Eleições. Quão feministas são, afinal, os candidatos à Presidência da República?

Ainda que os poderes de um Presidente da República sejam constitucionalmente limitados, é inegável o seu poder de influência. Impõe-se, portanto, a pergunta: há diferenças substanciais entre candidaturas ou a igualdade de género não é um tema que mobilize o eleitorado? Fomos ouvir as opiniões de mulheres que apoiam as diferentes alternativas.

Candidatas presidenciais debatem igualdade de género e poder de influência Foto: Getty Images
13 de janeiro de 2026 às 14:51 Maria Afonso

Os temas relacionados com a igualdade de género e os direitos das mulheres têm surgido durante esta campanha eleitoral, mas raramente como tema central — isto apesar de, no ano passado, a GNR ter registado mais de 10 mil crimes de violência doméstica e pelo menos 24 mulheres terem sido assassinadas pelos companheiros. Já para não falar do 'elefante na sala' que é o enorme desequilíbrio de género existente nas próprias candidaturas, com apenas uma mulher a figurar entre as 11 opções.

Paula Espírito Santo, especialista em Ciência Política e em comportamento eleitoral, começa por abordar a disparidade de género em termos de candidaturas, explicando que a maior parte dos candidatos vem dos partidos e que “a filiação partidária, não só em Portugal, mas de uma forma geral nas democracias ocidentais, continua a ser uma atividade masculina”. A professora do ISCSP assinala ainda o facto de a única figura feminina, Catarina Martins, não ter vindo a acentuar esse dado, possivelmente por, do ponto de vista estratégico, não considerar que esse seja um benefício em termos de mensagem política: “Na minha opinião, ela poderia ter aprofundado essa questão e creio que poderia ganhar bastante se identificasse mais a causa das mulheres como uma mais-valia da sua candidatura”.

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Apesar das características individuais e diferenciadoras de cada um, a investigadora considera que nenhum dos candidatos apresenta uma estratégia inclusiva do ponto de vista do género e que uma maior atenção a estas matérias, quer em termos públicos como políticos, poderia mobilizar eleitores. “Os partidos ainda têm uma visão muito masculinizada da política e da sociedade”, conclui, acrescentando que “é preciso que haja um entendimento por parte de quem concorre a estes cargos que essa pode ser uma prioridade em termos sociais, cívicos e políticos. Mas o que temos vindo a observar é que, mesmo em casos em que há mulheres nas lideranças partidárias – e estou a lembrar-me da Mariana Leitão da Iniciativa Liberal –, o assunto não é central”. Partindo destes pressupostos, fomos ler nas entrelinhas, perguntando a apoiantes dos diferentes candidatos os motivos pelos quais conquistaram a sua preferência. É tempo de descobrir as diferenças.

Teresa Violante, jurista

Carla Eliana Tavares, jurista e ex-deputada   

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Odete Fiúza, advogada e atleta paralímpica

Paula Cosme Pinto, consultora de comunicação

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Leonor Caldeira, advogada

Iva Domingues, apresentadora de televisão

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Catarina Pires, jornalista

Rita Matias, deputada do Chega

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