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Música independente para todos os gostos. The Great Lisbon Club estreia-se em Lisboa

A propósito da primeira edição do "grande festival dos palcos pequenos", a Máxima conversou com Miss Suzie, performer e uma das mentes por trás do evento.

Concerto de Suzie and the Boys
Concerto de Suzie and the Boys Foto: Facebook de SUZIE and the BOYS
30 de novembro de 2021 Ana Damião

Há um novo e abrangente festival na capital lisboeta que quer "exaltar, preservar e servir de ponto de encontro" para a rede de clubes alternativos da cidade. Clubes estes que se apresentam como espaços de liberdade, cultura e variedade sonora. Idealizado e projetado por Miss Suzie, artista dos mil dotes, e por Julita Santos, produtora e gestora cultural, os espetáculos do The Great Lisbon Club acontecem em três palcos diferentes, no Bairro da Graça, ao longo de quatro dias recheados de música independente (2 a 5 de dezembro).

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A ideia "nasceu espontaneamente, de uma conversa entre mim e a Julita, em que conversávamos algures entre confinamentos destas situações que todas temos vivido", contou Miss Suzie, em entrevista à Máxima. A cantora, atriz, performer e diretora de arte explicou-nos como, entre uma imperial e outra, disse à Julita: "devíamos era fazer um ‘granda’ festival com um palco para esta gente toda!", e foi assim que tudo começou. "A Câmara Municipal interessou-se imenso por este conceito. Achou muito importante podermos dar um palco a uma série de artistas e ir buscar precisamente aqueles que não são as escolhas imediatas. E achou realmente que era importante dar um apoio a todo este circuito que nós quase apelidámos do nosso circuito clubístico", disse. "É um impulso muito grande para a cultura, não só da cidade como também do país."

"Apercebemo-nos que faltavam palcos para o encontro desta família - tão diversa sonoramente e ao mesmo tempo tão semelhante na forma de sentir e pensar este universo artístico. Com este conceito, unimos o passado e o presente, para reviver as experiências noturnas desde os cabarets dos anos 20 aos grandes clubes contemporâneos."

Mas o que torna este evento tão diferente de todos os outros? A diversidade musical é um dos marcos. "Porque nós vamos ter do rock ao swing, do burlesco aos blues, do hip hop ao psicadélico. Inclusive, vamos ter a participação de Marta Pereira da Costa, que é a única guitarrista de guitarra portuguesa". Mas não foi apenas na diversidade de estilos em que as organizadoras apostaram. "Vamos ter projetos que se vão estrear no festival porque foram fruto de encontros entre músicos e de ideias que surgiram durante a pandemia, como é o caso dos Desconectados, por exemplo. Vamos ter bandas que já são monstros sagrados destes circuitos independentes, mas que nasceram nos clubes, ao mesmo tempo que vamos ter os que estão a nascer agora." Foi esta a lógica da programação: "tentar arranjar a cada dia projetos diferentes, mas que de alguma forma fossem sonoramente agradáveis em conjunto, para haver uma certa harmonia", explicou Miss Suzie em entrevista.

Entre os grandes nomes desta primeira edição destacamos as atuações dos Pop Dell’Arte com o saxofonista Rodrigo Amado, dos Bezegol & Rude Bwoy Banda com Marta Pereira da Costa, de João Cabeleira com os Budda Power Blues e da banda Suzie and The Boys com a performance de Symone de la Dragma, entre outros. Os quatro dias de cultura contam ainda com diversos DJ´s e performances burlescas de Lady Myosotis e Manu de La Roche, acompanhadas pelo anfitrião da noite, Dagu.

E como nada no The Great Lisbon Club foi deixado ao acaso, também os locais foram escolhidos a dedo. "Isto começa por estar no Largo da Graça, que é aberto à comunidade, que é também de alguma forma uma maneira do público em geral se aperceber da diversidade de projetos que existem e que às vezes estão escondidos. É tentar que as pessoas se interessem realmente por procurarem mais música ao vivo, procurarem ir ver concertos de coisas que se calhar não estão diariamente no seu ouvido, mas que são projetos interessantíssimos."

Já a Voz do Operário, uma casa emblemática e centenária, está aberta a todos mediante a apresentação de bilhete. "Estamos inclusivamente preparados para receber as pessoas com lugares marcados, em segurança e para que todos possam usufruir dos concertos da melhor forma e ao mesmo tempo manter estas experiências da fusão entre o passado, o presente e o futuro", explicou a artista. 

O terceiro palco é encontrado no Camones, antiga coletividade e casino ilegal, onde as atuações "são muito íntimas e têm uma lotação muito pequenina (45 lugares). Portanto as pessoas que quiserem assistir aos concertos no Camones têm de dirigir-se primeiro à Voz do Operário para trocar os bilhetes por pulseiras e ir atempadamente para garantir o seu lugar", alertou.

O The Great Lisbon Club é uma produção da Goodstaff e de Miss Suzie e conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, Junta de Freguesia de São Vicente, tendo ainda como parceiros a Voz do Operário, Camones, MOP Cultura, This is Ground Control, Proeasy Design, Gerador e Hotel Oficial - Avani Resorts e Hotelsd. Para ter acesso aos locais é necessário apresentar o certificado digital de vacinação ou um teste negativo antigénio com uma validade de 48 horas. 

A programação na íntegra encontra-se aqui. Os bilhetes estão à venda na Ticketline, sendo que o passe geral custa €40 e os bilhetes diários €15.

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