Paula de Magalhães: "Achava impossível furar o mercado da representação. Lisboa parecia-me muito grande e distante"
De Vizela para a capital com um sonho na bagagem, Paula formou-se em Enfermagem Veterinária, profissão que exerceu durante dois anos até que um namoro breve com um ator acordou uma vontade que guardava desde a infância: queria ser atriz. Despediu-se, largou tudo, e rumou à capital. Com 32 anos, vimo-la pisar o palco dos Globos de Ouro.
O que querias ser quando eras criança?
Sonhava ser uma exploradora do BBC Vida Selvagem. O mundo animal sempre me fascinou e queria muito andar pelos cantos mais recônditos do planeta a observar e a estudar espécies.
Ter irmãos moldou-te de que formas?
Ser irmã do meio foi um pouco ingrato. Por um lado, não podia fazer as mesmas coisas que o meu irmão mais velho. Mas também não era tão mimada como a minha irmã mais nova [a atriz e influenciadora digital Bruna de Magalhães]. Acho que todos os irmãos do meio concordam que é uma posição difícil de ocupar. Porém, ser irmã mais velha da minha irmã, com quem tenho uma ligação mais forte e profunda, foi incrível. Somos muito diferentes e aprendemos muito uma com a outra. Ela tem vários aspetos que me fascinam e que admiro. Fazemos muitas aventuras.
Estudaste e exerceste Enfermagem Veterinária. Por que motivo não te atiraste logo para a representação?
Durante a minha infância, em Vizela, não acreditava ser possível furar o mercado da representação, ter sucesso e fazer vida disso. Lisboa parecia-me muito grande e distante. Para piorar, os meus pais nunca gostaram da capital e, por isso, não vínhamos cá, o que tornava tudo ainda mais assustador. Quando chegou a altura de ir para a universidade, optei por uma área segura, dita normal. Naquela altura, ser atriz não era mesmo uma opção.
O que é que os 30 te trouxeram que não tinhas nos 20?
Adorei fazer 30 anos. Sempre pareci mais nova - e continuo, fisicamente, a parecer - então, era comum ser tratada com condescendência. Cheguei a passar por uma crise, aos 25 anos, por sentir que estava presa num corpo de adolescente. Quando fiz 30 assumi a minha força. Foi como se me tivesse afirmado pela primeira vez como muIher, deixando a menina de lado. Os 30 deram-me muita confiança, acima de tudo.
A ideia de envelhecer assusta-te?
Não, mas não vou negar que quero fazê-lo bem. Sou muito consciente em relação à minha saúde, à importância de comer bem e de ter hábitos saudáveis. O nosso corpo é o nosso templo, e tratá-lo mal é autodestrutivo. Não suporto essa ideia porque gosto muito de mim. Estou curiosa para vir a conhecer as minhas versões futuras. Enquanto atriz, a idade só me vai enriquecer.
Quais são os teus maiores medos?
Tenho medo de chegar a velhinha e perceber que não fui feliz. Fui uma criança responsável, mas rebelde. Essa rebeldia veio de saber bem o que queria. Deixei muito poucas vezes que me influenciassem. Sou apaixonada e intensa. Gosto de viver a vida dessa forma, faz-me sentir viva. Tenho medo de, um dia, desapaixonar-me da vida. E tenho medo da solidão, também. É o meu bicho-papão da velhice.
Quais são os teus passatempos preferidos?
Adoro estar na natureza, fazer caminhadas. Sinto-me muito tranquila quando vou para Sintra, adoro as praias de Colares. Também gosto de maratonas de filmes: um fim de semana fechada em casa a ver filmes no sofá, com pijama e manta, a chover lá fora e a encomendar comida.
Numa sexta-feira à noite, preferes convívio com amigos ou ver filmes no sofá?
Ver um filme no sofá, sem dúvida. Sempre fui muito caseira e agora estou ainda mais. Sou Caranguejo de signo e adoro conforto. No limite, gosto de conviver na casa de amigos.
O que mais te entusiasma no futuro?
Não sou muito de pensar no futuro mais distante. Não sei como será a minha vida daqui a 10 anos. Acho que o mais difícil, hoje, é viver o presente. As pessoas estão muito focadas ou no passado - a viver e a reviver traumas -, ou no futuro. Prefiro viver em tempo real. Aproveitar o dia de hoje e planear o amanhã com disponibilidade para o imprevisto.
Créditos:
Realização de Maria Nobre.
Fotografia de Luís Gala.
Maquilhagem de Mariana Mauger da Cunha.
Cabelos de Eric Ribeiro.
Entrevista originalmente publicada na edição de aniversário da Máxima, novembro de 2025.
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