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Fátima Lopes: “Cabe a nós mulheres, falarmos com orgulho da menopausa”

“Estou com a menopausa, e agora?”. De acordo com especialistas, esta é a questão que mais mulheres levantam quando se deparam com aquela nova fase das suas vidas. Em Mulheres sem Pausa, conversa-se acerca da Menopausa de forma descomprometida, sem receios ou preconceitos. Tal como deve ser.

14 de outubro de 2020 | Pureza Fleming

No âmbito do Dia Mundial da Menopausa, que se celebra no próximo 18 de outubro, a marca de dermocosmética, Vichy, reuniu, no passado dia oito, em Lisboa, vários especialistas de diferentes áreas da saúde — ginecologia, cardiologia, dermatologia, nutrição, sexologia e farmácia —, numa conferência multidisciplinar que teve como objetivo desmistificar a menopausa e o tabu associado a este período de grande relevância na vida da mulher.

Tendo como moderadora a apresentadora de televisão, Fátima Lopes, e contando com o apoio da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, a conferência, Mulheres sem Pausa, foi transmitida em live streaming, para que todas as mulheres pudessem ter acesso à mesma. Naquela que foi a segunda edição de Mulheres Sem Pausa, a Vichy quis voltar a incentivar as mulheres a não pararem na menopausa. A não colocarem as suas vidas em pausa neste novo período das suas vidas — de acordo com a convidada, Fernanda Geraldes, ginecologista, "são cerca de dois milhões e meio as mulheres portuguesas na menopausa". Fátima Lopes foi mais longe, complementando o tema, logo no romper da conferência, com as seguintes palavras: "Aquilo que propomos aqui, e eu gosto muito disto, é [que as mulheres na menopausa sejam] mulheres sem pausa na vida. Mas, também, na carreira, na beleza, na sexualidade, na saúde e, porque não, mulheres sem pausa na felicidade". A apresentadora acrescentou ainda que era crucial que se falasse da menopausa "com naturalidade e com normalidade". E rematou: "Eu acho que cabe muito, a nós mulheres, falarmos com orgulho desta fase das nossas vidas. Com brilho, com energia e com alegria, porque isso também faz mudar a perspectiva que se tem da menopausa. A menopausa é uma etapa da vida, como outra qualquer". No palco desta conversa multidisciplinar, estiveram especialistas, tais como, a Presidente da Secção de Menopausa da Sociedade Portuguesa de ginecologia, Fernanda Geraldes, já referida acima, que deslindou acerca dos factores que influenciam o aparecimento da menopausa (geralmente aos 51 anos), entre outros assuntos; a dermatologista, Leonor Girão, que atestou o quanto era "brutal" o impacto da menopausa "ao nível da pele", tendo adiantado alguns conselhos de como colmatar esta realidade; Fernanda Geraldes, Presidente da Secção de Menopausa da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, entre outros prestigiados nomes desta área, sem os quais a mesma não teria tido o cariz multidisciplinar que teve — essencial no contexto do tema da Menopausa. A Máxima aproveitou a boleia desta conferência, e trocou umas palavras com a apresentadora, Fátima Lopes.

"Em Mulheres sem Pausa, conversa-se acerca da Menopausa de forma descomprometida, sem receios ou preconceitos."






Em que momento é que a Fátima entendeu que a sua menopausa estava a chegar. Algum sintoma — dos vários a que estão associados a esta — que tenha sobressaído?

Há uns quatro ou cinco anos tive dois dos sintomas da menopausa, que foram os afrontamentos e o cansaço físico e, nessa altura, procurei a minha ginecologista, fiz análises e as análises declaravam menopausa, que a minha médica disse que podia não ser definitiva. Podia ser uma situação que regredisse. Na altura, medicou-me com um suplemento e a verdade é que a situação regrediu e, portanto, eu deixei de ter qualquer sintoma. Assim, neste momento, não me posso manifestar, porque ainda não estou na menopausa.

Conversar com quem está mais próximo e explicar a essas pessoas — seja um companheiro, os filhos ou até os colegas de trabalho — o momento pelo qual se está a passar, é importante para amenizar os estados de ânimo? Ou antes, para lidar com estes?

Quando isso acontecer, falarei com eles seguramente, se sentir que preciso de lhes explicar alguma coisa, como é óbvio.

 

Onde é que a ciência pode ajudar a mulher a melhorar a sua qualidade de vida e até a sua saúde?

A ciência pode ajudar a mulher a melhorar a sua qualidade de vida e a sua saúde tendo em conta que hoje em dia existe a terapêutica hormonal de substituição e existe uma série de respostas que permitem à mulher equilibrar muito a parte hormonal, o que ajuda, sem dúvida a melhorar o seu estado geral e a levar, da melhor forma, esta fase da vida. Para além disto, é preciso dizer que é preciso adotar um estilo de vida saudável. Isso não é a ciência que faz, somos nós. É termos a responsabilidade da nossa saúde nas nossas mãos e tomar conta da nossa saúde e isso passa, sem dúvida, por um estilo de vida saudável, pela prática de exercício, pela meditação, pelo uso de técnicas de relaxamento… Uma série de coisas que, no fundo, produzam bem-estar. Acima de tudo, bem-estar. Cuidarmos de nós, mimarmo-nos, darmo-nos atenção. Fazermos coisas que nos divirtam, que nos acrescentem, que nos façam sentir felizes. Isso é muitíssimo importante, tão importante quanto a ajuda que a ciência pode dar.

 

Acredita que compreender que a menopausa não é uma doença, pode ajudar a aceitar esta nova fase da vida?

Quando a menopausa for finalmente percebida como, simplesmente, mais uma etapa das nossas vidas tudo fica mais fácil. Se nós aceitamos a infância, a adolescência e a velhice como normais, porque é que em relação à menopausa há tanto tabu e tantas ideias pré-concebidas? É uma fase da vida, ponto final. E, portanto, é como tal que tem de ser encarada. Para todas as fases da vida temos de nos preparar e tentar arranjar estratégias para as viver da melhor maneira. A menopausa não é diferente, nem para melhor nem para pior. Não é diferente.

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