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Está de volta o Festival Mental

Com o objetivo de diminuir o estigma da saúde mental e suscitar uma discussão pública sobre o tema, o Mental vai estar de regresso a Lisboa para a sua 4ª edição.

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30 de setembro de 2020 | Vitória Amaral

No fim deste que é o mês da prevenção do suicídio, chega o Festival Mental com mais uma edição recheada de eventos integrados de várias áreas desde o cinema à música, teatro, literatura e debate. Segundo a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, as perturbações mentais e do comportamento representam 11,8% da carga global das doenças em Portugal, ultrapassando as doenças oncológicas (10,4%) e apenas inferiores às doenças cardiovasculares (13,7%). Isto significa assim que mais de um quinto dos portugueses sofre de uma perturbação psiquiátrica (22,9%).

Criado em 2017, o objetivo do Festival Mental sempre foi o de promover a visibilidade da saúde mental junto do público em geral tendo sempre como pano de fundo o Cinema e as Artes, necessidade esta que se tornou ainda mais urgente nos últimos meses. A organizadora do mesmo, Ana Pinto Coelho, acrescenta que a quarta edição do mesmo "é também a nossa estreia no Cinema S. Jorge, Sala emblemática dos Festivais de Cinema, deixando-nos no culminar de um caminho que já vinha do ano passado na procura de chegar ao público em geral com o nosso M-Cinema, M-Talks e filme temático em sala de cinema".

O festival, que decorrerá de 30 de setembro a 9 de outubro, arranca com um dos temas mais marcantes deste ano no debate de sala aberta intitulado "Pandemia: do real ao digital", que conta com um painel de convidados de peso na área da comunicação como Fátima Caçador, João Gata, Susana Marvão e Tiago Sigorello.

Entre os eventos de destaque do festival Mental estão também as M-Talks: painéis temáticos sobre um assunto relacionado com a saúde mental e que são sempre acompanhados por uma projeção de uma longa-metragem. Nesta edição, os temas abordados serão a ansiedade, toxicodependência e stress pós-traumático, que se têm revelado mais pertinentes num ano tão atípico como aquele em que nos encontramos (já em março realizaram-se as M-Talks 4 All, um projeto autónomo com conversas diárias sobre a saúde mental em período de confinamento e muito mais).

Como anteriormente mencionado, as Artes são uma componente essencial do programa do Mental, contando ainda com iniciativas como o lançamento do livro "Cartas do Confinamento de 23 de Março a 1 de Maio", uma coedição entre o Festival Mental e a Editora Âncora, escrito por Tiago Salazar e Frederico Duarte Carvalho; a apresentação do espetáculo "Acontece" da Dança Movimento Terapia ou o Mental Júnior, uma sessão de yoga para crianças com a YMCA Setúbal e sessões de cinema temáticas.

Sem deixar de parte a sétima arte, estará também de volta o M-Cinema: Mostra Internacional de Curtas-Metragens, com um total de 19 filmes dos quatro cantos do mundo selecionados através da Open Call 2020. Naturalmente relacionados com a temática do festival, estes abordam uma multitude de assuntos quotidianos como a maternidade (As Diferentes Faces da Maternidade, de Sevgy B. Bremang, do Reino Unido), o pânico (O Meu Primeiro Pânico, de Michaela Holmes, da Austrália) e alguns estigmas quanto à saúde mental (Um Homem Não Chora, de Joe Byrne, da Irlanda), entre muitos outros.

O Festival Mental é um evento de reconhecimento internacional, fazendo parte do Board da Rede Europeia de Festivais congéneres NEFELE, além de ter sido Menção Honrosa da 8ª edição do Concurso Montepio Acredita Portugal em 2018. Para mais informações sobre a programação e bilheteira consulte www.mental.pt

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