Antes de Georgina, estas foram as 4 WAGs originais da Seleção Nacional
Mulheres de jogadores? Queridas, isso é história do futebol.
Antes de haver stories no Instagram, documentários de luxo e namoradas de jogadores com equipas de styling próprias, já havia mulheres sentadas nas bancadas a perceber, muito antes do resto do país, que o futebol nunca foi só futebol. Mas foi com Victoria Beckham - talvez a WAG (Wives and girlfriends of professional athletes) original no imaginário pop, sempre impecável, ligeiramente distante e infinitamente fotografável - que a mulher do jogador deixou de ser apenas "a companheira de" para passar a ser uma categoria cultural. Uma entidade. Um fenómeno. Em Portugal, claro, também tivemos a nossa versão da história: menos Baden-Baden, mais Luz, Seleção e capas de revista.
Muito antes de o termo WAG fazer parte do vocabulário mediático do futebol, Flora Claudina Bruheim já ocupava, de forma discreta, esse lugar simbólico ao lado de Eusébio. Casada com o maior nome da história da Seleção Portuguesa, Flora tornou-se uma presença associada não à exposição pública ou ao glamour fabricado, mas à dimensão quase nacional que Eusébio atingiu nos anos 60. Sobre a sua vida profissional sabe-se pouco: os registos da época apontam sobretudo para a sua ligação à ginástica, atividade que praticava antes de ser conhecida pelo grande público como mulher do "Pantera Negra". O casamento dos dois, em outubro de 1965, teve honras de notícia e foi acompanhado com a atenção reservada às grandes figuras do país, mostrando como a vida privada do futebolista já despertava curiosidade para lá das quatro linhas.
Ainda assim, Flora não foi uma WAG no sentido moderno da palavra. Não era uma celebridade construída por revistas, televisão ou redes sociais, nem procurava ocupar o centro da narrativa. Foi uma figura de outro tempo, ligada a uma ideia mais reservada de companheirismo, numa época em que a mulher do futebolista surgia sobretudo como parte do universo íntimo do atleta. Ao lado de Eusébio, Flora representa talvez a primeira grande "proto-WAG" da Seleção Portuguesa - não pela exposição que procurou, mas pela atenção que inevitavelmente recebeu por estar ligada ao homem que se tornou um símbolo do futebol português.
Se Flora Bruheim representa uma espécie de origem discreta da figura da companheira do futebolista português, Helen Svedin aproxima-se muito mais daquilo que viria a ser entendido como uma WAG moderna. Modelo sueca, com uma carreira internacional ligada à moda e à publicidade, Helen já tinha imagem pública própria quando se cruzou com Luís Figo, em Barcelona, em 1996. A presença ao lado do capitão da Seleção Portuguesa não dependia apenas do estatuto dele: Helen trazia consigo um universo de elegância, campanhas, revistas e glamour europeu que combinava com a ascensão de Figo ao topo do futebol mundial.
A relação dos dois tornou-se uma das mais reconhecidas da chamada Geração de Ouro portuguesa. Juntos desde os anos 90 e casados em 2001, Figo e Helen construíram uma imagem de casal sofisticado, internacional e relativamente reservado, mesmo estando muitas vezes presentes em eventos públicos e na imprensa social. Com três filhas em comum, a história dos dois atravessou várias fases da carreira do antigo internacional português - de Barcelona a Madrid, passando pela consagração global - e ajudou a fixar Helen Svedin como uma das primeiras grandes WAGs da Seleção Portuguesa no sentido mais contemporâneo do termo: não apenas a mulher de um futebolista, mas uma figura com carreira, imagem e estatuto próprios.
Marisa Cruz não é apenas uma das WAGs que marcou Portugal - ela é 'a' WAG: modelo, atriz e apresentadora de televisão, presença constante em painéis, talk shows e passerelles desde os anos 90. Eleita Miss Portugal em 1992, Marisa definiu um estilo que atravessou décadas - aquela beleza delicada e forte que na minha memória só vi atribuída a Marilyn Monroe ou Pamela Anderson. A relação com o futebolista João Vieira Pinto, que começou por volta de 2004 e culminou num casamento em 2009, transformou-os num dos casais mais fotografados da imprensa social até à separação em 2013.
Enquanto parceira de um dos craques do futebol português, Marisa viveu os holofotes e os bastidores desse mundo - e num país de bola como religião, ela aprendeu a jogar com as regras mas nem sempre com luvas. Marisa viveu o futebol por dentro, mas nunca aceitou o papel decorativo que tantas vezes se reserva às mulheres desse universo. Em televisão, desmontou a narrativa: falou de infância roubada, de medo de envelhecer, de menopausa como tabu. E materializou-a: recentemente, lança uma marca de skincare focado na menopausa e na pele madura. Do título de Miss ao olhar que desafia os estereótipos de idade, Marisa Cruz permanece na lista não como um eco do passado, mas como uma mulher que escolhe continuar a ser notícia. Sempre em nome próprio.
Se Marisa Cruz definiu uma era de glamour mediático, Patrícia Aguilar representa o seu oposto elegante: o poder silencioso. Advogada de formação e prática, a sua discrição só aguçou ainda mais o imaginário público, tornando-a, paradoxalmente, ainda mais interessante para a imprensa social portuguesa, que destacava precisamente a sua sobriedade ao lado de Nuno Gomes. Conheceram-se em 2004 e casaram-se dois anos depois, num registo longe dos flashes, numa altura em que o futebol português vivia já intensamente o fenómeno das WAGs (a renda na cabeça da noiva? Perfeita). Patrícia manteve sempre a sua carreira no Direito, construindo uma vida paralela à notoriedade do marido, sem nunca transformar essa proximidade à fama em profissão.
Nuno Gomes, por sua vez, era o rosto de uma geração: o avançado elegante, tecnicamente limpo, e - para muitos, nós incluídas! - a crush coletiva dos anos 90 e início dos 2000. Aquele tipo de jogador que parecia ter sido desenhado para anúncios de perfumes e posters colados nas paredes do quarto. Numa entrevista ao Sapo uns anos depois, deixou escapar uma frase sobre a relação que só veio confirmar as nossas suspeitas: "Penso que o mais romântico ainda consigo ser eu."
Num mundo em que se esperava que as mulheres brilhassem por reflexo, Patrícia Aguilar escolheu a elegância da autonomia. E ao seu lado estava um homem que nunca pareceu intimidado por isso (hot hot hot). Entre os dois, construiu-se um contraponto pouco habitual no universo do futebol: ele, símbolo público de desejo e projeção; ela, presença discreta e estruturante, recusando ser definida por reflexo. A imprensa sublinhava isso repetidamente - eram o casal “low profile” por excelência, quase uma exceção num ecossistema onde a visibilidade era regra.
