O nosso website armazena cookies no seu equipamento que são utilizados para assegurar funcionalidades que lhe permitem uma melhor experiência de navegação e utilização. Ao prosseguir com a navegação está a consentir a sua utilização. Para saber mais sobre cookies ou para os desativar consulte a Politica de Cookies Medialivre

Máxima

Beleza / Tendências

Pus botox aos 50 anos. Tarde demais ou na altura certa?

Resolvi tirar teimas e alimentar a insaciável curiosidade de jornalista e fui, à hora do almoço, experimentar botox pela primeira vez. Adorei.

Babygirl (2024)
Babygirl (2024) Foto: IMDb
22 de janeiro de 2026 às 14:28 Patrícia Barnabé

A jovem médica Cláudia Perdigão Soares não é, afinal, “tão jovem”, diz-nos num sorriso luminoso e acolhedor. Não lhe dávamos mais do que 25, mas já atravessa os 30. Para quem nasceu no ano da revolução de abril, como foi o meu caso, e viu um país inteiro desabrochar e para quem foi editora de beleza no fim dos anos 90, quando ainda existiam especialistas de fundo e revistas femininas, já nada espanta. Lembro-me de ficar perplexa, há uns anos, quando a Lana del Rey aumentou os lábios ainda antes de chegar aos 30. Perguntava-me: busca da juventude eterna aos 20, o que fará aos 50?

Nesta nova era ditada pelo perfeccionismo, dos filtros e das redes sociais, nascida do sucesso das Kardashians, famosas por serem famosas, já estamos por tudo. A geração X foge a sete pés da vulgaridade, crescemos com a ideia de que a inteligência dispensa a evidência da auto-estima. Mas a minha defesa feroz da liberdade e o olho de observadora social, esperam sempre para ver. E conversaram calmamente com a recusa do artificialismo - quis experimentar. Na verdade, o “cada um sabe de si” destes tempos individualistas já não tolera julgamento ou preconceito - essa é talvez a sua melhor qualidade.

À entrada, preencho um histórico de saúde – cirurgias, medicamentos, alergias, saúde hormonal – e o natural consentimento e privacidade de dados, enquanto bebo um chá de gengibre e erva príncipe. O mundo da estética deu um salto exponencial e a editora de beleza dentro de mim saltita em alerta e excitação. E entro no gabinete da jovem médica, a , na clínica Avenue, que fica mesmo ao lado da Louis Vuitton na Avenida da Liberdade. Ela faz um scan e inventaria as minhas expressões com olhar de rapina enquanto faço perguntas. “Ainda persiste um medo em fazer procedimentos estéticos, as pessoas ainda se lembram dos anos 90, de Hollywood, víamos as caras todas puxadas, com as sobrancelhas lá em cima, lembra-se?”. Claro, pareciam ventríloquos produzidos numa mesma linha de montagem, assustadoramente iguais. Agora, sublinha, valoriza-se “um aspecto natural e mantém-se o movimento, não é para ficar com a cara congelada”, sorri.

A Dra Cláudia está na Avenue Clinic desde fevereiro de 2025. Estudou Medicina na Universidade Nova de Lisboa, especializou-se em Medicina geral e familiar e fez a pós-graduação em Medicina Estética na Universidade de Alcalá. “Apaixonei-me. Desde pequenina que dizia aos meus pais que queria ser médica e pintora, gosto muito das ciências, mas também gosto muito das artes, isto é o conjunto dos dois. Gosto de olhar para uma pessoa e começar a imaginar e a desenhar a estética e a beleza.”

Não é preciso preparar-se particularmente, é só aparecer na consulta “e nós fazemos a avaliação, de acordo com o estilo de vida que tem, e vamos melhorá-la, no seu conjunto”, explica. Convém apenas não tomar anti-inflamatórios “já que estes tornam o sangue mais fluído e podem aumentar o risco de um pequeno hematoma”. Na verdade, isto raramente acontece, pode-se fazer botox e voltar para o escritório, porque não há qualquer alteração na pele. “As clientes até vêm com o portátil e trabalham na sala de espera enquanto esperam pela consulta, a vida não pára.”

Quando é a primeira vez, explica, faz sempre perguntas extra-inquérito preliminar para perceber o historial de doenças, a toma de medicação, as alergias e o motivo da consulta. “A avaliação faz-se sempre de cima para baixo”, explica. No meu caso, aconselhou botox “no terço superior da face e na região frontal, a zona da glabela [entre as sobrancelhas] a que chamamos as 'rugas do zangado'”. De facto, desde pequena que franzo demasiado a testa, lembro-me de alguns professores perguntarem-me, inusitadamente, se tinha dúvidas. Claro que é do sol português, fatal para olhos claros, mas também são as injustiças deste mundo. “E a região peri-ocular, que são os pés de galinha”, continua. “Com os movimentos repetidos que fazemos ao longo da vida, aliados à perda de colagénio, devido à idade ou a fatores externos como a exposição solar, a poluição e a alimentação, vamos criando rugas. O botox é uma toxina e vai relaxar o músculo, deixa de haver este movimento de enrugamento da pele. Vai notar que vai ficar com a pele mais lisa, com um brilho bonito e saudável, as rugas mais apagadas, um ar mais leve e mais descansado.” Foi mesmo o que aconteceu.

A consulta inclui uma avaliação completa de todos os tratamentos complementares que poderiam ser aplicados a cada caso. Seja a flacidez da pele, que começa aos 20, 30 anos, e a perda do contorno do rosto, para o qual aconselha o Ultraformer MPT, “aparelho de ultra-som, micro-focado, que envia energia e calor a várias camadas da pele e estimula os fibroblastos que começam a produzir mais colagénio, outra vez”. Há um boost de produção de colagénio diário e o resultado, assegura, aparece ao fim de três, quatro meses. Também aconselha os bioestimuladores, que são tratamentos injetáveis de produtos, existem vários tipos, e que também estimulam as fibras que sustêm a pele. À semelhança do anterior, os resultados só aparecem depois. Há quem fique com os lábios mais finos, também, e pode devolver-se um certo volume. “Tudo depende do produto, da quantidade e da técnica e conseguem-se resultados super naturais.”

Todos estes procedimentos podem ser feitos independentes ou combinados, mas “eu diria para serem verificados ao fim de três ou quatro meses, porque têm um efeito tensor e há um reposicionamento da pele”. E dependendo, de pessoa para pessoa, pode completar-se com um preenchimento de ácido hialurónico, diz, que dá volume: “Com o processo da idade, também há perda e absorção de osso, e perda de gordura, por isso é que a sua sustentação se vai perdendo, a pele vai descaindo e altera-se o contorno da face. O ácido hialurónico dá estrutura.” Estes devem ser os passos “trabalhar primeiro a pele e depois dar-lhe estrutura, se fizermos ao contrário não fica tão bonito nem tão natural, as pessoas podem parecer hiper-preenchidas.” São sempre escolhidos pontos estratégicos e vai sendo feita uma reavaliação. “As clientes voltam e querem mais. Aí, um bom médico sabe dizer não e quando deve parar porque não vai ficar bonito. Por vezes as pessoas caem nesse ciclo de querer mais e mais, porque se vêem bonitas.”

A consulta subentende um orçamento total e decidir o que fazer e quando, pode ou não avançar-se no próprio dia. Nós só queríamos conhecer o milagre do botox, por isso sentamo-nos numa marquesa, a médica aplica uma pomada anestésica, faz pequenas marcações e vai buscar o botox - nome comercial da toxina botulínica - que é um pó diluído em soro. “É importante adequar a dose, nunca é igual para toda a gente, se não os maus resultados vão aparecer. É importante olharmos para a pessoa e perceber toda a sua estrutura facial.” Passa-me para a mão uma bolinha anti-stress, porque “a picada pode doer um bocadinho”, e levo meia dúzia com uma agulha da largura de um cabelo e mal senti. “Os homens têm um bocadinho menos tolerância à dor”, comenta. Só junto aos olhos, o que é natural. Pede-nos para erguer as sobrancelhas e relaxar, para fazer cara zangada e relaxar, para sorrir e relaxar. Não durou nem cinco minutos.

Nas horas seguintes, sente-se um formigueiro muito ligeiro, a pele fica mais tónica e descansada, como se tivesse acabado de acordar de uma noite bem dormida. É essa a cara que teremos nos meses seguintes, uma mudança quase imperceptível. Quando se faz pela primeira vez, algumas pessoas referem uma sensação de pressão na testa, “porque querem mexer e depois não conseguem”, mas "é uma questão de hábito, a pessoa deixa de sentir”, e também podem sentir-se algumas dores de cabeça, “pode acontecer e é normal, é tomar um paracetamol”. Muito importante: a hidratação, dois litros de água por dia, “numa pele desidratada notam-se muito mais as rugas”; na alimentação, evitar os açúcares, as gorduras e os alimentos processados, que potenciam o estado inflamatório do organismo, e dormir aquelas oito horas por dia, “que influenciam a saúde toda”. E se fosse hoje jantar fora?, pergunto. “Não a aconselhava a beber álcool. De resto, é fazer a vida normal.”

Isto inclui continuar a rotina de cuidados da pele habitual e marcar nova consulta para daí a 15 dias: “Para o botox, gostamos de reavaliar, porque às vezes é preciso um retoquezinho”. E também é um sinal de confiança para as pessoas “que têm muito medo” de fazer este tipo de pequenas intervenções estéticas, “opto por fazer uma dose mais pequenina e depois perceber se a pessoa quer mais. Quando vem a segunda vez, já sabe ao que vai e já podemos aplicar normalmente”.

"Não tem nenhuma contra-indicação?", insistimos. “Existem sempre, são procedimentos médicos, por isso doentes com doenças neuro-musculares, por exemplo, ou doenças auto-imunes, a gravidez e a amamentação, depende. É mais uma protecção, porque não existem ainda estudos feitos. De resto, é avaliar caso a caso, todos têm alguma contra-indicação, por isso faço aquelas perguntas todas no início para perceber se o doente é elegível para o tratamento. Mas isto é verdade para todos os procedimentos estéticos.” Pausa. “Há uma coisa importante, este tipo de tratamentos não deve ser feito antes de um evento ou de uma data especial, pode acontecer picar num vasinho [sanguíneo] que não conseguimos ver, pois estão logo sob a pele, e fazer um pequeno hematoma, que acontece mais com o ácido hialurónico, e ficar inchado”, explica.

O efeito do botox dura quatro a seis meses, o bioestimulador rejuvenesce a pele até um ou dois anos, consoante as pessoas, para que o envelhecimento seja mais lento, “mas não há perda de efeito, propriamente”. É claro que o botox não é uma varinha de condão, se não cuidarmos da pele, nunca parecerá saudável. Seis meses depois, os músculos, e por conseguinte a pele, começam a voltar ao seu estádio anterior. “É muito comum as pessoas acreditarem, quando o efeito da toxina botulínica passa, que a ruga fica pior do que estava antes, e isso não é verdade. O que acontece é que a pessoa já não está habituada a ver-se com as rugas que tinha anteriormente, então parece que a pele envelheceu muito mais. É um mito! A pele fica exatamente como estava antes.” O que fazemos é adiar o seu envelhecimento, já que permanece mais esticada durante o seu efeito.

“Não há uma idade certa para começar a fazer os tratamentos, depende muito da genética ou do estilo de vida, cada caso é um caso”. O ideal é começar a fazer este tipo de tratamentos quando as rugas estão a aparecer, “quando ainda não há quebra de pele”. A ideia de experimentar este tipo de tratamento mais tarde, como foi este meu caso, é para segurar o que se tem, basicamente, melhorar. Um dos meus maiores amigos contou-me, há dias, que a mãe começou a fazer Botox agora, aos 82 anos. “Enquanto estivermos vivos, é sempre importante investirmos na auto-estima, cuidarmos de nós, gostarmos de nós. É bom de fazer.” Até porque a auto-estima influencia tudo resto, “o mental e o emocional são muito importantes e refletem-se na nossa saúde física”, à forma como agimos com os outros. As mulheres sabem-no bem.

“As pessoas vão olhar para si e nem vão notar, está super natural”, assegura a Dra Becas. Verdade, voltei 15 dias depois, não quis acrescentar mais nada e fiquei igualzinha, apenas parece que tenho dormido bem, “uma Bela Adormecida de um mês”, ri-se. “Fica com um ar mais leve, bonito e rejuvenescido.” Só senti uma suave, e bem vinda sensação de relaxamento da testa e essa nova sensação de frescura. E, sim, tenho recebido alguns piropos discretos. “A ideia é nem o marido notar?”, gracejo. “Está a brincar, mas tenho pacientes que vêm aqui quando os maridos estão a viajar”.

Leia também

Injetar botox nos pés é a solução para usar saltos altos sem dor?

A beleza paga-se com sofrimento ou, no mínimo, com desconforto. Eis algo que as mulheres ouvem quase desde que nascem. Mas será mesmo verdade? Usar sapatos de salto resulta sempre em dores nos pés? Fomos falar com uma cirurgiã plástica e estética para saber se há forma de contornar o problema.

Baby botox. A nova arma secreta para uma pele imaculada?

Nos últimos anos, o mundo da estética tem vindo a evoluir a um ritmo alucinante, e o mais recente protagonista desta revolução é o Baby Botox. Se já ouviu falar, mas ainda tem dúvidas, respire fundo que Sofia Carvalho, cirurgiã plástica e estética da Lisbon Plastic Surgery, explicou-nos tudo.

As Mais Lidas