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Há mais detalhes sobre o caso Epstein. E são mais polémicos que nunca

Continuam a aumentar as personagens envolvidas no caso Jeffrey Epstein, o famoso empresário acusado de abuso sexual e tráfico de menores que se suicidou na prisão. E há algumas revelações que fazem que com que nomes como Guislaine Maxwell ou o Principé André fiquem comprometidos.

Melania Trump, Prince Andrew, Gwendolyn Beck e Jeffrey Epstein no clube Mar-a-Lago, Palm Beach, Flórida.
Melania Trump, Prince Andrew, Gwendolyn Beck e Jeffrey Epstein no clube Mar-a-Lago, Palm Beach, Flórida. Foto: Getty Images
11 de agosto de 2020 | Rita Silva Avelar

Surviving Jeffrey Epstein, do canal norte-americano Lifetime, é uma série documental dividida em quatro partes sobre Jeffrey Epstein, o empresário acusado de abuso sexual e de violação de centenas de crianças e mulheres, que se suicidou em agosto de 2019 na sequência de ter sido preso (as circunstâncias da sua morte continuam por apurar).

O caso já havia sido abordado no documentário da Netflix Jeffrey Epstein: Filthy Rich, lançado em maio deste ano, que contou com várias testemunhas e alegadas vítimas do enredo que Jeffrey montou em quase duas décadas e que envolve nomes tão sonantes como Donald e Melania Trump, Harvey Weinstein, Bill Clinton e o Príncipe André, ou até Elon Musk ou Kevin Spacey. E sobretudo o nome de Ghislaine Maxwell, sua antiga companheira e cúmplice, detida em julho deste ano. Tal como Epstein, também esta colaborou, alegadamente, nestes crimes: falamos de centenas de jovens adolescentes envolvidas em esquemas de abuso sexual e violação.

O novo documentário baseia-se em testemunhos de oito mulheres diferentes que dizem ter sido abusadas por Epstein, assim como de especialistas e antigos membros dos círculos próximos de Epstein e Ghislaine Maxwell. Além das narrativas pessoais, Surviving Jeffrey Epstein pinta um retrato condenável de como o empresário financeiro, que fez a sua estreia profissional em Wall Street de forma ilícita, supostamente preparou as suas vítimas.

A equipa por trás do documentário disse que o atualizou em cima da hora, após a detenção de Ghislaine Maxwell, precisamente sob a acusação de que ela conspirou com Epstein para abusar sexualmente de menores. Maxwell declarou-se inocente das acusações e os seus advogados argumentaram que ela se tornou num "bode expiatório" após a morte de Epstein.

O documentário vem trazer novas informações polémicas ao caso. Como relata o The Independent, Christopher Mason, um antigo conhecido de Maxwell e apresentador televisivo, alega no documentário que esta o contratou para escrever aquilo que seria um presente de aniversário para Epstein, por ocasião do seu 40º aniversário. "Eu mal o conhecia, mas Ghislaine foi muito específica sobre certas frases e informações que tinham que estar na canção", diz, no primeiro episódio da série. "Ela pediu-me para bater à porta à hora marcada, entrar, sentar-me no chão e tocar esta música", acrescenta.

Mason lê a canção com rimas em voz alta, começando com uma referência bastante inocente aos cabelos grisalhos de Epstein. O tom, no entanto, muda à medida que ele continua: "Ele parece mais velho, mas é claro pelo seu sorriso, quanto mais velho, mais jovem. Ghislaine estava a elogiá-lo, e chegou a dizer que ele tinha ereções 24 horas por dia" [em inglês: "He sure looks older but it’s clear from his smile, the older he gets, the more juvenile/ Ghislaine is lavishing him with her affections, she claims he has 24-hour erections]."

Surviving Jeffrey Epstein também explora a forma como Epstein desenvolveu uma personalidade misteriosa e sedutora nos anos 80, desde o seu trabalho como professor em Dalton para uma carreira na alta finança. Susan Semel, ex-professora da Dalton, descreve Epstein como não sendo "o típico professor de Dalton." No documentário, a segurar uma fotografia de Epstein durante o seu tempo na instituição de ensino, ela acrescenta: "Normalmente, [os professores] não usavam fatos desportivos, correntes douradas e camisas abertas expondo uma certa quantidade de peito. Parecia algo saído do filme Febre de Sábado à Noite".

O Príncipe André vê-se de novo em apuros. No primeiro documentário já tinha sido acusado de abusar sexualmente de uma jovem de 17 anos, pelo menos três vezes: uma na ilha privada de Epstein, outra em casa de Ghislaine, e outra em Nova Iorque.  Com o novo documentário, o seu envolvimento está de novo na mira dos investigadores. "O Príncipe André não é o príncipe dos contos de fadas que imaginamos", diz Virginia Roberts Giuffre, a vítima que acusa o príncipe, na terceira parte do documentário. "Ele deve ser responsabilizado." Virginia surge numa fotografia ao lado do mesmo, a mesma imagem que este diz não se lembrar de ter alguma vez tirado.

Segundo a Vanity Fair, a alegada vítima Lisa Phillips também afirma que Giuffre não foi a única mulher que Epstein remeteu para o Príncipe André. "A maioria das meninas não falou sobre o que aconteceu com o príncipe André, mas eu tinha uma amiga muito próxima que me confidenciou a sua experiência com ele", diz Phillips na série. "Ela disse-me que Jeffrey a instruiu a entrar numa sala e a fazer sexo com o Príncipe André.

Aquilo que de facto pode condenar esta e outras personagens do enredo Epstein é a possibilidade de existirem em todos os quartos câmaras de filmar escondidas em sítios estratégicos. Todo o material pode estar nas mãos de Ghislaine e prestes a ver a luz do dia. Aparentemente, era esse material que Epstein usava para chantagear figuras de maior poder como os seus "amigos" mais próximos, usando-o para tráfico de influências.

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