Pediatra Hugo Rodrigues responde. Em que ponto levar um bebé doente ao médico?

No inverno as temperaturas são mais baixas e, por esse motivo, é normal que existam mais vírus em circulação. Assim, a probabilidade de os bebés e crianças contactarem com esses vírus é maior e é por isso que ficam mais doentes nesta altura do ano.

Foto: Pexels
01 de março de 2024 às 07:00 Hugo Rodrigues

Como é lógico, sempre que uma mãe ou um pai têm um filho doente, o seu coração dispara. É normal que fiquem preocupados e que o primeiro impulso seja procurar ajuda médica, mas, muitas vezes, essa atitude pode não ser a mais adequada, principalmente por dois fatores principais:

  1. O risco de ir a uma unidade de saúde e contactar com outros vírus é grande, pelo que podem facilmente desenvolver outra infeção diferente da que as levou lá.
  2. As observações médicas são, muitas vezes, uma fonte de ansiedade para as crianças (particularmente as mais pequenas), pelo que devem ser reservadas para as situações verdadeiramente necessárias.

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Posto isto, importa perceber quais são os sinais de alarme que, numa situação de doença, devem motivar uma consulta médica de urgência e os principais são os seguintes:

Idade inferior a três meses

O período mais crítico na vida de qualquer ser humano é o primeiro mês. No entanto, até aos três meses de idade é ainda uma altura muito sensível, dada a imaturidade do sistema imunitário, ou seja, a menor capacidade de defesa contra microorganismos potencialmente nocivos. Isto acarreta um risco mais elevado de infeções graves, pelo que se trata de um período que necessita de algum cuidado especial

Mau estado geral do bebé/criança

O estado geral é sempre o melhor indicador a ter em atenção. Deve ser avaliado quando o bebé/criança está sem febre e ajuda a perceber a gravidade da situação. Habitualmente, nas infeções virais o estado geral é bom, o que permite poder aguardar até haver uma observação médica.

Dificuldade respiratória

Sempre que um bebé/criança está com uma respiração acelerada e com sinais de dificuldade respiratória (a pele acima, entre ou abaixo das costelas a movimentar-se "para dentro e para fora" com o esforço respiratório), é sinal de que necessita de ser observado.

Vómitos persistentes

Os vómitos persistentes acarretam um risco significativo de desidratação, pelas perdas acrescidas e pela dificuldade em compensar essas perdas por via oral, pelo que constituem um sinal de alarme.

Presença de sinais de desidratação

A desidratação é uma situação de risco e pode manifestar-se através da língua seca, do choro sem lágrimas ou do facto do bebé/criança não urinar há mais de 8 horas.

Alteração do estado de consciência

Qualquer alteração no estado de consciência é um sinal de gravidade e sinónimo da necessidade de observação médica.

Dores que acordam a criança durante a noite

Sempre que uma criança se queixa de dores (cabeça, barriga, peito, …) e essas dores a acordam durante a noite, a probabilidade de ter uma causa orgânica é maior e deve ser avaliada por esse motivo.

Duração das queixas

Neste ponto, gostaria de realçar a febre com mais de 3-4 dias de duração e a tosse com mais de 3 semanas de duração, sem noção de melhoria. Em ambos os casos justifica-se uma observação médica para esclarecer a situação.

Uma vez que a maior parte das infeções em idade pediátrica são provocadas por vírus e que estas se manifestam através de quadros auto-limitados (ou seja, passam naturalmente por si, sem necessidade de nenhum tratamento em particular), na maioria dos casos estes sinais de alarme não estão presentes. E, quando isso acontece, os pais têm sempre mais tempo para aguardar e avaliar com mais tranquilidade a situação, sabendo que, na maioria dos casos, a situação se vai resolver espontaneamente. Caso isso não aconteça ou surja algum sinal de alarme, o bebé/criança deve ser observado para esclarecimento e avaliação do quadro.

*Se tiver questões, partilhe connosco e faremos com quem cheguem ao pediatra Hugo Rodrigues, via redaccao@maxima.pt.

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