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A que horas nos devemos deitar? Os especialistas respondem

Com base num estudo britânico, adormecer muito cedo ou muito tarde pode ter graves consequências na nossa saúde física. Perceba porquê e o que fazer em alternativa.

Foto: Pexels
10 de dezembro de 2021 Ana Filipa Damião

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer. Mas será mesmo? Um grupo de cientistas britânicos investigaram qual era a correlação entre a hora de dormir e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. E de acordo com o seu estudo, publicado no European Heart Journal, quem desenvolvia menos patologias era quem se deitava entre as 22 e as 23 horas.

Para chegar a este resultado, os cientistas da Universidade de Exeter analisaram os dados de saúde de mais de 88 mil britânicos com idades compreendidas entre os 43 e os 79 anos (recrutados em 2006 e 2010). Os participantes tiveram de usar uma pulseira durante sete dias que registava a hora em que adormeciam e acordavam, bem como responder a um inquérito sobre o seu estilo de vida (hábitos de sono, estatuto socioeconómico) e condição física (diabetes, colesterol, etc).

No final, os dados indicavam que dos 88 mil voluntários apenas 3172 (3,6%) tinham desenvolvido uma doença cardiovascular e que a maior incidência estava naqueles que se deitavam mais tarde. Mais precisamente, os números indicavam que quem se deitava à meia-noite ou depois tinha um aumento de 25% de probabilidades de desenvolver problemas de coração no futuro. Porém, também diziam que quem adormecia antes das 22h mantinha uma probabilidade de 24%.

David Plans, autor principal do estudo, explicou em comunicado que tais resultados podem estar relacionados com a disrupção do nosso relógio biológico. "Esta perturbação de comportamento e do ritmo circadiano aumenta a inflamação [no organismo] e pode alterar a regulação de glicose, dois fatores que podem aumentar o risco de doença cardiovascular."  

No geral, ir para a cama tarde não traz benefícios a ninguém, pois é nas primeiras horas da noite que o corpo se regenera. "Durante as fases do sono ligeiro até ao profundo, o corpo entra em recuperação cardiovascular: o pulso e a pressão sanguínea diminuem consideravelmente", afirmou Philippe Beaulieu, especialista em medicina do sono citado pelo site da Madade Figaro. "Se o descanso for insuficiente em qualidade, quantidade, ou ambas, estas funções ficarão inoperantes e, portanto, haverá um maior risco de desenvolver patologias."

O estudo britânico indicou ainda que de todos os participantes, as mulheres foram as mais afetadas. "Pode haver uma diferença entre os sexos na forma como o sistema endócrino reage a uma perturbação do ritmo circadiano", afirmou Plans em comunicado. Ademais, a idade avançada dos sujeitos pode ser outro fator, porque com "com o início da menopausa, as mulheres ficam mais expostas ao risco cardiovascular", explicou Beaulieu, ainda segundo a Madame Figaro.

O conselho do médico é simples: evitar hábitos de descanso extremos, como adormecer às seis da tarde ou às três da manhã, e concentrarmo-nos na altura do levantar, que deve ser marcada "por dois sinais: ativação muscular, como caminhadas, e exposição à luz solar".  

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