Vai casar em 2026? Estas são as tendências que estão a dominar o Pinterest
Entre novas paletas de cores, espaços pouco convencionais e bolos que de bolo não têm nada, esta é a estética que vai marcar os casamentos deste ano.
Há uma ironia interessante na tendência para o verão de 2026: já sabemos de trás para a frente os perigos da exposição solar e dos raios UV, mas mesmo assim o bronze (seja ele natural ou através de solário) parece estar outra vez 'na moda'. Tudo isto fazia sentido se estivéssemos nos anos 80 e as conversas sobre proteção solar e melanomas não existissem. Afinal de onde vem esta obsessão com um tom de pele mais escuro?
A mensagem é clara: não existe bronze seguro, dizem todos os especialistas em dermatologia. Ainda assim, e em particular nas redes sociais, somos constantemente inundados de vídeos sobre tanning routines. A Máxima falou com Marta Ribeiro Teixeira, dermatologista na clínica Espregueira, que explica que depois de anos marcados pelo aspeto clean girl e pela pele luminosa, o bronze reaparece associado à ideia de férias, vitalidade, atratividade e um estilo de vida aspiracional. "As redes sociais reforçam esta associação através de imagens cuidadosamente editadas e algoritmos que privilegiam conteúdos visualmente apelativos, independentemente da sua credibilidade científica."
Na verdade, e para surpresa de muitos, o bronze é uma resposta de defesa da pele perante uma agressão causada pela radiação ultravioleta – quando a radiação atinge a pele, o organismo aumenta a produção de melanina (o pigmento responsável pela cor) para tentar proteger o ADN das células contra danos. Ou seja, a cor dourada que tantas pessoas associam a vitalidade e férias é, biologicamente, um sinal de dano celular. A dermatologista acrescenta que este mecanismo ocorre porque já existiu dano no ADN celular: "esse dano acumula-se silenciosamente ao longo da vida e traduz-se numa degradação progressiva do colagénio e da elastina, favorecendo o aparecimento precoce de rugas, flacidez, manchas, textura irregular e vasos dilatados".
De acordo com um inquérito recente da Academia Americana de Dermatologia, 28% dos inquiridos da Geração Z afirmaram que bronzear-se era mais importante para eles do que prevenir o cancro da pele. A dermatologista Noreen Galaria, em entrevista à Cosmopolitan, afirma que, como dermatologista com mais de 50 anos de carreira, afirma com toda a certeza que a Geração Z está a bronzear-se muito mais do que a Geração Y e a Geração X alguma vez fizeram. “Pensava que o bronzeamento propositado seguiria o caminho do tabagismo, mas voltou à moda e os seus efeitos nocivos vão durar muito mais tempo do que tendências como casacos de malha e ténis de plataforma.”
Um estudo realizado pelo Orlando Health Cancer Institute, revela que quase um terço dos adultos ainda acredita que ter um bronzeado dá uma aparência mais saudável (o que não faz muito sentido quando a exposição solar piora a acne e as cicatrizes pós-acne). Segundo a Skin Cancer Foundation, entre 2015 e 2025 o número de novos casos de melanoma invasivo diagnosticados aumentou 42%: "vemos mais mulheres jovens com melanoma por causa desta tendência do bronzeado", alertou a dermatologista norte-americana Mona Gohara, numa entrevista à ELLE.
Mas nem tudo são más notícias: a geração Z prefere a exposição solar natural. Sherry Pagoto, psicóloga clínica licenciada, professora na Universidade de Connecticut e investigadora na área do bronzeamento artificial, afirma que “no que diz respeito ao bronzeamento artificial, eis a boa notícia: estamos a falar de talvez apenas 3% dos jovens adultos e adolescentes que ainda utilizam solários (em comparação com os 8,6% registados em 2013)”. Isto são excelentes notícias porque, e apesar da exposição solar natural também ter os seus riscos, um estudo de 2025 da Northwestern Medicine e da Universidade da Califórnia, revelou que os solários artificiais podem triplicar os riscos de cancro da pele quando comparados com pessoas que nunca o fizeram.
Mas se o risco é tão conhecido, porque é que o bronzeado está a regressar? A resposta parece estar menos na medicina e mais na cultura (ou no TikTok): um em cada sete adultos com menos de 35 anos acredita que o uso diário de protetor solar é mais prejudicial do que a exposição ao sol, diz o inquérito realizado pelo Orlando Health Cancer Institute. Para alguns, a desconfiança nos protetores solares e a confiança na luz ultravioleta podem andar de mãos dadas com a desconfiança nas vacinas, especialmente numa era pós-covid, “tem havido mais resistência contra algumas das recomendações que vêm da comunidade médica e de saúde pública”, afirma a dermatologista Sara Hogan em entrevista à ELLE.
A Cosmopolitan identifica outro fator: uma geração obcecada por skincare, mas simultaneamente convencida de que a medicina estética conseguirá corrigir mais tarde os excessos de hoje. "Esta geração tem a ideia de que pode danificar a pele e, quando os danos se tornarem visíveis, fazer um procedimento para os reverter", explicou a dermatologista Noreen Galaria. O problema, acrescenta, é que “só porque se consegue reverter alguns dos sinais visíveis de envelhecimento na pele, não significa que se esteja a diminuir o risco de cancro da pele - especialmente melanoma”. À Máxima, Marta Teixeira refere que, "não deixa de ser irónico assistir a clínicas de medicina estética que vendem tratamentos que visam o rejuvenescimento da pele, enquanto têm um solário e promovem o seu uso nas suas instalações. O mercado percebeu que o bronze voltou a vender e tem sabido transformar esse desejo num negócio altamente rentável". Essa perceção ajuda a explicar um dos grandes paradoxos atuais: nunca se venderam tantos séruns, protetores solares e tratamentos antienvelhecimento, mas também nunca o bronzeado pareceu tão importante para uma geração.
O regresso da nostalgia dos anos 2000 pode também ter contribuído para este aumento: calças de cintura baixa, body glitter e claro, um bronze digno de poder entrar em Jersey Shore. Em entrevista à Allure, Jerod Stapleton, professor de saúde, comportamento e sociedade na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Kentucky, e investigador na área dos solários e do seu impacto na imagem corporal, acredita que existe também uma componente emocional: o bronzeado ajuda a aliviar sentimentos negativos. “É aquela sensação imediata de ‘não me sinto muito bem’ e ‘isto ajuda-me a sentir-me melhor neste momento’, o tipo de coisa que está na base de muito do que fazemos”, afirma o professor. O problema é que a biologia não acompanha as tendências. Como resume Marisa Garshick, dermatologista e porta-voz da EltaMD, “a luz ultravioleta, quer provenha do sol ou de uma cama de bronzeamento, é um conhecido agente cancerígeno, tal como o tabaco e o amianto”.
“Quando se trata da pele, a Mãe Natureza dá-nos feedback demasiado tarde: bronzeamo-nos, queimamo-nos, repetimos o processo e sentimos que nos safamos, até que, alguns anos ou possivelmente algumas décadas mais tarde, acabamos por ter de passar por cirurgia após cirurgia, crioterapia, tratamentos com luz, cremes de quimioterapia, tratamentos agressivos, exames cutâneos frequentes, inúmeras biópsias e muito mais. Não vale a pena” explica Laurel Geraghty, dermatologista certificada em Medford, à Allure.
Em entrevista à Cosmopolitan, Dra. Lamees Hamdan, médica especializada em medicina integrativa e especialista em longevidade biológica, acredita que não podemos simplesmente retirar o sol das nossas vidas. "O que devíamos ter feito era ensinar as pessoas a terem cuidado com o sol - a exposição excessiva ao sol não é boa para a saúde, mas a exposição insuficiente também não é boa devido aos níveis de vitamina D”, e acrescenta: “evoluímos para estar ao ar livre como seres humanos - existe um impulso profundo e primitivo em todos nós de querer expor o nosso corpo à luz solar, o sol é uma força vital, mas precisamos de aprender a usá-lo com sabedoria”.
Talvez seja esse o verdadeiro custo do regresso do bronzeado: não apenas o risco futuro de melanoma ou envelhecimento precoce, mas a normalização de uma tendência que transforma um sinal de dano cutâneo num objetivo estético. estético. Numa altura em que a informação nunca esteve tão acessível, a pele dourada continua a vencer a evidência científica. A conclusão é simples: se continua a recusar-se a aceitar a palidez natural com que nasceu há uma forma de se manter bronzeada sem deixar marcas (pelo menos aquelas que ficam para a vida). O auto bronzeador.