Manuela Ramalho Eanes: 'Comigo e pela primeira vez houve um gabinete para a mulher do presidente'
Mais do que uma voz sonante e uma presença forte, Manuela Ramalho Eanes é – e continuará a ser – a primeira-dama das causas.
Os temas relacionados com a igualdade de género e os direitos das mulheres têm surgido durante esta campanha eleitoral, mas raramente como tema central — isto apesar de, no ano passado, a GNR ter registado mais de 10 mil crimes de violência doméstica e pelo menos 24 mulheres terem sido assassinadas pelos companheiros. Já para não falar do 'elefante na sala' que é o enorme desequilíbrio de género existente nas próprias candidaturas, com apenas uma mulher a figurar entre as 11 opções.
Paula Espírito Santo, especialista em Ciência Política e em comportamento eleitoral, começa por abordar a disparidade de género em termos de candidaturas, explicando que a maior parte dos candidatos vem dos partidos e que “a filiação partidária, não só em Portugal, mas de uma forma geral nas democracias ocidentais, continua a ser uma atividade masculina”. A professora do ISCSP assinala ainda o facto de a única figura feminina, Catarina Martins, não ter vindo a acentuar esse dado, possivelmente por, do ponto de vista estratégico, não considerar que esse seja um benefício em termos de mensagem política: “Na minha opinião, ela poderia ter aprofundado essa questão e creio que poderia ganhar bastante se identificasse mais a causa das mulheres como uma mais-valia da sua candidatura”.
Apesar das características individuais e diferenciadoras de cada um, a investigadora considera que nenhum dos candidatos apresenta uma estratégia inclusiva do ponto de vista do género e que uma maior atenção a estas matérias, quer em termos públicos como políticos, poderia mobilizar eleitores. “Os partidos ainda têm uma visão muito masculinizada da política e da sociedade”, conclui, acrescentando que “é preciso que haja um entendimento por parte de quem concorre a estes cargos que essa pode ser uma prioridade em termos sociais, cívicos e políticos. Mas o que temos vindo a observar é que, mesmo em casos em que há mulheres nas lideranças partidárias – e estou a lembrar-me da Mariana Leitão da Iniciativa Liberal –, o assunto não é central”. Partindo destes pressupostos, fomos ler nas entrelinhas, perguntando a apoiantes dos diferentes candidatos os motivos pelos quais conquistaram a sua preferência. É tempo de descobrir as diferenças.
Teresa Violante, jurista
“Não apoio Gouveia e Melo por ter um ‘programa para mulheres’."
Carla Eliana Tavares, jurista e ex-deputada
Odete Fiúza, advogada e atleta paralímpica
Paula Cosme Pinto, consultora de comunicação
Leonor Caldeira, advogada
“A eleição de Jorge Pinto significará uma Presidência atenta à violência de género.”
Iva Domingues, apresentadora de televisão
“Cotrim de Figueiredo pode contribuir para uma mudança simbólica e cultural.”
Catarina Pires, jornalista
“Vejo em António Filipe uma posição de respeito profundo pela igualdade.”
Rita Matias, deputada do Chega
"André Ventura tem promovido ativamente mulheres para lugares de destaque."