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Rabo de cavalo, um inimigo silencioso dos cabelos?

Se todos os dias apanha o cabelo num rabo de cavalo ou num coque, reconsidere: a tensão prolongada danifica os seus fios, podendo mesmo levar a uma maior fragilidade dos mesmos.

08 de maio de 2020 | Vitória Amaral

Durante o período atual de maior isolamento, apanhar o cabelo é a solução mais prática e rápida para evitar que este incomode ao longo do dia. Dando automaticamente um ar mais arranjado, a versatilidade do rabo de cavalo fez deste o penteado de eleição de muitas personalidades, de Ariana Grande a Sade, que o tornaram numa das maiores tendências de sempre da beleza, sem décadas nem estações

Crê-se que a origem do rabo de cavalo venha do nordeste da China, criado antes do século XVII pelo povo Manchu, que deixava crescer o cabelo no topo da cabeça (e geralmente o entrançava também), enquanto a parte da frente era rapada. Há ainda quem remeta este penteado à Grécia Antiga, em que alguns frescos retratam mulheres com rabos de cavalo altos e adornados. Já no século XVIII, este era o penteado obrigatório dos soldados franceses e ingleses (na altura também conhecidos como ‘queue’), considerado um símbolo de masculinidade e sofisticação. Tendo o cabelo bastante comprido, usavam um cabo de cavalo baixo, por vezes entrançado e seguro com uma fita. Mais tarde, já no século XX, o penteado voltou à ribalta nos anos 50 graças à primeira Barbie (com o seu totó arrebitado) e ao filme Brilhantina. Na década de 60 imperou o rabo de cavalo bem alto como o de Brigitte Bardot, epítome do estilo francês da época, vindo a tornar-se símbolo de empoderamento feminino ligado à mulher trabalhadora que precisava de afastar o cabelo da cara.

Embora um pouco esquecido nos anos 70, regressou em força nas décadas seguintes: nos anos 90, Janet Jackson tornou-se conhecida pelo seu rabo de cavalo alto com tranças e uma fita. Na mesma década, embora conhecida pelo seu soutien de cones usado durante a tour Blonde Ambition em 1990, Madonna estreou na mesma altura um rabo de cavalo com extensões platinadas, apesar de o ter mudado a meio da tour por interferir com o seu microfone e pesar demasiado sobre o cabelo.

O grande senão deste penteado? Quando usado todos os dias, o rabo de cavalo pode enfraquecer o cabelo. Embora não seja um efeito imediato, é provável que tenha sérias consequências para o crescimento capilar, especialmente nas áreas em que o cabelo está mais esticado, como é o caso da zona da testa ou das têmporas. Qualquer penteado demasiado apertado, especialmente se mantido ou repetido com frequência, pode predispor o cabelo à alopecia por tração. A própria Ariana Grande reconheceu publicamente que o penteado afetou seriamente o seu cabelo e couro cabeludo, levando-a a recorrer a tratamentos e a deixar o cabelo solto durante algum tempo.

Este tipo de alopecia danifica o folículo piloso, onde o cabelo nasce e se instala. Como consequência desse ângulo não natural, os cabelos tendem a enfraquecer e quebrar, causando a sua queda. À primeira vista geralmente consegue identificar a área onde o cabelo está em falta. Isto acontece não só devido ao rabo de cavalo, mas também a penteados que puxem demasiado o cabelo, como pode ser o caso de tranças boxer, coques de bailarina, tranças afro ou até extensões. Numa entrevista ao jornal El País, o dermatologista Alejando Martín Gorgojo garantiu que ninguém está livre deste tipo de alopecia parcial: "A predisposição genética ou o estado de saúde não influenciam. É suficiente que estas condições de extrema tensão ocorram ou que forcem o cabelo a suportar demasiado peso".

O primeiro sinal de alarme tende a surgir nos cabelos à volta do rosto, onde poderá reparar numa escassez de cabelos em áreas onde anteriormente os teria, formando as chamadas "entradas" ou como se tivesse rapado a área frontal. O seu cabeleireiro ou dermatologista de confiança poderão aconselhá-la nesta situação e receitar-lhe o tratamento mais indicado. Este tipo de calvície é reversível, desde que evite o que a está a causar, claro. Na maioria das vezes, basta recorrer a máscaras ou soros nutritivos para revitalizar o cabelo. Se as causas não forem evitadas ou tentar deixar o cabelo recuperar por si, é possível que venha a ter alopecia cicatricial (em casos de lesão maior pode deixar uma cicatriz irreversível no couro cabeludo, impedindo o crescimento de quaisquer cabelos).

Uma maneira fácil de perceber se o seu cabelo está sob este tipo de stress é olhando para o espelho. Se este fica mais achatado do que o normal nas raízes sem a ajuda de qualquer produto ou escova, mesmo que pareça ideal, pode ser um sinal de que o seu cabelo está sob muito stress. Assim sendo, tente alternar entre tranças, um rabo de cavalo mais solto, opte por molas ou elásticos de tecido e em alguns dias tente resistir à tentação de apanhar o cabelo para conseguir relaxar o couro cabeludo. Se usa perucas ou extensões, considere também fazer pausas, massajando regularmente o couro cabeludo com óleo de ricínio ou de coco, para ajudar a reativar o fluxo sanguíneo e apaziguar ambos cabelo e pele.

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