as K&Q Eaux de Parfum Intense, as duas novas fragrâncias que reinterpretam as originais K&Q by Dolce & Gabbana, e cujo anúncio envolve um casal numa idílica paisagem desértica, num mood de paixão intensa que parece tornar-se a coisa mais urgente do mundo. É a paixão italiana. As notas de topo da versão original deste perfume mantêm-se, sendo que esta nova versão se distingue pela frescura dos limões, realçada pela luminosidade da laranja e pela intensidade das pétalas de jasmim. Acrescenta-se a cereja preta, e um acorde sensual de âmbar que acentua a energia sedutora desta nova variação, e o que lhe confere um lado amadeirado. Os frascos são para guardar, tal como quase todos os produtos de Beleza da marca, que se foca em criar verdadeiras joias, e estes têm coroas.

"Eu acho que cada pele é diferente, e isso é verdade: o mesmo perfume pode reagir de uma maneira distinta conforme as pessoas." Foto: Carole Mathieu Castelli

Viajámos até Milão para conversar com a francesa Daphné Bugey, mestre perfumista de Q e K, sendo esta última criada em conjunto com Nathalie Lorson. Bugey já passou por várias casas de renome, entre elas a Gucci ou a Claus Porto – uma curiosidade: a perfumista mora no centro de Lisboa, cidade pela qual se apaixonou. A sua experiência neste universo começou aos 10 anos, quando os pais a levaram a Grasse e percebeu que queria ser nariz. Já correu o mundo em busca de fragrâncias: "no Nepal, fez caminhadas, saltou de parapente e praticou meditação. No Japão, participou em cerimónias de chá e incenso cerimónias, admirou as cerejeiras em flor, trabalhou numa quinta biológica e aprendeu a fazer wagashis, estes pequenos bolos japoneses que ela adora. Na Índia, foi iniciada em Ayurveda. Em Itália, aprendeu italiano durante os estudos universitários e fez pesquisa na Bienal de Arte Contemporânea em Veneza, onde procurou compreender melhor o poder da fragrância associada à emoção", diz a sua bio.

Já percebi que mora em Lisboa.

É incrível viver em Lisboa. Tenho muita sorte por ter decidido mudar-me.

A que cheira Portugal, se o imaginasse num perfume?

Decididamente a limão. Durante a Covid-19, eu fiz um vídeo para a Dolce & Gabbana, tinha de escolher um tema e elegi o limão porque eu moro num apartamento lindo dentro de um palacete, com um jardim maravilhoso. Estamos no piso térreo e há um belo jardim. Há limoeiros, há verbena, flor de laranjeira… Sinto-me afortunada por poder viver num país que me dá essa possibilidade. É totalmente incrível.

"Sempre fui apaixonada por cheiros e colecionava pequenos frascos de perfumes. Colecionava-os e tentava adivinhar o que continham." Foto: DR

Então, respondendo à pergunta, vou dizer que [esse perfume] iria ter um cheiro muito cítrico, a jasmim, com limão e laranja. No Alentejo, gosto muito do cheiro das figueiras, dos eucaliptais e das mimosas. Portugal inspira-me muito, antes eu morava em Paris, e é um grande contraste. O Oceano é uma grande fonte de inspiração.

A Dolce & Gabbana é uma marca de ícones. Como foi desafiar-se para fazer algo que se distinguisse?

É emocionante porque foi como criar uma história totalmente nova. As notas de cereja nunca tinham sido exploradas [na marca]. É um fruto que está muito bem representado na perfumaria, e eu pensei que realmente poderia fazer algo icónico para a Dolce & Gabbana. Bom, a associação com o limão também o torna "muito Dolce & Gabbana".

O que procuram as novas gerações, na perfumaria?

Acho que procuram a singularidade, a criatividade. Procuram a força e a qualidade, e eu trabalhei em torno dessas qualidades. Uma personalidade forte.

Como faz a sua pesquisa para cada perfume?

Conheço bem o meu leque de ingredientes. No meu dia-a-dia, inspiro-me em tudo o que me rodeia. É por isso que estou a dizer que viver em Portugal é uma fonte de inspiração sem fim. E sabe de uma coisa? E que é tão engraçada? Quando eu fiz o tal vídeo, o limão era o elemento protagonista. E agora uso limão em tudo. Uso a casca, a parte branca, tudo. Aliás, os meus filhos adoram comer a parte branca do limão. Uso em saladas, em massas…E na cozinha italiana, por exemplo, o limão vai muito bem com o parmesão e as massas. Nessa receita em vídeo, usei ginjinha de um senhor que tem produção caseira, usei pimentos e também pimenta vermelha. Ou seja, eu já estava a criar o perfume masculino e ainda não sabia.

"E se não fosse perfumista, adorava ter sido bailarina. Ou uma jornalista que viajasse pelo mundo." Foto: Carole Mathieu Castelli

Porque decidiu tornar-se perfumista?

Sempre fui apaixonada por cheiros e colecionava pequenos frascos de perfumes. Colecionava-os e tentava adivinhar o que continham. Tal como reconhecer a fragrância que as pessoas usavam na rua… chegava a correr atrás delas para descobrir. Fiquei obcecada com o mundo dos perfumes no geral, cheirava tudo. Então os meus pais, que não trabalhavam nessa indústria, decidiram levar-me ao sul da França, a Grasse, para visitar o Museu da Perfumaria. Eu tinha cerca de 10 anos. E no final da visita, o guia disse que todas as fragrâncias tinham um "nariz", um ser humano que cheira e chega àquela combinação. E que só havia uma escola no mundo a treinar decentemente pessoas para saber fazer isso, em Versalhes. Para se entrar, é preciso estudar-se Química. Disse aos meus pais que era aquilo que queria fazer e lá fui eu.

De onde é?

Eu sou de Grenoble. E se não fosse perfumista, adorava ter sido bailarina. Ou uma jornalista que viajasse pelo mundo.

O que torna um perfume perfeito?

Para mim o conceito de perfeição é um pouco complicado. Sim, eu não acho que nada pode ser perfeito. A perfeição é realmente subjetiva e eu tendo a olhar e procurar imperfeições, e acho que a imperfeição torna as coisas mais únicas. É pela tua imperfeição que te podes distinguir, é isso que faz de cada um de nós memoráveis. Não sei se esta é uma boa resposta.

Afinal, qual é a maneira correta de aplicar perfume?

Sabes que mais? Como quiseres. Mais uma vez, acho que é uma coisa muito pessoal. Eu aplico em determinados sítios porque tenho de estudar os aromas.

"No meu dia-a-dia, inspiro-me em tudo o que me rodeia." Foto: Carole Mathieu Castelli

É verdade que algumas peles têm uma maior capacidade de reter mais tempo os perfumes?

Eu acho que cada pele é diferente, e isso é verdade: o mesmo perfume pode reagir de uma maneira distinta conforme as pessoas. Faço testes sobre esse poder de permanência.

Qual é o seu grupo favorito de notas?

Adoro as notas cítricas, mas também adoro baunilha. Gosto muito de flores como a rosa, a flor de laranjeira e rosa âmbar, que age mesmo como se fossem feromonas. É uma componente muito andrógina.

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