Talvez se aperceba que está na altura de comprar tampões ou de desinfetar o copo menstrual porque as pessoas à sua volta tentam evitá-la ou estremecem à sua passagem. Ou talvez dê por si a gritar e a irritar-se quando, regra geral, é uma pessoa bastante calma. Ou, o pior dos cenários, talvez sinta necessidade de dormir com um soutien de desporto que mantenha tudo bem protegido porque tem tamanha sensibilidade mamária que até uma aragem mais forte a faz enrolar em posição fetal. Se se revê nesta descrição, o mais provável é que sofra de síndrome pré-menstrual o que, em princípio, nem deverá constituir grande novidade. Afinal, quando a maleita é cíclica, é fácil fazer a ligação entre uma coisa e outra. O que talvez não saiba é que há um suplemento que pode ajudar muito – com estudos e ensaios clínicos que o comprovam.
Para que não restem dúvidas, o site da MSD Manuals – uma plataforma médica de referência da responsabilidade da farmacêutica Merck Sharp & Dohme – explica que “a síndrome pré-menstrual é um transtorno recorrente que ocorre durante a fase lútea do ciclo menstrual, caracterizado por irritabilidade, ansiedade, instabilidade emocional, depressão, edema, mastalgia e cefaleia, que ocorre durante os cinco dias antes e geralmente termina poucas horas após o início da menstruação”. Já o site da CUF acrescenta o seguinte: “Enquanto algumas mulheres não têm sintomas ou apenas sintomatologia leve, para outras a síndrome de tensão pré-menstrual pode ser severa e interferir com as actividades do dia a dia. Este problema pode agravar-se com a chegada dos 40 anos e quando a mulher se aproxima da menopausa (perimenopausa).” Ainda de acordo com a CUF, a síndrome pré-menstrual “afeta de alguma forma cerca de três em cada quatro mulheres que menstruam, e a maioria das mulheres tem, pelo menos, um sintoma de síndrome de tensão pré-menstrual por mês”.
Há uns anos, padecendo ciclicamente de mastalgia e cefaleias, esta jornalista da Máxima chegou à conclusão que faz parte deste grupo de três em cada quatro mulheres. Ávida consumidora de suplementos, chás e unguentos, vasculhei a internet em busca de soluções e descobri que o óleo de onagra (também conhecida como prímula) e o óleo de borragem – duas florinhas silvestres ricas em ácido gama-linolénico (GLA), um ácido gordo ómega 6 com propriedades anti-inflamatórias – são usados há décadas para gerir e minorar os sintomas da síndrome pré-menstrual e da perimenopausa. Além disso, há suplementos que juntam onagra e borragem, pelo que não há necessidade de tomar punhados de comprimidos.
Certo é que, a par dos relatos de quem toma estes suplementos, alguns estudos têm vindo a demonstrar que, no que toca ao óleo de onagra, algumas mulheres relatam menos irritabilidade, sensibilidade mamária, inchaço e alterações de humor. E que, na fase da perimenopausa, pode ajudar ligeiramente com afrontamentos e secura vaginal. Já a propósito do óleo de borragem – que contém mais GLA do que a onagra (até 20–25% vs. 8–10%) –, quem toma tende a sentir melhorias na irritabilidade, inchaço e sensibilidade mamária, bem como alívio ligeiro dos sintomas da perimenopausa. De referir, porém, que a suplementação demora entre dois a três meses a fazer efeito.
Um estudo placebo-controlado com 80 mulheres, publicado em Agosto de 2019 no Journal of Menopausal Medicine – uma publicação médica dedicada à menopausa –, mostrou que a administração diária de 1,5 gramas de óleo de onagra durante três meses reduziu significativamente a gravidade dos sintomas da síndrome pré-menstrual comparando com o placebo.
Já no que concerne ao óleo de borragem, uma investigação publicada na Revista Brasileira de Medicina, em 2014, estudou 180 mulheres diagnosticadas com síndrome pré-menstrual e que tomaram cápsulas de óleo de borragem (900 mg por dia). A avaliação permitiu identificar reduções estatisticamente significativas nos sintomas físicos e emocionais ao longo de três ciclos menstruais, com boa tolerabilidade.
A título individual, posso dizer que fui feliz durante vários anos com o meu suplemento de onagra e borragem, sem ter qualquer sintoma a relatar. Um dia o frasco acabou, fui-me lembrando e esquecendo de comprar, até que um dia me esqueci por completo. Vivi muito bem até há uns meses, quando a síndrome pré-menstrual regressou munida de tensão mamária, dores de cabeça, sensação de peso e inchaço na barriga, falta de paciência, ataques de raiva e fúrias homicidas. Por sorte, durante uma sessão de arrumações, encontrei um frasco vazio no fundo de uma gaveta e foi então que percebi que já tinha tido melhores dias. Voltei a tomar e os sintomas foram melhorando e desapareceram por completo ao fim de dois meses.