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“Se uma fatia do orçamento fosse para a saúde mental em vez da física, sairia mais barato ao Estado”

Tem como objetivo promover a visibilidade da saúde mental junto do público, bem como quebrar os mitos e os tabus que ladeiam este território. Na 4ª edição do Festival Mental, foram vários os conteúdos que subiram ao palco do São Jorge. Entre estes, o controverso tema da toxicodependência.

Bradley Cooper e Jennifer Lawrence em Guia para um Final Feliz (2012)
Bradley Cooper e Jennifer Lawrence em Guia para um Final Feliz (2012) Foto: IMDb
10 de outubro de 2020 | Pureza Fleming

Decorreu, entre os passados dias 30 de setembro e 9 de outubro, em Lisboa, a 4ª edição do Festival Mental, uma iniciativa portuguesa que visa trazer para a discussão pública o tema da saúde mental, bem como diminuir o estigma a que esta tem sido sujeita, digamos que, desde sempre. A par de outras temáticas, tais como a ansiedade ou o stress pós-traumático, a toxicodependência foi um dos assuntos escolhidos para estar em discussão no palco do cinema São Jorge, centro do festival. Um problema — ou, chamemos-lhe antes, uma doença de cariz mental — que, de acordo com Américo Nave, psicólogo clínico e um dos convidados para a M-Talk que abordou este tema, tem vindo a piorar: "[Atualmente], assiste-se a um crescendo de dificuldades e de listas de espera para se aceder ao tratamento [da adição]. Eu acho que Portugal, em 2001, foi pioneiro em muitas medidas em relação à área das adições. Mas, ao longo dos últimos anos, tem perdido essa inovação, e houve coisas que nunca chegaram a ser feitas", assegurou aquele psicólogo. E manteve: "Com a situação do COVID-19, [esta realidade] piorou. Temos visto muitas pessoas chegaram à rua, em consequência do desemprego [causado pela pandemia]. Uma das coisas que esta pandemia nos veio mostrar, é que a questão da pobreza é o que leva as pessoas à situação de sem-abrigo, independentemente se consomem [drogas] ou se têm uma doença mental".

Ana Pinto Coelho, diretora e curadora do Festival Mental, é conselheira na área das dependências químicas e de comportamento. Em conversa com a Máxima, deixa claro que, "enquanto for curadora e diretora deste Festival, as dependências serão sempre uma das âncoras". Relembre-se que, no passado, o Mental já abordou temas como a cyber dependência ou o FOMO (Fear of Missing Out). "Nós, aqui [no Festival Mental], falamos de saúde e não de doença mental. Portanto, se há saúde mental as pessoas não ficam doentes. E há saúde mental se há literacia, se há comunicação, se há informação. E, também, se as pessoas começarem a viver melhor consigo próprias e perceberem que têm um corpo e uma mente, e não apenas um corpo. Ir ao médico não deve ser só uma decisão que se toma quando há problemas de origem física. Até acrescento que, grande fatia do orçamento da saúde, se fosse para a saúde mental, no lugar da física, sairia muito mais barato ao Estado e a todos nós, contribuintes, tratar da saúde, em geral", sublinha. E remata: "Muitas [doenças físicas] são somatizações de doenças psicológicas". Assevera que esta falta de apoio na área da saúde mental "só acontece, porque, politicamente, não se quer", já que o Programa Nacional para a Área da Saúde Mental "tem o trabalho de casa todo feito e bem feito". E garante que os portugueses andariam todos muito melhor, se assim fosse: "O que acontece, tantas vezes, é que andamos todos de médico em médico. Primeiro é porque dói o estômago, depois é porque se teve um problema qualquer cardíaco… E andamos a seguir todos os ‘departamentos’ do físico, com o que tal implica — análises, TAC’s… — quando, se calhar, não era preciso nada disso, porque o problema era — ou começou por ser — só psicológico. E se fosse logo resolvido, não haveria mais dores de estômago ou de intestino… E, tudo o resto, era muito mais leve. Escusava de se andar a bater de porta em porta de tudo quanto é médico quando o problema não era esse. Isso [a doença física] era a consequência. Quando se devia tratar a causa". A toxicodependência, o tema central do dia três do Festival, é um desses casos.

Um adito não pode ser visto como "mais um drogado, mais um bêbado"

Como acontece com qualquer tipo de adição, a toxicodependência é uma doença primária. O que significa que nasce com a pessoa. Ainda que este fator não tenha de corresponder a 100% dos casos, tal como se passa com qualquer outra doença. Porém, é também um mito completamente instalado de que um toxicodependente o é, apenas porque vem de famílias desfavorecidas ou porque vive em bairros desfavorecidos. A adição é uma doença, seja esta química ou comportamental. Um adito será, assim, e na maioria das vezes, alguém que nasce com esta doença genética, mas, de outra maneira, é também alguém que sente um vazio. E que, como tal, precisa de o preencher. E aí sim, já entra a parte social: "Se a pessoa está a viver em determinado bairro ou no seio de determinada família em que tem acesso imediato a drogas, é mais fácil [que se torne num adito]. Se tem álcool, vai ser o álcool. Se tem jogo, será o jogo. A primeira bengala que o cérebro encontrar que o ajude com a doença, é aí que ele [o adito] vai ficar. Portanto, é só uma questão de estar mais ou menos à mão", explica Ana Pinto Coelho. Elucida que a toxicodependência está, sim, muito associada aos sem abrigo, às pessoas que estão na rua, porque, "para já, em termos de investimento financeiro, trata-se de uma doença progressiva. Ou seja, é preciso sempre cada vez mais quantidade para se conseguir alcançar o mesmo efeito — e o efeito é só o adito conseguir estar bem, consigo próprio e com o mundo. Não é mais do que isso… Mas ninguém entende. Portanto, como a doença é progressiva, vai ser preciso sempre cada vez mais [quantidade] e é isso que leva a pessoa a ter comportamentos em que esta deixa, completamente, de ser ela própria. E aí passa a viver no estigma, na vergonha e num sofrimento horrível. Porque ninguém anda a assaltar carros e casas porque quer. É porque precisa de usar".

Falamos do estigma social, algo que, quer se queira, quer não, está instalado. Ana Pinto Coelho sugere que a base deste problema, que é o estigma, se encontra, em grande parte, na falta de informação e de educação por parte da sociedade: "A educação é o pilar de tudo. Enquanto nós continuarmos a ter uma informação e uma educação baseadas numa escola arcaica e obsoleta (já desde o século passado que é obsoleta) e onde, depois, toda a comunicação é passada num país onde o futebol abre e fecha telejornais e, no meio, tudo o que há são mesas redondas e quadradas com discussões que se arrastam pelo resto da noite acerca do jogo que acabou de passar e a seguir aquilo ainda é notícia… Alguma coisa está muito errada. Ou muito certa: quem está a fazer isto, de propósito, para manipular as pessoas, para as tornar acéfalas, para criar uma população aliterada e sem educação, está a fazer um excelente trabalho. Eu bato palmas a quem o está a fazer. Está muito bem feito", expõe a diretora e curadora do Festival. E continua: "Tudo isto afasta as pessoas, de uma maneira geral, e, em termos de saúde mental, afasta-as de si próprias. Porque isto é viver para a aparência, viver para fora, para um desencontro absoluto de nós connosco próprios. E, se estamos mal, desentendidos e se mal sabemos de nós, como é que vamos empatizar seja com quem for? Se nós não estamos bem, e se estamos neste inferno caótico social e económico, que criámos… Nesta máquina trituradora que começa de pequenino a formatar, em vez de deixar as pessoas serem pessoas… Isto está tudo muito errado. E, relativamente à doença da adição, que é uma doença que, de facto, não tem cura, que é progressiva e, em última instância, fatal… Não se olha para isto. Não se olha para os números, não se fala das coisas como se deveria falar e continua a haver este estigma com a toxicodependência que é, só e apenas, fruto de uma enorme falta de educação e de literacia".

Substâncias ilegais, álcool e… politiquices

Ainda que o tema central daquele dia do Festival fosse a toxicodependência, todos os caminhos (e conversas) foram dar, inevitavelmente, à questão do alcoolismo. Afinal, uma adição é uma adição, seja ela droga, álcool, jogo, sexo e por aí fora. E, garantem todos os especialistas que compareceram, naquela noite de sábado, no cinema São Jorge: o álcool é mesmo a pior das drogas. "O álcool é a droga que mais mata", afirma Ana Pinto Coelho. E explica: "Em termos de estatísticas, não aparece nas autópsias que alguém morreu por causa de alcoolismo. O álcool faz tantos estragos que [aquela morte] pode ser: de coração, de cirrose… Pode ser consequência de um acidente e, aquela pessoa, morreu por conduzia alcoolizada; ou ainda porque o alcoólico caiu em casa e bateu com a cabeça. Há dezenas de mortes cuja causa é o alcoolismo, mas depois não é isso que aparece na estatística. O dia em que isso fosse posto a nu, como deve ser, nós íamos perceber que nós somos um país de alcoólicos e, mais ainda, de alcoólicos funcionais, que andam por todo o lado. O álcool é um flagelo social". Luís Patrício, psiquiatra com grande historial e experiência na área da toxicodependência, e um dos oradores convidados daquela noite, assegura: "O etanol, que é o álcool que nós consumimos, provoca mais de 60 doenças. Uma delas é a dependência. Ou o alcoolismo. Portanto, a nossa ignorância sobre o álcool é tremenda". E mantém, fazendo uma crítica direta à sociedade: "O apelo da sociedade para que se ‘beba com moderação’ é a hipocrisia da ignorância". Este psiquiatra, que é também o autor do blogue especializado no tema da adição, Mala da Prevenção, adianta que não separa as substâncias legais das ilegais: "Isso é com os deputados. É com o país. Eu, como médico, interessa-me é saber se isso é ‘legal’ ou não é ‘legal’ para a saúde e bem-estar individual, familiar e comunitária ambiental". O problema da falta de resolução para os issues da adição, defende Ana Pinto Coelho, parece ter, precisamente, origens que vão de encontro a questões políticas: "Há lobbies muito fortes dentro desta área. E muito antigos. E políticos. Isto [o problema da adição] deveria estar nas mãos do Programa Nacional da Saúde Mental, porque isto [a adição] é uma doença mental. Não tinha de ser desassociada da doença mental. Há uma visão transversal em relação à saúde mental que tem de se ter. E também de comunicação e de se saber como é que se fala sobre as coisas. Isto não podem ser nichos fechados, não pode haver convenções fechadas e elitistas. Seja a que nível da saúde mental for. Isto é informação pública, saúde pública, isto é grave. E não pode ser tratado e falado da mesma maneira que tem sido falado até agora em quintas, redomas, lobbies e politiquices", arremata. E prossegue com a sua posição: "Eu sou ativista da saúde mental, na prática e para toda a gente. E sei como é que as coisas poderiam funcionar. E, devo dizer: não era nada difícil. Mas há resistências. Os números não correspondem à realidade. Tenho a certeza que [a realidade do consumo] é muito pior. E, no álcool então, tenho a certeza absoluta de que é muito pior. Não acredito nos números em Portugal. O sofrimento que eu vejo e que assisto nas pessoas, nas suas histórias de vida, não é justo. Ninguém merece. E, porque nós estamos num país corrupto, todos nós depois acabamos por ser vítimas, em termos de saúde mental. Vítimas de uma data de coisas que poderiam estar a acontecer". Para o psiquiatra especialista na área da toxicodependência, Luís Patrício, "há uma diferença muito grande entre aquilo que é o interesse sanitário e social, portanto, dos profissionais e das famílias; daquilo que é o interesse geo-económico, que é o dos poderes — aliás, em relação ao COVID-19 isso é muito evidente". E conclui: "É necessário falar a verdade da realidade. E não a fantasia da casa dos outros ou das políticas dos outros".

 

O caminho para a cura — se é que há

"Dependências e adições são coisas que são, e devem, ser tratadas por conselheiros e por pessoas especializadas. Não é, do meu ponto de vista, por psicólogos e psiquiatras — que também podem ajudar, e muitas vezes, são necessários, já que isto acaba por ser um triângulo em tratamento, [um processo] multidisciplinar. Mas, em primeiro lugar, é um conselheiro que deve tratar disto [das dependências e das adições]", deslinda a diretora do Festival e conselheira na área das dependências químicas e de comportamento. Explica que, em Portugal, não existe um programa de intervenção. Tal como não há conselheiros. E que esta é uma profissão que deveria ser regulamentada. A intervenção — uma prática muito utilizada nos Estados Unidos no combate à toxicodependência— é um serviço prestado por uma empresa que se contrata. Primeiro, marca-se uma reunião com a família em que o intervencionista irá perceber qual é o quotidiano da pessoa adita. Depois, conforme o caso, o intervencionista irá a casa do adito e, de forma discreta, irá levá-lo para o centro de recuperação. A empresa faz, então, a ponte entre a família, o centro de recuperação, e o intervencionista, sendo que tudo é feito de forma legal: "E não como é feito em Portugal em que a intervenção da polícia ou dos bombeiros se resume a: ‘Ah, é só mais mais um drogado, mais um bêbado… Tenho mais do que fazer’". Dúvidas houvesse relativamente ao complexo que é tratar a adição, Ana Pinto Coelho relembra que "um adito é manipulador, é inteligente e está sempre um step ahead, porque sabe que vai precisar. Os mecanismos de defesa estão sempre ativos, mesmo na pior das circunstâncias. É uma doença muito grave. O cérebro sabe exatamente o que quer fazer". Inevitavelmente, no contexto da recuperação de um adito, vem à tona da conversa o programa dos 12 passos. Para a diretora do Festival Mental, o programa, que se multiplica em várias reuniões — Narcóticos Anónimos, Alcoólicos Anónimos, Co-dependentes Anónimos… —, sendo considerável, no âmbito da recuperação, pode apresentar também os seus perigos iminentes, digamos assim: "Há aditos em recuperação para quem estas reuniões passam a ser uma bengala e isso não é suposto. Nem o próprio programa diz isso. O programa dos 12 passos o que diz é para se ir a uma reunião e estar-se lá durante aquele tempo. O que acontece, por vezes, é que se criam grupos (dentro dos grupos) em que a pessoa, porque ficou completamente desajustada da sua vida e deixou de ter amigos, familiares ou conhecidos, passa a rodear-se apenas dos seus companheiros de NA. E, depois, a sua vida passa a ser só isso. Nesses casos, do meu ponto de vista, o [programa] passa a ser uma bengala e está a criar-se uma nova adição. Que, mesmo que possa parecer saudável (claro que é mais saudável do que se estar a usar drogas), não deixa de se tornar numa dependência comportamental. [O adito] passou do [uso] químico para o comportamental. Uma vez adicto, sempre adicto. Nasce com a pessoa e morre com a pessoa". Rui Correia, psiquiatra especialista em dependências e adições e convidado para a Talk daquela noite, afirma, por sua vez, ser "um grande defensor do envolvimento das pessoas [aditas] nos grupos de auto-ajuda — NA, AA, Famílias anónimas". E traz, assim, à conversa aquele grupo de apoio que é única e exclusivamente dedicado às famílias do adito. Porque, sim, as famílias também sofrem — na realidade podem sofrer tanto quanto sofre o adito. "Há, naquelas reuniões, uma troca de experiências, entre os familiares dos aditos, que lhes permite perceber que há estratégias que funcionam melhor e outras pior… Há a questão das identificações, e também perguntas que surgem que podem encontrar, naquelas salas, uma resposta", deslinda aquele psiquiatra. Falar em Famílias Anónimas é referir o princípio do amor firme, uma máxima que deve ser aplicada pelos familiares em relação ao adito. "Tentando simplificar ao máximo, [o amor firme] é, no fundo, quando o familiar faz de tudo para ajudar a pessoa doente a entrar em recuperação, e não faz nada que possa perpetuar o problema. Por exemplo, uma mãe que dá dinheiro, que vende as jóias, e que faz tudo para que o seu filho tenha dinheiro para consumir drogas e, quando confrontada com isso, diz: ‘Mas eu não quero que o meu menino vá preso… Isso seria uma vergonha para a família…’. Isto é um exemplo daquilo que não é o amor firme. Tudo o que ajude a facilitar e a perpetuar os consumos, obviamente que não é recomendado, por mais doloroso que seja", esclarece Rui Correia. Por norma, e partindo desta base, para qualquer adito as famílias anónimas são vistas como o inimigo. Para Ana Pinto Coelho, o princípio do amor firme não é linear. "Acho que cada caso é um caso. Cada pessoa é uma pessoa. Não sou a favor disso [do amor firme]. Acho que se deve ajudar até à última instância, excepto se o familiar começa, também ele, a entrar num processo de auto-destruição. Porque, depois, o que muitas vezes acontece, é que se passa para outra coisa, que é muito semelhante à adição, a que se chama de codependência. E os familiares podem desenvolver um problema de co-dependência relativamente aos aditos — para estes últimos existem as reuniões apelidadas de CODA ou de grupo de apoio dos codependentes anónimos, também baseadas no programa dos 12 passos. E isto acontece muito em famílias onde há toxicodependentes, alcoólicos, aditos ao jogo, etc. É imprescindível que, no âmbito desta doença que é a adição, as pessoas entendam que não há culpas, nem juízos. Porque ninguém vai culpar alguém por ter cancro. Porque, tal como há vários níveis de doença física, há vários níveis de doença mental. E, definitivamente, na adição, há vários níveis de adição. De progressão da doença. Portanto, quanto mais cedo o adito for tratado, melhor. Aqui, a questão difícil é que o adito nunca quer ser tratado. Nunca assume que é. Ele sabe que é. Eu tenho a certeza que ele sabe sempre que é. Mas não quer. Só que não é ele [que não quer], é a doença. É a compulsão. E a base desta doença é a compulsão. E não há mesmo nada a fazer, porque por mais que não queira e que diga ‘é a última vez, eu juro’, porque estão em sofrimento, no dia seguinte ele vai voltar lá. É o eterno confronto entre o tico e o teco. Mas, no momento em que o adito diz que é ‘não’, é mesmo não. E as pessoas que estão à sua volta, por favor, acreditem, pois naquele momento é mesmo ‘não’. Porém, é só aquele instante, já que a doença acabará por falar mais alto. A doença, enquanto estiver no ativo, irá sempre falar mais alto. Quando um adito acorda, já a doença acordou, já tomou banho, já tomou o pequeno-almoço, já se sentou no sofá, já ligou a televisão e já está a tomar o seu café. Todos os dias isto. E diz [ao adito]: ‘Vou só esperar que tu acordes, porque, depois, tu vais voltar aqui’". Como é que se pode, então, sair desta trama, é a pergunta que faço àquela conselheira. Como se uma resposta simples e incomplexa fosse possível. À qual Ana Pinto Coelho retorna: "Com amor. Porque eu acho que o oposto da adição é a conexão. Ao fim ao cabo, o que é que é esta doença senão a desconexão da pessoa consigo própria e com o mundo? Porque é isso que se passa. De uma maneira geral, e transversalmente, em termos de padrão, é o facto do adito não se sentir encaixado. Às vezes, a pessoa tem essa noção, outras vezes não tem. Mas o que se passa é isto. E, obviamente, cada vez mais. Com o mundo exigente, como está, e horrível. Porque isto é um mundo desumano onde habitamos. A empatia é a única coisa que nos distingue dos animais. E se é isso que estamos a perder completamente, porque estamos a criar um mundo de raiva, de ódios, de reacções e de desrespeito pelo próprio planeta…? E depois, claro se as pessoas que são mais sensíveis sentem isto tudo? Naturalmente, que [o problema da adição] há de ser cada vez mais e mais e mais. Se não forem as drogas serão os comprimidos, se não forem os comprimidos são os cogumelos, depois vem a ayhuasca a entrar em grande…". E firma: "Dos maiores e melhores guerreiros que a sociedade tem, são os aditos em recuperação". Para terminar — não terminando, uma vez que a solução não está,  definitivamente, à vista — o psiquiatra, Luís Patrício, deixa uma reflexão: "Quando ouvirem falar de droga, desconfiem. Se há droga desconfiem. Desconfiem do que eu digo, desconfiem do que ouvem, desconfiem da qualidade, desconfiem do que é dito, desconfiem de tudo. E, depois, vão confirmar se é verdade. Porque, infelizmente, [quando o tema é droga] é necessário desconfiar".

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