Moda

Kim Kardashian veste silhueta icónica de Madonna, mas tapa os mamilos

O vestido de Jean-Paul Gaultier, que a cantora tornou célebre em 1992, ganhou uma versão mais contida no corpo da influencer. Somos mais puritanos agora?

Kim Kardashian usa um vestido idêntico ao de Madonna para assistir ao desfile da maison Jean-Paul Gaultier, novembro de 2022
Kim Kardashian usa um vestido idêntico ao de Madonna para assistir ao desfile da maison Jean-Paul Gaultier, novembro de 2022 Foto: Getty Images
07 de julho de 2022 Máxima

Aconteceu na última quarta-feira, em Paris, durante a apresentação da coleção de alta costura que Olivier Rousteing assinou para a Jean-Paul Gaultier como designer convidado. Kim Kardashian sentou-se entre a sua filha North West e a diretora da Vogue norte-americana Anna Wintour. A sua silhueta acabou por passar despercebida (dentro do possível para uma Kardashian) e muitos pensaram que usava um vestido novo com a aura de Gaultier. Na verdade, a influencer voltou a revisitar um clássico da história da Moda, depois de ter desencantado (e destruído?) o vestido de Marilyn Monroe, quando se apresentou na última Met Gala.

North West e Kim Kardashian assistem ao desfile Haute Couture outono/inverno 2022/23 de Jean-Paul Gaultier durante a semana da Moda de Paris, 6 de julho de 2022
North West e Kim Kardashian assistem ao desfile Haute Couture outono/inverno 2022/23 de Jean-Paul Gaultier durante a semana da Moda de Paris, 6 de julho de 2022 Foto: Getty Images

Kim Kardashian escolheu desta vez um clássico desenhado por Jean Paul Gaultier, e usado por Madonna em 1992 – se não era o mesmo, era idêntico. Mas ao contrário de Madonna, Kim tapou os seios que se revelavam na silhueta original. Passaram-se quase 30 anos desde a gala de beneficência organizada pela amFar (tinha o objetivo de sensibilizar e recolher fundos na luta contra a SIDA) em que a cantora usou o icónico vestido. Vivia-se o momento mais dramático da pandemia, pelo mundo morriam milhares de pessoas e muitos líderes mundiais recusavam abordar o tema da doença, que continuava a esbarrar no preconceito, atrasando, assim, um eventual tratamento ou cura. Jean-Paul Gaultier organizou então o evento em Los Angeles, onde desfilaram inúmeras personalidades como a atriz Faye Dunaway ou o cantor Billy Joel. Madonna fechou o desfile e chocou o mundo.

Perante uma audiência de 6 mil pessoas, a cantora fez aquilo que Kim não foi capaz de fazer em 2022. Atravessou a passerelle tapada com um casaco masculino, e à boca de cena, com público em delírio, despiu-se revelando os seios. Não tinha qualquer tipo de tecido para os cobrir.


Os jornais, na altura, ditaram o fim da sua carreira, tinha ido longe demais por se exibir daquela forma. A cantora começava apenas a introduzir um dos seus trabalhos mais controversos, um mês depois seria lançado o livro sobre as suas fantasias sexuais, Sex (1992) fotografado por Steven Meisel. Madonna celebrava assim o corpo feminino, falava de sexualidade hétero ou homossexual em prime-time.

Madonna revela os seios durante desfile de Jean-Paul Gaultier em Los Angeles, 24 de setembro de 1992
Madonna revela os seios durante desfile de Jean-Paul Gaultier em Los Angeles, 24 de setembro de 1992 Foto: Getty Images

Ontem ao ver a reinterpretação de Kim Kardashian de uma silhueta tão icónica a questão surgiu de forma natural. Em 2022 os mamilos de uma mulher continuam a chocar o mundo? Porque continua o Instagram a censurar as imagens que descobrem o peito feminino? Terá sido por isto que Kim se tapou, ela a mulher mais fotografada atualmente, despindo-se sem revelar o corpo todo? E que narrativa tenta a influencer contar? Apropriando-se de silhuetas tão icónicas como as de Marilyn ou Madonna, o mundo superficial onde se move Kim procura conteúdo.

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