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Feminismo: para os rapazes da geração Z, o que é demais enjoa

Um alarmante estudo recente da King's College London avisa que os jovens do género masculino e feminino da Geração Z têm opiniões opostas sobre o feminismo, o que poderá causar uma fratura. Dos rapazes entre os 16 e os 29, 16% diz que o feminismo fez mais mal do que bem à sociedade.

Andrew Tate.
Andrew Tate. Foto: Getty Images
07 de fevereiro de 2024 Madalena Haderer

A vida é como o alcatruz: umas vezes corre para cima e vem cheio, outras vezes faz o percurso inverso e vai vazio. Para quem não está familiarizado com o funcionamento das noras, isto quer apenas dizer que a vida está em constante movimento, como um pêndulo. Mesmo quando parece ter-se conquistado uma coisa boa, é frequente chegar-se à conclusão que a melhoria trouxe consequências imprevisíveis. Ou vem a próxima geração e diz que antigamente é que era bom. Tudo isto para dizer que os rapazes nascidos entre 1997 e 2012 estão cada vez mais convencidos que isso do feminismo não foi lá grande ideia, num verdadeiro exemplo figurativo de alcatruzes vazios a correr para baixo.

De acordo com um estudo recente do King's College London, na faixa etária entre os 16 e os 29 anos, as raparigas têm uma perceção muito mais positiva do feminismo do que os rapazes, o que, apontam os investigadores, poderá levar a uma fratura entre os jovens do género masculino e feminino da Geração Z. O estudo questionou 3716 britânicos sobre diversos temos relacionados com o feminismo, identidade de género e até sobre Andrew Tate – o influencer, ex-kickboxer e ex-concorrente do Big Brother que está acusado de crimes de violação, tráfico humano e de pertencer a uma rede de crime organizado para explorar sexualmente mulheres, e que está, neste momento, impedido de sair da Roménia, onde será julgado.

Das quase 4000 pessoas que participaram do inquérito, quase metade (48%) acredita que é mais difícil ser mulher do que homem hoje em dia, enquanto uma em cada sete (14%) afirma o contrário. A maior diferença de opiniões é observada na geração mais jovem: mulheres entre os 16 e os 29 anos têm uma probabilidade especialmente alta de dizer que é mais difícil ser mulher, com 68% a ter esse sentimento, em comparação com 35% dos homens da mesma faixa etária. Consequentemente, este grupo etário tem também opiniões díspares sobre o feminismo: 46% das mulheres acredita que o feminismo fez mais bem à sociedade do que mal – 10 pontos percentuais a mais do que a proporção de homens jovens que pensam da mesma forma (36%). E um em cada seis (16%) homens diz que o feminismo fez mais mal do que bem, em comparação com uma em cada onze (9%) mulheres.

Sobre Andrew Tate, e embora todos os grupos etários tenham, sobre ele, uma visão mais negativa do que positiva, os homens jovens destacam-se como os mais propensos a aprová-lo, bem como às suas declarações: um em cada cinco (21%) dos homens com idades entre 16 e 29 anos, que ouviram falar de Andrew Tate, dizem ter uma opinião favorável sobre ele – três vezes mais do que a proporção de mulheres no mesmo grupo etário (7%) e homens com idades entre 30 e 59 anos (7%) que afirmam o mesmo, e muito maior do que a proporção de homens com 60 anos ou mais (2%). A boa notícia é que a maioria (61%) dos homens jovens ainda têm uma opinião desfavorável em relação a Tate.

Interessa, talvez, recordar que, de acordo com um apanhado do jornal britânico The Guardian, na sua conta de TikTok, Andrew Tate disse, por exemplo, que as mulheres "não sabem conduzir", "a casa é o lugar indicado para elas", são "propriedade do homem". Acrescenta que só se relaciona com mulheres de 18 ou 19 anos porque assim pode "moldá-las" e que as vítimas de violação devem "assumir a responsabilidade" pelos ataques de que são alvo, numa presumível referência à famosa "teoria da mini-saia".

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Atualidade, Educação, Feminismo, Igualdade de Género, Gen Z, Andrew Tate
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