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Sofia Aparício, Débora Monteiro e Joana Solnado relatam situações de assédio

As atrizes uniram-se para contar as suas histórias de assédio sexual. Se elas têm, todas temos. Em entrevista ao Expresso, falam do medo, da ausência de denúncias e do terror e tormenta que viveram.

Foto: @_deboramonteiro_
14 de maio de 2021 | Rita Silva Avelar
São seis nomes da Televisão e da Cultura nacionais, mas certamente serão muitos mais. Sofia Correia, Débora Monteiro, Sofia Aparício, Joana Seixas, Cláudia Lucas Chéu e Joana Soldado contam ao Expresso como viveram momentos angustiantes de assédio e como reagiram ou não, conforme os casos. São das primeiras a denunciar casos de assédio no trabalho e não só, numa altura em que o #MeToo parece finalmente estar a chegar ao país. 

Sofia Aparício desabafa que resolveu as tentativas de assédio por que passou à estalada, mas que se fosse hoje teria denunciado. "Houve uma altura em que odiava andar de metro, porque era muito assediada. Aconteceu por diversas vezes, na hora de ponta, alguns homens apalparem-me até ao infinito. Sempre que apanhava o metro à hora de ponta sabia que seria apalpada. Na altura tinha 13 anos e não sabia lidar e sentia-me suja e culpada." Sofia Correia, também atriz, conta que com essa idade viveu também a primeira situação de assédio. Mais tarde, "outra situação de assédio numa rádio nacional que envolveu o meu diretor de estágio, que era casado."

Débora Monteiro também falou abertamente sobre várias situações pelas quais passou, nomeadamente numa sessão fotográfica. "Recordo-me que numa sessão fotográfica um fotógrafo tentou agarrar-me demais, beijar-me na boca, sem eu dar espaço e autorização para isso. Disse-lhe que não. Fiquei com medo. Foi constrangedor."

Joana Solnado aponta o medo que há, ainda, em denunciar nomes. "
Há várias razões para ainda não terem avançado nomes. Há muito medo. E não penso que seja medo de represálias. Há um medo da ridicularização e o medo também das pessoas faladas e acusadas responderem de volta e a resposta como é uma defesa ainda ser acusatória (e humilhante) em relação à vítima" afirma.

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A única mulher a apontar um nome da esfera cultural foi Joana Emídio, que denunciou um caso de alegado assédio de Manuel Alberto Carvalho, editor. Sofia Arruda foi quem abriu a discussão, ao revelar no programa Alta Definição a situação de assédio sexual e ameaça que viveu quando trabalhava na TVI, canal do qual foi afastada por ter sido chantageada por um homem num cargo de poder. Também Cláudia Lucas Chéu contou à Máxima a situação de assédio que viveu no Yeatro, quando era uma jovem atriz. Catarina Furtado tem sido das mulheres que mais tem debatido o tema nas redes sociais e na televisão: também ela viveu pelo menos duas situações de assédio com nomes diferentes em cargos de poder.
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