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Quase um em cada cinco franceses dizem entender os pais que recusam os filhos LGBTQIA+

Foi a 17 de maio de 2005 que se comemorou pela primeira vez o Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia, com o principal objetivo de consciencializar as pessoas do respeito essencial pelos direitos da comunidade LGBTQIA+. Dezoito anos depois, isso ainda não acontece.

Foto: Freepik
17 de maio de 2023 às 18:10 Vanda Carreto / Com Rita Silva Avelar

Apesar dos progressos feitos ao longo dos anos, existem ainda muitos jovens da comunidade LGBTQIA+ que são rejeitados pelas suas famílias e que chegam até mesmo a ser abandonados, indica um inquérito realizado pela BVA Opinion para as associações francesas Le Refuge e SOS Homophobie, publicado recentemente no jornal Le Parisien na véspera do Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia, assinalado a 17 de maio.

Segundo o jornal Público, foi no passado domingo que vários jogadores do Toulouse FC, em França, se recusaram a ter o seu nome associado à campanha contra a homofobia promovida pela liga de futebol. Alguns destes jogadores usaram as redes sociais para se expressarem sobre o sucedido, como foi o caso do defesa Zakaria Aboukhlal, que acabou por explicar que não se considerava a melhor pessoa para participar na iniciativa dadas as suas crenças.

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E se, por um lado, há quem tenha argumentado que a campanha não era necessária, a sondagem acima referida mostra exatamente o contrário: uma discriminação contra os membros LGBTQIA+ significativa no país em questão, até mesmo dentro do seio familiar.

O Rapport Sur Les LGBTphobies 2023, publicado pelo SOS Homophobie, reporta 1506 depoimentos recebidos no ano passado, dos quais 1195 foram "lgbtfóbicos" e aconteceram em França. Mais, o relatório indica uma rejeição das pessoas desta comunidade de 68% por parte dos outros, muitas vezes acompanhada por insultos (40%), ataques físicos (15%) e ameaças (15%). Além disso, as queixas para denunciar atos homofóbicos ou transfóbicos aumentaram mais de 30% em 2022 em Paris e nos subúrbios, com quase 600 denúncias apresentadas.

É nas redes sociais onde se regista o maior número de ataques, cerca de 17%, segundo dados do ano passado. Em segundo lugar temos o seio familiar (15%), seguido das categorias "lojas e serviços" (13%), "áreas públicas" (12%) e "zonas residenciais" (9%).

2023-05-17_14_08_22 Depoimentos recebidos em 2022..png Foto: SOS Homophobie

No mesmo relatório, destaca-se a discriminação sofrida por pessoas transexuais. No ano passado, a associação registou um aumento de 35% em relação a 2020 e de 27% em relação a 2021. O número de pessoas transexuais e não binárias que entram em contacto com a associação também tem aumentado: em 2021 eram 13% e em 2022 a percentagem subiu para 18%. É nas zonas comerciais que a transfobia é mais expressada, segundo os 227 casos reportados à associação no mesmo ano, seguindo-se os insultos online, por parte de familiares e em ambiente escolar.

O inquérito do BVA Opinion chegou à conclusão de que 61% dos franceses recusam aceitar um filho que faça parte da comunidade LGBTQIA+ e que 85% recusam qualquer contacto com o mesmo, chegando mesmo, por vezes, a ter comportamentos agressivos. A informação indica ainda a discriminação realizada por parentes de uma pessoa LGBTQIA+ continua a ser uma realidade aceite por quase um em cada cinco franceses. Entre os questionados, 17% afirmaram que entendiam os pais que não aceitam que o filho seja LGBTQIA+ e 13% entendem os pais que recusam um amigo ou companheiro do filho que o seja. Dados que nos mostram haver ainda um longo caminho a percorrer.

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