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Como uma marca de diamantes raros chegou a um bairro de pescadores no Porto

Desde os anos noventa que a marca belga Direggio desenha peças de joalharia de luxo incrustadas com diamantes e pedras preciosas, vindas dos quatros cantos do mundo. O projeto chegou à Foz do Douro, às mãos de dois jovens empreendedores: Arno e Teresa.

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20 de novembro de 2020 | Rita Silva Avelar

Arno Van Meirhaeghe e Teresa Symington Caxide são dois jovens empreendedores a viver no Porto. Ele belga, ela portuense filha de mãe inglesa, conheceram-se na Suíça, no curso de Turismo e Gestão Hoteleira que ambos frequentavam e onde começaram a namorar. Depois de passarem vários anos envolvidos em projetos de hotelaria na Bélgica e em Portugal, e de finalmente se mudarem para o Porto, viraram-se para o fascinante mundo da joalharia, um legado da família de Arno.

Há um ano que estavam a gerir a Quinta da Gricha, um turismo rural no Douro, completamente isolados do mundo, até que chegou a pandemia. Depois de várias solicitações e incentivos de familiares e amigos que compravam habitualmente as joias à família de Arno, decidiram por mãos à obra e criar o atelier e loja da marca na Foz do Douro, numa casa instalada num bairro de pescadores e pequenos artesãos.

A história é inspiradora e ambiciosa, tal como eles, que têm uma visão de negócio amadurecida para dois jovens a meio da casa dos vinte. 

Arno Van Meirhaeghe e Teresa Symington Caxide
Arno Van Meirhaeghe e Teresa Symington Caxide

A marca que Teresa e Arno trazem à Foz do Douro chama-se Direggio e surgiu em 1993, na Antuérpia, às mãos de dois amigos de infância, Reggy Van Meirhaeghe e Dirk Vingerhoets, que mais tarde se tornaram cunhados. Mas a ideia remonta à geração anterior, ao bisavô e avô de Arno, Leon e Antoine, que eram  lapidadores de diamantes bastante experientes e respeitados na Antuérpia, cidade belga conhecida como a capital mundial dos diamantes, com uma longa história ligada não só aos lapidadores como aos caçadores de preciosidades. "Sempre me interessei pelo negócio da família, só que para mim ou ficava na Antuérpia ou ia para fora" explica Arno, que aos 12 anos foi estudar para um colégio interno fora da Bélgica, e que prosseguiu estudos na área do Turismo e Gestão Hoteleira. "Mais de 80% dos diamantes do mundo são lapidados na Antuérpia. Foi isso que levou o meu bisavô e o meu avô à profissão que tiveram, mas foi o meu pai quem teve a visão das joalharia feita por medida e da loja. Depois foi perfeito, porque começaram a controlar todo o processo, desde o corte das peças à venda das mesmas" revela, sobre a génese da Direggio

As joias Direggio.
As joias Direggio.

"Durante os primeiros anos eram o meu pai e o meu tio que faziam as peças, até que no final dos anos noventa contrataram o primeiro artesão", e na década seguinte, entre 2006 e 2007, duplicaram o tamanho da loja, comprando a morada do lado, revela Arno, onde está hoje também o atelier e a parte da nova maquinaria tecnológica, "como impressoras 3D que permitem ver de antemão como ficam as peças" bem como o escritório da mãe de Arno. "A minha mãe é farmacêutica, mas ligou-se à marca e hoje em dia cria manualmente várias das pulseiras da Direggio", conta, incluindo modelos bestseller. Quando Arno conta a história do nome da marca, não há como não achar graça. "O meu tio, Dirk, e o meu pai, Reggy, estavam numa viagem em Itália e andavam à procura de um nome". Depois de várias tentativas, chegaram à junção dos nomes de ambos. "E fizeram com que soasse italiano!" acrescenta Teresa.

As joias Direggio.
As joias Direggio.

Arno e Teresa, rostos da nova geração da Direggio, não só trazem novas ideias à marca de luxo como a frescura e a reinvenção que os novos tempos requerem. São eles quem escolhe e seleciona as joias que vêm da Antuérpia para o Porto, quem recebe os clientes, quem avalia ao pormenor os detalhes da composição das joias, que vão da mais minimalista pulseira ao mais elaborado dos colares, que tenha nele incrustado as mais caras pedras preciosas e os mais requisitados diamantes, a par de um design feito por medida.

Aqui, é quase possível dizer que não há limite para a imaginação do cliente, desde que o "cachet" acompanhe esses desejos. Desde avós que levam as netas a escolher a primeira joia, a netas que transformam um anel de noivado de uma bisavó numa peça mais contemporânea, a colecionadores que pretendem uma determinada pedra preciosa incorporada numa determinada joia, tudo é possível, desde que seja solicitado. "De 1993 até hoje, se pensarmos em como tudo mudou é fascinante. Uma das coisas que mais usamos [a nível tecnológico] são as impressoras 3D. Fazemos sempre desenhos, mas se o cliente quiser uma joia personalizada é esta a melhor forma de ver como ficará. Com anéis, há clientes que dizem que adoram ver como lhes fica" acrescenta Arno. 

As joias Direggio.
As joias Direggio.

Os materiais para fazer as joias vêm dos quatro cantos do mundo. "A maioria do ouro vem da Antuérpia, do distrito de diamantes, de onde vem o ouro certificado e regulado pelo Governo. Quanto às pedras, trabalhamos com negociantes de diamantes que aparecem de uma ou de duas em duas semanas, e mostram o que têm em frente a nós. Ou então encomendamos previamente a pedra exacta que queremos. Pode acontecer encontrarem-na na Antuérpia, ou em Nova Iorque. É uma rede gigante" explica, sobre o processo de eleição dos materiais que compõem as peças. Sobre os pedidos mais extravagantes, recorda-se de uma venda recente de uma pedra de 25 quilates para uma senhora dos Emirates Árabes, e de uma joia que foi abençoada por um padre russo, que era uma pedra cujo diamante tinha que estar sempre em contacto com a pele da pessoa que o ia usar, contou à Máxima. 

A loja, na Foz do Douro.
A loja, na Foz do Douro.

A marca torna-se ainda mais especial nesta morada. A sofisticação das joias contrasta com a curadoria desta novíssima loja, no número 47 da Rua de São José, na Foz do Douro, minuciosamente decorada por Arno e Teresa, com elementos de outros tempos, como um cofre antigo, quadros artísticos e minuciosos arranjos florais. Dentro de delicados mostruários, repousam joias com histórias para contar, umas mais exuberantes, outras mais discretas.

Uma das coleções em destaque na loja é a coleção de verão, composta por peças maleáveis que descomplicam. Ao lado, noutro mostruário, há uma coleção mais delicada com recurso a pedras cintilantes como a jade ou a ametista, onde os brincos podem ser combinados com os anéis e com os colares se o desejo for esse. A qualidade dos diamantes evidencia-se pelo seu brilho natural, ainda que estejam imobilizados nestas montras, mas para os clientes que ainda tiverem dúvidas há um utensílio digital que valida a origem de diamantes puros, verdadeiros. Ao mesmo tempo, pode beber um café ou um chá, no conforto de um dos sofás desta nova loja. Quando toca a diamantes, é preciso todo o tempo do mundo.

A loja inaugurou no início de novembro, num cocktail que reuniu Sónia Balacó, Helena Coelho e Luisa Beirão como embaixadoras do lançamento da Direggio em Portugal.

A loja/atelier funciona por marcação, através deste contacto 965 383 544.

Luisa Beirão
1 de 4 Luisa Beirão
Luisa Beirão, Helena Coelho e Sónia Balacó
2 de 4 Luisa Beirão, Helena Coelho e Sónia Balacó
Sónia Balacó
3 de 4 Sónia Balacó
Helena Coelho
4 de 4 Helena Coelho
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