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Fadiga e desconcentração constantes. O que é a névoa mental e como pode ser tratada?

É possível que já tenha ouvido falar deste termo durante a pandemia. Afetou uma grande parte das pessoas que contraíram o vírus, mas a verdade é que já existia antes. Fique a descobrir mais sobre a condição.

Foto: Pexels
26 de outubro de 2022 Bianca Gregório / com Rita Silva Avelar.

Imagine viver – ou passar um longo período de tempo – com desconcentração permanente, dificuldade em processar informação, falta de memória, pensamentos distorcidos e até ter dificuldade em perceber o que alguém está a dizer. Isto é névoa mental (em inglês, brain fog) e afetou muitas pessoas especialmente durante a pandemia covid-19. Durante o pico, era um dos sintomas principais e que mais afetava e acompanhava os pacientes mesmo após o tempo de infeção.

Pessoas que padecem desta condição ou que já a experienciaram alguma vez na vida - devido a passar demasiado tempo em frente ao computador, ter níveis elevados de stress e acumular demasiado trabalho - afirmam que é como se uma nuvem estivesse a sobrevoar a cabeça, criando "nevoeiro", o que torna difícil entender ideias e formar pensamentos. Traz também sentimentos de desorientação e confusão, para além de falta de memória – algumas pessoas dão como exemplo o ato de meter algo no fogão, e só se lembrarem passado uma hora, quando sentem o cheiro a queimado. É também possível esquecer atividades que fazem parte da rotina diária, como uma corrida ou uma reunião de trabalho.

Esta falta de memória pode ser perigosa, até em situações mundanas do dia a dia. Usamos o exemplo de ir às compras: este simples ato pode ser algo que para alguém com névoa mental se torna numa complicação, pois implica ter de se lembrar onde estacionou o carro, lembrar-se da lista de compras, mover a atenção entre produtos e preços - até a leitura de ingredientes pode tornar-se confusa ou trazer sentimentos de inquietação.

A longo prazo, esta névoa pode afetar não só a pessoa em si, mas também quem e o que a rodeia: socializar e manter relações pode-se tornar mais complicado. O Indian Express aponta ainda que é possível haver uma mudança na forma como nos vemos a nós mesmos, pessoal e profissionalmente.

A ligação desta condição com a covid-19 é inevitável, com estudos a mostrarem que 20 a 30% das pessoas experienciaram névoa mental nos três meses após infeção. Mas isto não acontece apenas devido ao vírus, estando presente também em vários distúrbios e doenças - em pessoas que estão a recuperar de um traumatismo craniano, síndrome de fatiga crónica, fibromialgia, lúpus, como efeito secundário de quimioterapia e até como sintoma da menopausa.

A melhor maneira de saber se tem esta névoa mental é apontar todos os sintomas durante algumas semanas, bem como qualquer mudança no sono, dieta ou stress. Desta forma pode ser mais fácil conseguir um diagnóstico com um médico e começar a tratar (ou aprender a viver) com os sintomas.

É aconselhado desenvolver estratégias que priorizem o descanso e fazer listas e lembretes (em calendários, telemóveis, cronometrar tempo para tarefas) visuais, pois assim não tem de exercer tanta pressão sobre o cérebro. 

Apesar de não haver uma cura via medicamentos, isso é algo que está a ser desenvolvido. A indústria farmacêutica está a fazer  testes clínicos para a possível utilização de naltrexone – medicação utilizada para vício em álcool e drogas, que já mostrou efeitos positivos quando aplicado no brain fog. Na Irlanda, onde já foi utilizado com doses baixas, os resultados foram satisfatórios.

No entanto, enquanto esta forma de tratamento não chega, é sempre uma boa aposta melhorar o sono e não o negligenciar, tal como a saúde e dieta. 

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Saúde, Educação, Névoa Mental, Brain fog, covid-19
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