Prazeres

Miss Can. Conservas portuguesas como nunca as viu (e provou)

A Máxima foi conhecer a petiscaria de Tiago Ribeiro, fundador da Miss Can, um negócio com uma característica que o distingue de todos os outros – o seu método tradicional de produção de conservas.

Foto: Miss Can
24 de setembro de 2021 | Ana Damião

Resguardada da azáfama da baixa lisboeta, na entrada do Castelo de São Jorge, em Lisboa, fica a casa da Miss Can, uma sereia que após perder os pais decidiu recomeçar o negócio de família e vender conservas artesanais de peixe. Esta narrativa é de Tiago Ribeiro, que usa a sereia para contar a história do seu negócio.

Conservas da miss Can.
Conservas da miss Can. Foto: Miss Can

"Queríamos um nome chamativo e que fosse internacional e ao mesmo tempo queríamos criar um asset da marca que pudesse falar", explicou o fundador à Máxima, referindo-se à personagem. Além disso, a sereia simboliza o amor platónico do conserveiro, como o avô de Tiago costumava dizer. Avô este que, de 1911 até à revolução dos cravos de 1974, esteve efetivamente ligado à indústria conserveira.

Produtos e trabalhadores da fábrica de conservas Gisela, que pertencia ao avô de Tiago Ribeiro.
Produtos e trabalhadores da fábrica de conservas Gisela, que pertencia ao avô de Tiago Ribeiro. Foto: D.R
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Já em 2013, o neto sentiu que estava na altura de regressar às suas raízes, e em conjunto com a irmã gémea, lançaram a Miss Can, sendo que no início as latinhas eram vendidas em packs, numa mota amarela - modelo Ape 50 da Piaggio - dentro do Castelo de São Jorge. "Começámos a ver formas de, através das nossas skills, podermos lançar alguma coisa nossa. Começámos a olhar para dentro da nossa família e tínhamos um avô conserveiro", explicou à Máxima.

Em junho de 2015, a motinha amarela aventurava-se e vencia o Prémio Nacional das Indústrias Criativas de Portugal. Ao ficarem em primeiro lugar, ganharam a oportunidade de representar o país na Creative Bussiness Cup, em Copenhaga. Durante quase um mês viajaram por vários pontos da Europa para darem a conhecer os seus produtos até chegarem ao local do concurso, isto em outubro. Lá, ganharam o prémio do Arla Food Innovation Challenge da categoria de Food and Design.

Motinha onde os produtos da Miss Can eram inicialmente vendidos.
Motinha onde os produtos da Miss Can eram inicialmente vendidos. Foto: D.R

Meses depois, e já em território nacional, utilizaram o dinheiro que receberam para abrir uma petiscaria em 2016, onde as pessoas pudessem conviver, provar e comprar as conservas da Miss Can, conservas estas que são feitas artesanalmente - um método mais moroso mas que definitivamente as distingue de todas as outras.

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Tiago Ribeiro, em 2015, com o embaixador dos EUA na Dinamarca quando a Miss Can se deslocou àquele país para participar no Creative Business Cup.
Tiago Ribeiro, em 2015, com o embaixador dos EUA na Dinamarca quando a Miss Can se deslocou àquele país para participar no Creative Business Cup. Foto: D.R

"Basicamente é trabalhar com peixe fresco, e pré cozê-lo [a vapor] fora da lata", explica-nos Tiago. Assim, "a gordura do peixe em vez de ficar em lata, cai no chão e só depois é que é amanhado". Portanto, "qualquer peixe está à dimensão da lata, não está mais encolhido" e a água que traz não dilui o molho e tempero.

Quando entramos no restaurante, somos acolhidos por uma música jazz que toca em plano de fundo e que nos acompanha pela tarde fora. Lá dentro, o nosso olhar passeia entre a parede de pedra antiga, talvez parte das muralhas do castelo, e a gigante máquina verde-garrafa de cravação de conservas, cujos espaços sem cor demonstram os anos de uso.

Petiscaria Miss Can.
Petiscaria Miss Can. Foto: @misscan_portugalwithlove
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No menu existem várias escolhas, desde sardinhas, os bestsellers da casa, a filetes de cavala ou de atum cozinhados em vários molhos e acompanhados por saladas.

Interior da petiscaria Miss Can.
Interior da petiscaria Miss Can. Foto: @misscan_portugalwithlove

Na pequena esplanada, a refeição começa com gaspacho fresco, ideal para os dias quentes de verão. Os pratos principais são, obviamente, peixe e marisco. Os filetes de cavala vêm em azeite picante, suave o suficiente para quem não aprecia este tipo de condimento, as lulas são recheadas à portuguesa e o lingueirão sabe a mar. Para acompanhar, há salada de tomate à algarvia com cebola e orégãos, salada de feijão-frade com cebola, chouriço e salsa e ainda salada de batata com ovo.

Só depois de apreciarmos o melhor que o mar tem para oferecer é que experimentamos o leite creme, cujo açúcar é queimado no momento. Assim, uma refeição com bebida e sobremesa incluída fica à volta dos €15 por pessoa, sendo que as conservas variam entre os €4,50 e os €6,00 e as saladas ficam por €3,50.

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Pratos do ménu da Miss Can.
Pratos do ménu da Miss Can. Foto: Miss Can

Se não tiver oportunidade de se deslocar à loja, a Miss Can também vende os seus produtos online. Atualmente, tem onze especialidades à escolha, desde marico, como berbigão e mexilhão, a polvo, bacalhau ou anchovas. No entanto, o difícil será escolher o tempero, pois existem dez diferentes: à portuguesa, à poveira, ao natural, com azeite, em azeite com grão-de-bico, alho, picante e picante com pickles, com azeite virgem extra e em tomate.

Pack Tomarvelous.
Pack Tomarvelous. Foto: Miss Can

Os packs de três latas estão entre os €11 e os €15, sendo que existe ainda a opção de uma subscrição mensal - Canmunity - de quatro latas (€12), seis latas (€20) ou nove latas (€30).

Onde? Largo do Contador Mor 17, Castelo, Lisboa. Horário: 11h00 - 19h00.

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