Celebridades

A verdade não contada sobre a saída de Meghan e Harry da realeza

A biografia Finding Freedom revela as razões que levaram a que a saída dos Duques de Sussex tenha corrido tão mal. E a culpa não foi exclusivamente de Harry e Meghan.

Foto: Getty Images
13 de agosto de 2020 | Rita Silva Avelar

A biografia do príncipe Harry e Meghan Markle escrita por Carolyn Durrand e Omid Scobie e publicada pela Harper Collins, deixa à descoberta, entre outras coisas, o ambiente que se vivia nos bastidores da realeza britânica antes de Harry e Meghan decidirem abandonar os seus cargos reais. E o que aconteceu durante o impasse entre a decisão de abandonarem a releza, o comunicado interno, e a fuga de informação.

De acordo com os autores, a situação era ainda mais caótica do que parecia a partir do exterior. Antes de o casal tomar a sua decisão de partir, já tinham feito ligações a algumas das pessoas que viriam a ser a sua "equipa" fora da realeza. Segundo revela um artigo da Vanity Fair sobre esta biografia, no verão de 2019 Meghan reuniu-se com Keleigh Thomas Morgan, a relações públicas da agência Sunshine Sachs com quem Meghan costumava trabalhar quando era atriz. Foi esta mulher que continuou a ajudar Meghan na sua promção, e foi ela que fez a ponte para que Meghan fosse uma das convidadas a editar uma edição especial da Vogue britânica, de setembro de 2019, durante a sua licença de maternidade. E também foi ela quem ajudou Harry a pensar a iniciativa sobre viagens sustentáveis, a Travalyst, de acordo com Finding Freedom. Keleigh Morgan continuou a ajudar o casal "de longe" durante os meses seguintes e juntou-se oficialmente à sua "equipa" após a saída real.

Mas a biografia conta sobretudo os acontecimentos que antecederam aquilo que os britânicos chama de Megxit (um trocadilho com o Brexit). Depois da viagem que fizeram por África do Sul, em outubro do ano passado, Meghan e Harry anunciaram que iriam agir judicialmente contra um jornal britânico, e também que iriam tirar uma licença sabática dos seus deveres reais através das férias, ficando várias semanas numa mansão à beira-mar na ilha de Vancouver. Aparentemente, foi nessa altura que tomaram a sua decisão definitiva de deixar as suas funções como membros superiores da realeza e desistir do financiamento público, de acordo com os autores do livro.

Embora Meghan e Harry tivessem mencionado planos de se mudarem para o estrangeiro no passado, nos dias anteriores ao Natal de 2019 o casal enviou um e-mail ao Príncipe Carlos e à Rainha Isabel, explicando a sua decisão de deixar o Reino Unido e solicitando uma reunião presencial. O e-mail era aparentemente vago quanto aos detalhes, no caso de poder existir uma fuga de informação.

Segundo os autores, é aqui que tudo começa a desmoronar-se. Primeiro, um dos ajudantes de Carlos insistiu que o casal só se poderia encontrar com a Rainha a 29 de janeiro, muito depois do seu regresso planeado ao Reino Unido no início de do mês. "Ele sentiu-se bloqueado", disse uma fonte próxima de Harry a Scobie e Durand. Depois, alguém que leu o e-mail divulgou a informação a um repórter de um jornal britânico, que começou a fazer perguntas sobre a decisão de Meghan e Harry. Uma fonte real disse aos autores de Finding Freedom que eles próprios esperavam que os Duques de Sussex divulgassem a carta, a fim de pressionar o palácio a avançar mais depressa. Depois disto, o Palácio de Buckingham começou a redigir uma declaração sobre a sua decisão, e Meghan e Harry tiveram a oportunidade de ver apenas um rascunho.

O que aconteceu a seguir é do conhecimento geral: Harry e Meghan tiveram um compromisso oficial na Canada House no dia 7 de janeiro, no mesmo dia em que o diário The Sun publicou uma história sobre o plano de se mudarem permanentemente para o Canadá. No dia seguinte, os Duques anunciaram a decisão no Instagram. Mais tarde, nesse mesmo dia, Meghan embarcou num voo para o Canadá, onde o casal tinha deixado o filho Archie com uma ama.

Depois disto, e como adianta a Vanity Fair sobre as revelações do livro, o palácio prontificou-se a apresentar um plano de como Meghan e Harry deixariam gradulamente as suas funções oficiais. De acordo com Finding Freedom, os assistentes do palácio tinham inicialmente planeado que o casal passasse mais tempo no estrangeiro, mas as preocupações financeiras e uma mudança no estatuto oficial tornou os preparativos mais complicados. "Foi uma enorme dor de cabeça", disse uma fonte do palácio a Scobie e Durand.

A 13 de janeiro, Harry encontrou-se presencialmente com Charles e a Rainha em Sandringham, tendo as restrições de horário da Rainha aparentemente sido postas de lado. A maior parte do que aconteceu a seguir - o acordo de Meghan e Harry em desistir dos seus títulos reais e as preocupações sobre os custos de segurança que até inspiraram um tweet de Donald Trump - é público.

Apesar de nas redes sociais e nos tabloides britânicos as manchetes serem acusatórias para Meghan, como sendo ela quem fez pressão para o casal se afastar da realeza, os autores revelam que a motivação para esta drástica mudança veio de Harry. "Essencialmente, era o Harry que queria sair", disse uma fonte aos jornalistas. "No fundo, ele estava sempre a lutar dentro daquele mundo. Ela abriu-lhe a porta para isso".

Quanto a Meghan, a ex-atriz parece não estar contente com a forma como as coisas correram. "Abri mão de toda a minha vida por esta família. Estava disposta a fazer o que fosse preciso. Mas aqui estamos nós. É muito triste", disse Meghan a um amigo em março, de acordo com Finding Freedom

Segundo a Harper’s Bazaar, a biografia Finding Freedom: Harry, Meghan, and the Making of a Modern Royal Family  revela também detalhes sobre a relação de Meghan Markle com Kate Middleton, que a imprensa britânica muitas vezes apontava como sendo cordial e distante. Para Scobie e Durand, "a relação das duas duquesas tinha lutado para ultrapassar a delicadeza distante de quando se conheceram pela primeira vez. A sua relação era aparentemente cordial mas distante quando a dupla apareceu ao lado uma da outra no evento King Power Royal Charity Polo Day no verão anterior". Algo que não passou ao lado da imprensa britânica, que captou imagens da Duquesa de Sussex e o bebé Archie aparentemente bastante separados da Duquesa de Cambridge e dos seus filhos, o Príncipe George, a Princesa Charlotte, e o Príncipe Louis.

Nessa altura, muitos "peritos" da realeza disseram que qualquer distância entre Kate e Meghan era apenas um indicativo de uma questão maior no seio da família real, e não de uma relação entre as duas mulheres. Mais tarde, na cerimónia da Commonwealth, o desconforto entre os casais era evidente.

Os autores também revelam detalhes de como Harry e Meghan se conheceram, em julho de 2016. De acordo com o livro, Meghan estava "recentemente solteira", após um relacionamento de dois anos, e brincou com um amigo ao dizer que esperava encontrar "um simpático cavalheiro inglês para namoriscar" durante uma viagem a Londres. Ao que parece, o seu sonho tornou-se realidade: o casal conheceu-se num encontro às cegas na Soho House's Dean Street Townhouse.

Como a biografia Finding Freedom revela, durante o primeiro encontro Harry bebeu cerveja e Meghan bebeu martinis, com uma fonte a descrever o par como estando "no seu próprio pequeno mundo." Aparentemente, esse primeiro encontro durou cerca de três horas. "Apesar da atração evidente entre eles, não houve nenhum beijo de despedida, nenhuma expectativa, apenas uma sensação de que algo estava lá e eles esperavam ver-se novamente em breve" explicam os autores, ainda à Harper’s Bazaar.

Meghan e Harry decidiram encontrar-se de novo na noite seguinte. Quase imediatamente ficaram obcecados um com o outro... Era como se Harry estivesse em transe", terá dito um amigo do casal aos autores, afirmando também que foi "amor à primeira vista". Meghan, por sua vez, ligou a uma amiga. "Pareço louca quando digo que isto pode ter um futuro?" terá perguntado.

Segundo esta revista americana, a partir daí, a ligação entre o casal intensificou-se. No terceiro encontro, Meghan apanhou um táxi para o Palácio Kensington. Seis semanas depois, Harry levou Meghan para o Botswana, aquelas que hoje são conhecidas como as suas primeiras férias românticas. O livro entra em detalhes: "Ficaram durante a maior parte da viagem numa das tendas de luxo de $1,957 por noite" e, de acordo com uma fonte, "[Meghan] regressou sorridente e completamente enfeitiçada".

A ligação entre o casal tornou-se mais forte durante a sua viagem e, segundo outra fonte, "Meghan disse que ela e Harry falaram muito sobre coisas que raramente partilhavam com alguém". Segundo um amigo, a duquesa revelou: "Nunca me senti tão segura... tão próxima de alguém em tão curto espaço de tempo". A partir dai, o príncipe Harry começou a visitar secretamente Meghan em Toronto, onde estava a filmar Suits. O resto da história já se conhece, levando à decisão oficial de Meghan e Harry saírem da realeza britânica. As suas verdadeiras razões continuam uma incógnita mas parecem estar prestes a ser reveladas nesta biografia.

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