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Beleza / Produtos

A Beleza sem senão da Caudalie

Mathilde Thomas pegou nas vinhas da família e criou um negócio que alia a ciência aos resultados. No seu apartamento em Paris, conta à Máxima como fez da Caudalie uma marca sustentável e apetecível sem comprometer a eficácia.

Foto: Nicolas Wagner
02 de janeiro de 2024 Rosário Mello e Castro

É fim de tarde num dia de outono em Paris e a cidade está paralisada pela visita real britânica – o trânsito acumula-se nas ruas como um jogo de Tetris, as buzinas sucedem-se, o stresse fervilha. Alheia ao rebuliço exterior, Mathilde Thomas passeia pelas diferentes divisões do seu apartamento virado para um jardim cheio de verdes, um paraíso de calma escondido entre prédios beges estilo Haussmann, o cenário desta produção para a Máxima. "Gosto de estar cá fora a ouvir o barulho das crianças que saem da escola ao nosso lado", comenta. Quando se senta para a entrevista, o beagle Romeu deitado ao seu lado, os saltos são a primeira coisa que tira. Está empenhada em conseguir a melhor fotografia, mas é a falar da marca que criou em 1995, ao lado do marido, Bertrand Thomas, que se sente mais confortável.

"A inovação deste relançamento é o colagénio tipo 1 vegan" Foto: Nicolas Wagner

Há quase 30 anos que a Caudalie lança produtos baseados numa receita simples e eficaz: resultados concretos apoiados em investigação científica amiga do ambiente. Sem o aparato das celebridades nem promessas por cumprir. Tudo começou quando o professor Joseph Vercauteren visitou a propriedade da família de Mathilde em Bordéus e se aperceberam do poder antioxidante das uvas. Hoje, a renovação da linha Resveratrol-Lift, uma das grandes novidades da marca, é prova da vontade de Mathilde de juntar investigação e sustentabilidade sem deixar de lado tudo aquilo que se espera de um bom produto de Beleza. Mathilde sabia que a tarefa não seria fácil, mas os olhos brilham-lhe enquanto lembra o processo que a trouxe até aqui: "descobrimos que existem plantas criadas através da tecnologia mRNA que conseguem produzir colagénio humano perfeitamente assimilável pela pele", explica, entusiasmada. "Desde os anos 90 que se usa colagénio animal, as nossas mães usavam-no nos seus hidratantes, mas esse colagénio nem sequer penetrava bem na pele." Depois, veio, por exemplo, o colagénio produzido através de bactérias e levedura, que é vegan, mas tem de ser geneticamente modificado e, mesmo assim, continuava muito longe da estrutura do colagénio humano. "A inovação deste relançamento é o colagénio tipo 1 vegan", muito semelhante ao das nossas células, e que se junta, assim, a uma das seis patentes da Caudalie, desenvolvida em parceria com a Universidade de Harvard, e que, neste caso, combina o resveratrol de videira, o ácido hialurónico natural e um potenciador de colagénio vegan. Mathilde queria: "Manter a mesma fragrância e a mesma textura e obter uma eficácia mais rápida e foi isso conseguimos!" A simplicidade das rotinas continua, claro, a fazer parte da alma da Caudalie e por isso a linha renovada tem apenas quatro produtos diretos ao assunto: preenchem as rugas, aumentam a firmeza e hidratam. Como seria de esperar, até porque a marca tem uma equipa de engenheiros que trabalha apenas o packaging, as embalagens são recicláveis e recarregáveis no caso dos cremes de dia e de noite (em Portugal, as recargas já representam 30% das vendas da linha Premier Cru).

"O meu objetivo seria eliminar completamente o plástico, mas sei que é muito complicado, seria um sonho" Foto: Nicolas Wagner

O olhar perfeccionista de Mathilde é evidente na forma como deteta falhas ("vamos mudar este creme de olhos para que tenha aplicador metálico", diz a certa altura) e, sobretudo, na forma como exige transparência aos seus produtos. "Fomos pioneiros da Beleza clean antes de o clean ser cool. Em 2006 removemos seis ingredientes das nossas fórmulas, como os parabenos e os óleos minerais, e agora já são 17 os ingredientes que não entram nos produtos da Caudalie, por serem perturbadores hormonais, por exemplo, ou por serem de origem animal", explica. "Lembro-me de irmos a Nova Iorque em 2007 e de apresentar uma nova linha sem parabenos e phenoxyethanol e de ninguém nos ligar nenhuma", ri-se. Viveu entretanto nos Estados Unidos da América e em Singapura e quando regressou a França, em 2018, a marca começou a mudar ainda mais a sua forma de pensar a sustentabilidade. Sabe que se antecipou a um movimento que hoje já está perfeitamente estabelecido no universo da Beleza e assegura que essa é a única forma de olhar para o futuro do skincare. "O meu objetivo seria eliminar completamente o plástico, mas sei que é muito complicado, seria um sonho", diz. Entre os próximos projetos, está, no entanto, o lançamento ainda secreto de um produto algures entre a maquilhagem e o tratamento, um Le Teint, também ele clean e com uma nova tecnologia, que deverá chegar em janeiro. Até lá, divide-se entre o laboratório, a casa da família em Nova Iorque, as viagens pelo mundo, e os tetos altos deste seu apartamento em Paris. "Decorei-o eu própria, mas isso é muito fácil quando a base já é boa", diz num sorriso, acrescentando que adora os seus candeeiros Noguchi e as peças de madeira de um artista japonês que conheceu algures numa feira. "Chamou-me a atenção a forma meticulosa como ele trabalhava cada detalhe", recorda. Lembra-nos imediatamente de alguém muito parecido.

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