Moda / Tendências

“Quero oferecer aquela sensação de euforia quando encontramos um tesouro vintage”

Non Manon é a marca de moda que nasceu na pandemia – é 100% nacional, vende roupa de luxo e é sustentável. A marca vende peças com tecido vintage e deadstock, que são desenhadas pela designer e fundadora, Marta Carvalho, com quem conversámos.

09 de setembro de 2020 | Inês Esteves

Marta Carvalho estudou Design de Moda na Faculdade de Arquitetura de Lisboa e, como amante de moda e de alternativas sustentáveis, decidiu criar um negócio que une as duas vertentes. A sua marca é inspirada em ícones de moda do passado, como estrelas de cinema e outras artistas. A Non Manon lança uma peça de cada vez para evitar eventuais gastos desnecessários e para manter a exclusividade das lojas em segunda-mão. As clientes podem comprar tamanhos de XS a XL ou encomendar uma peça à medida, sem custos adicionais.

A primeira blusa da marca chama-se Hedy, inspirada na atriz dos anos 40, Hedy Lamarr. Esta blusa de ombros "à mostra" está disponível em três tecidos diferentes: Orange Vichy, Cherry Red e Floral, com preços que vão desde os 128€ aos 183€. Neste momento a Non Manon só vende através do seu site, que está disponível para receber encomendas de todo o mundo. Em conversa com a Máxima, Marta Carvalho revelou-nos tudo o que há a saber sobre a Non Manon.

Como nasce a ideia de criar a Non Manon?

A ideia de criar a Non Manon nasceu sobretudo da necessidade de encontrar uma marca sustentável que fizesse o tipo de peças de roupa que procurava. A maioria das marcas eco-friendly vende designs mais simples e minimalistas com o objetivo de que se mantenham "trendy" por muitos anos, e enquanto consumidora, sempre recorri às lojas vintage para encontrar peças únicas, com cores e padrões que não se encontram facilmente nas lojas de fast fashion. Mas o stock vintage acaba por ser muito limitado, e é difícil encontrarmos algo no tamanho perfeito, portanto quis criar uma marca que vendesse peças modernas mas com designs inspirados no passado, para uma cliente que gosta de misturar cores e padrões sem medos. No fundo, quero oferecer aquela sensação de euforia que surge quando encontramos um tesouro vintage, mas com a variedade de tamanhos necessária para vestir qualquer cliente.

Quais foram as motivações para deixar de comprar fast fashion, e adoptar hábitos de consumo mais conscientes?

As razões para deixar de comprar fast fashion são imensas: desde o impacto ambiental (a produção e as toneladas de roupa desperdiçada) às condições lamentáveis a que são sujeitos os trabalhadores, existem muitos fatores a ter em consideração quando consideramos apoiar marcas com práticas menos honestas. Além disso, pagar pouco por uma peça de roupa leva a uma qualidade inferior e a compras mais impulsivas, o que por seu lado significa que, provavelmente, vamos acabar por usar a peça que comprámos muito poucas vezes.
O documentário "The True Cost" abriu-me muito os olhos, e foi uma das coisas que me fez decidir deixar de apoiar marcas de fast fashion por completo. Embora projetos como a Non Manon estejam agora a surgir e ofereçam opções mais premium, uma das alternativas mais baratas à fast fashion é a roupa vintage e em segunda-mão.

Que desafios encontrou na integração da sua marca no mercado, em altura de covid-19?

Os desafios são muitos, e foi um risco lançar a marca numa altura em que a economia está tão fragilizada. O poder de compra não é o mesmo, a roupa não está no topo da lista de prioridades, e portanto o meu objetivo para esta primeira fase foi, de certa forma, criar um universo inspirador através das redes sociais, para apresentar a marca e a nossa missão a audiências nacionais e internacionais.
A Non Manon foi o projeto que me deu motivação e esperança durante os dias de isolamento social, e não quis esperar meses para apresentá-la ao mundo. Embora a marca esteja apenas no início, foi muito bem recebida em Portugal e no estrangeiro, e tem vindo a crescer aos bocadinhos com o público que a segue online.

Como tem inspiração para desenhar as roupas? Em que se baseia?

Uma das minhas maiores inspirações é a moda vintage, e as tendências de décadas como os anos sessenta e oitenta; tenho álbuns e álbuns cheios de imagens de ícones de moda do passado e estou sempre a revisitá-los. Mas a inspiração vem de todo o lado, e às vezes é a paleta de cores de uma casa de banho ou uma imagem de um filme que inspiram os tecidos que acabo por escolher.

Porquê o nome Non Manon?

A inspiração para o nome Non Manon vem de um dos meus filmes favoritos, Manon 70 - é uma película dos anos 70 com a atriz Catherine Deneuve, e sempre adorei o guarda-roupa que a personagem dela usa. O "Non" acabou por ser acrescentado para dar sonoridade, com o objetivo de criar algo que soasse jovem e divertido.

Publicou no Instagram o preço de todo o processo de criação de uma peça, é raro uma marca fazer isso, porque o fez?

Eu quero que a Non Manon seja uma marca 100% transparente, e tenciono aproveitar para educar os consumidores pelo caminho. Acho que é importante que as pessoas saibam os valores que estão por detrás de uma peça sustentável, que percebam que a costureira tem de ser paga, os materiais de qualidade são mais caros, e que tudo, desde a caixa do envio a um mero botão, tem um custo que tem de ser incluído. Como qualquer outro projeto nesta era digital, a Non Manon está a crescer lado a lado com a sua audiência, e numa altura em que os clientes querem ser mais informados e envolvidos que nunca, eu aproveito para lhes mostrar tudo o que se passa no behind-the-scenes de uma marca independente e sustentável.

Hedy Orange Vichy, 128€
Foto: Non Manon
1 de 3 Hedy Orange Vichy, 128€
Hedy Cherry Red, 157€
Foto: Non Manon
2 de 3 Hedy Cherry Red, 157€
Hedy Floral, 183€
Foto: Non Manon
3 de 3 Hedy Floral, 183€
Saiba mais Marta Carvalho, Non Manon, artes, cultura e entretenimento, moda, sustentabilidade, ambiente, roupa, fastfashion
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