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A verdadeira razão para gostarmos tanto de fazer listas

Curiosamente, o nosso cérebro é instantaneamente atraído por artigos que incorporem palavras como "conselhos" ou "razões" no título. Descubra porquê.

Foto: Freepik/Drazen Zigic
12 de outubro de 2022 Ana Filipa Damião

As listas são nossas amigas. Escrever o que precisamos de comprar ou aquilo que precisamos de fazer ao longo do dia, seja no papel ou no telemóvel, pode ajudar-nos a ser mais organizados e a completar as tarefas necessárias. Nos media digitais, o cenário é semelhante. Os "artigos em lista" chamam inevitavelmente a atenção do leitor, são fáceis de processar e compreender pois já contêm a informação organizada, são finitos e diretos ao assunto, e são retidos com pouco esforço. Um exemplo: 5 alertas do corpo de que tem de mudar a sua dieta. "O nosso cérebro anseia por dados adquiridos sem esforço", afirma Maria Konnikova, escritora russo-americana doutorada em psicologia pela Universidade de Columbia, num artigo da publicação The New Yorker, ao contrário do que acontece com um texto cheio de parágrafos. 

Quando o nosso cérebro se depara com informações novas, tenta dar-lhe sentido, perceber se vale a pena focar-se nelas ou passar para o estímulo seguinte. Mas o que é que nos faz parar e tomar realmente atenção às palavras que lemos? A diferença, diz a especialista. "Sempre que sondamos o ambiente à nossa volta à procura de nada em particular, o nosso sistema visual prende-se nas coisas que não encaixam - características que mudam subitamente ou que de alguma forma de destacam do resto". Por exemplo, uma manchete graficamente arrojada  tem mais hipóteses de captar o nosso olhar, explica, e num contexto com várias manchetes, aquelas com números são as mais cativantes. 

Depois, tudo depende do conteúdo em si. Um estudo realizado em 2009 concluiu que os leitores preferiam títulos que fossem criativos, mas pouco informativos, quando "confrontados" com manchetes de vários meios de comunicação ingleses e norte-americanos. Não só acharam que eram mais interessantes, como também afirmaram que estariam mais dispostos a ler o artigo. É exatamente este efeito que as listas têm nas pessoas. São a "nossa forma preferida de receber e organizar informação a um nível subconsciente", segundo Maria Konnikova. Voltamos ao exemplo da lista das compras: é difícil memorizar tudo sem "batotas", mas se anotarmos em pontos torna-se algo fácil. Além disso, o ser humano tem uma tendência geral para categorizar tudo, pois "facilita a compreensão imediata como a recordação posterior". 

Por fim, a escritora esclarece que o nosso cérebro sente-se atraído por listas porque estas aliviam o que os psicólogos denominam de "paradoxo da escolha". Basicamente, quanto mais informação e opções houverem disponíveis, pior nos sentimos, e o contrário também acontece. Em contexto digital, os artigos-lista tornam-se assim uma escolha instantânea. "Quanto mais informação tivermos sobre algo - incluindo precisamente quanto do nosso tempo irá consumir - maior será a probabilidade de nos comprometermos com ela." O processo é uma pescadinha de rabo na boca. "Recordamos com prazer o facto de termos sido capazes de completar a tarefa, neste caso ler o artigo, em vez de a deixarmos por fazer e que a satisfação, por sua vez, nos torna mais propensos a clicar em listas novamente". 

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