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Quem são as influencers russas que ficaram sem trabalho?

A guerra entre a Ucrânia e a Russia teve consequências nas duas frentes. Muito para lá da morte e destruição num dos lados da fronteira, jaz uma possível crise económica para os cidadãos russos, entre eles, os que sobreviviam à custa do Instagram, agora proibido no país.

As influencers Karina Nigay e Mary Leest antes do desfile da Fendi durante a Semana da Moda de Milão (primavera/verão 2022)
As influencers Karina Nigay e Mary Leest antes do desfile da Fendi durante a Semana da Moda de Milão (primavera/verão 2022) Foto: Getty Images
22 de março de 2022 Ana Filipa Damião

A invasão da Ucrânia por parte dos soldados russos trouxe destruição, mágoa e uma dor imensurável. E embora nada se compare com o campo de batalha, os problemas não estão apenas a acontecer em solo ucraniano. Há apenas uns dias, diversas influencers ficaram sem chão de um momento para o outro, quando o governo de Vladimir Putin proibiu o Instagram na Rússia, bem como o Twitter e o Facebook. De repente, jovens como Karina Nigay ficaram sem o seu ganha pão. "Esta é a minha vida, esta é a minha alma. É com isto que tenho acordado e adormecidos nos últimos cinco anos", comentou na aplicação antes do bloqueio, citada pelo jornal The Guardian. Nigay tinha cerca de três milhões de seguidores e era blogger de Moda.

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Outro exemplo bastante conhecido é o de Olga Buzova, estrela da televisão russa, que partilhou a sua revolta e tristeza com a decisão do Governo. "Estou a escrever isto a chorar. Espero que nada disto seja verdade." A ela juntou-se Ksenia Sobchak, uma das personalidades russas que criticou a invasão. "Despeço-me sem longos discursos – estou simplesmente grata a cada um dos nove milhões [de seguidores] e pelo facto da minha página ter sido interessante para vocês, pela minha explosão diária direta, pela comunidade que se formou ao longo dos anos", escreveu num post de despedida, onde aparece vestida de preto, como se de um luto se tratasse.

No entanto, as influencers que trabalhavam no meio do entretenimento e Moda não foram as únicas a sofrer "baixas". Karina Istomina é uma DJ bastante popular, mas utilizava a rede como plataforma para fazer publicidade. "Cerca de metade do meu rendimento veio através da publicidade do Instagram. Para ser honesta convosco, estou absolutamente devastada por estar a perder a minha página. Fiz o meu perfil há mais de dez anos. Muito provavelmente terei de encontrar outras fontes de rendimento, terei de me redescobrir a mim mesma", noticiou o mesmo jornal.

Ksenia Sobchak num jantar da Gucci realizado na Mansão Volkhonka em Moscovo, 2014
Ksenia Sobchak num jantar da Gucci realizado na Mansão Volkhonka em Moscovo, 2014 Foto: Getty Images

O bloqueio das aplicações propriedade da Meta surgiu depois de alguns cidadãos russos recorrerem às plataformas para expressarem o seu desagrado com a guerra, para além de ser utilizadas como meio de dispersão de notícias atualizadas sobre o conflito armado. O Facebook e o Twitter já tinham sido congelados no início de março, com Moscovo a afirmar que estes violavam os "direitos e liberdades dos cidadãos russos".

Karina Istomina como DJ no BUDX Miami by Budweiser, janeiro de 2020
Karina Istomina como DJ no BUDX Miami by Budweiser, janeiro de 2020 Foto: Getty Images

"O Instagram tornou-se a nossa casa, a nossa ponte com o mundo exterior. É doloroso pensar que vamos perder isso tudo", protestou Dilyara Minrakhmanova, que dirige uma marca de roupa em Moscovo. No entanto, muitas contas continuam ativas. Isto porque os influencers saíram do país, arranjaram acesso a VPN´S ou mudaram o perfil para o Telegram, uma aplicação russa criada por Pavel Durov em 2013 e que diz manter uma filosofia moderadora de liberdade de expressão (e os dados dos utilizadores privados).

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