O envelhecimento da pele começa antes das rugas e a ciência já sabe porquê
Muito antes de as rugas surgirem, os genes da juventude da pele podem tornar-se menos ativos. A Eucerin acaba de lançar um sérum que atua onde tudo começa.
Se é mulher e tem cerca de 40 anos ou mais, é possível que um dia acorde com uma estranha sensação de desconforto no braço. O mais provável é que pense que deu um jeito, fez algum esforço ou bateu nalgum sítio e não se lembra. “Tudo bem,” pensará, “isto há-de melhorar em breve.” Só que não melhora. Passado uma semana ou duas, é possível que comece a esfregar o braço com pomadas à base de arnica, hortelã, mentol e afins, e a ponderar se será melhor aplicar gelo ou calor (calor é a resposta certa). Pesquisa e depara-se com uma maleita chamada frozen shoulder, ou ombro congelado. Tem algumas semelhanças com o seu caso, como o facto de ter surgido do nada, de ser mais comum em mulheres e de encaixar na sua faixa etária, mas o sintoma mais comum é algo de que, felizmente, não se pode queixar: as mulheres deixam de conseguir apertar e desapertar o próprio sutiã porque não conseguem elevar a mão até ao meio das costas.
Aos poucos, porém, é precisamente nesse cenário que se encontra. A mão, na verdade, mal passa da cintura. Para pôr creme nas costas, conta agora apenas com a sua outra mão ou com a boa vontade de terceiros. A mobilidade diminui à medida que a dor vai aumentando. Não uma dor constante, mas uma dor aguda e forte, que, curiosamente, se manifesta mais no braço do que propriamente no ombro, e que surge cada vez que tenta fazer um movimento que já não está ao seu alcance. Como virar o braço para o lado, para pegar no telemóvel pousado no braço do sofá – agora tem de virar também o tronco; ou esticar o braço para agarrar um frasco de canela que está no fundo do armário da cozinha. Dia após dia, começa a duvidar se alguma vez voltará a ter o seu braço de volta – um braço que faça coisas e que não seja só para exibição. A dor é uma chatice, mas a falta de mobilidade é o que mais assusta.
Se se revê neste relato saiba que, de facto, o mais provável é que tenha frozen shoulder, algo que uma consulta de ortopedia seguida de uma ecografia ou ressonância magnética, confirmará. Por outro lado, também é possível que seja uma tendinite ou mesmo uma tendinite calcificante, razão pela qual é importante obter um diagnóstico. No caso do frozen shoulder, a boa notícia é que a condição tende a regredir e a desaparecer por completo ao fim de 24 meses, mas serão 24 meses duros de roer. O tratamento é essencial, em particular a fisioterapia, com exercícios feitos em casa, diariamente, para garantir que a mobilidade regressa por completo. É que, como diz a sabedoria popular, coisa que não se usa tende a “enferrujar”. Para sabermos mais sobre esta condição que afecta, maioritariamente, mulheres na meia idade e que está associada à diminuição dos níveis de estrogénio que ocorre durante a perimenopausa, falámos com Marco Barroso Oliveira, ortopedista especialista em ombro e cotovelo nos hospitais Trofa Saúde.
O que é o frozen shoulder (ombro congelado) e como se manifesta? Quais os sintomas?
O ombro congelado, denominado clinicamente como capsulite adesiva, consiste numa rigidez do ombro que se manifesta por dor progressiva, de predomínio nocturno e uma limitação também ela progressiva da mobilidade do ombro. Inicialmente, o agravamento e limitação da mobilidade é activo, isto é, a doente tem dificuldade em movimentar o ombro pela própria contracção muscular voluntária e que muitas vezes pode evoluir para o agravamento e limitação da mobilidade passiva, isto é, a doente tem dificuldade em movimentar o ombro utilizando uma ajuda/força externa – enfermeiro, médico, fisioterapeuta ou familiar. O primeiro achado no exame objetivo é a perda da rotação externa, o que se traduz muitas vezes na queixa: ”Doutor, não consigo rodar o braço para fora.” O exame complementar de diagnóstico gold-standard é a ressonância magnética, onde é evidente o espessamento da cápsula articular.
É verdade que é mais comum em mulheres do que em homens e que ocorre mais na faixa entre os 40 e os 60 anos? Porquê?
Sim, de facto e infelizmente, as mulheres são mais fustigadas por esta patologia, sobretudo entre os 40 e os 60 anos. A sua causa é desconhecida, mas está muito associada à imobilização prolongada na sequência de fratura, tendinite ou artrose do ombro, assim como outros fatores de risco como menopausa, diabetes, hipo ou hipertiroidismo, doença de Parkinson e doenças cardiovasculares.
Está relacionado com a perimenopausa e com a diminuição dos níveis de estrogénio?
Sim, a sua relação com a perimenopausa prende-se precisamente com a redução dos níveis da hormona estrogénio. Uma das propriedades desta hormona é atribuir ao tecido conjuntivo mais elasticidade e flexibilidade. Este tecido conjuntivo é um dos principais constituintes das estruturas que envolvem as articulações: tendões, ligamentos e cápsula articular. A diminuição ou ausência desta hormona aumenta a probabilidade de inflamação e rigidez destas estruturas e consequentemente dor e rigidez do ombro.
Tem tratamento? Qual? Quanto tempo demora a melhorar?
É uma doença autolimitada que pode durar até 24 meses. Claro está, que as mulheres mesmo tendo uma capacidade extraordinária de luta e resiliência, durante este período devem ter qualidade de vida, pelo que a recuperação da mobilidade deve ser realizada com o máximo de conforto e a menor dor possível. O tratamento é conservador e assenta na fisioterapia complementada com exercícios harmoniosos e repetitivos em casa. Associado a este tratamento, as pacientes devem cumprir um ciclo de analgésico e anti-inflamatório. Pode haver lugar ao recurso à infiltração articular do ombro com corticóide e/ou anestésico, no entanto o seu uso deve ser ponderado e discutido com a paciente. No caso de falência do tratamento conservador após três a seis meses, poderá ser proposto cirurgia que consiste em:
a) Artroscopia do ombro – uma técnica minimamente invasiva para libertar os tecidos (cápsula, tendões e ligamentos) que estão mais espessados e que são responsáveis pela rigidez da articulação;
b) Manipulação sob anestesia – de uma forma suave, controlada e segura, mobiliza-se o ombro até atingir o arco de movimento completo.
Quais as diferenças entre frozen shoulder, tendinite calcificante ou outras tendinites? Como é que a paciente pode saber como enquadrar as suas queixas?
A tendinite e a tendinite calcificante correspondem a uma inflamação tendinosa, sendo que na tendinite calcificante, devido a uma resposta anómala do metabolismo do tendão, ocorre uma deposição de cristais de fosfato de cálcio, o que, por sua vez, causa uma espécie de reacção tipo “corpo estranho”, que cursa com mais dor e incapacidade funcional, do que uma “simples” tendinite. Ambas se caracterizam por dor de predomínio nocturno, sendo essa a grande diferença para o frozen shoulder, nesta patologia, a dor é persistente durante o dia e durante a noite. Cerca de 5% dos pacientes com tendinite calcificante podem regredir para um frozen shoulder.
Depois de um episódio de frozen shoulder as mulheres recuperam completamente a mobilidade e amplitude de movimentos? Ou podem ficar com sequelas?
As mulheres são uma “força da natureza”, os estudos de referência indicam-nos que a recuperação é completa e raramente deixa sequelas.
A terapia de substituição hormonal pode ajudar nestes quadros?
A terapia hormonal de substituição não resolve o quadro de frozen shoulder, o seu principal papel nesta patologia é o da prevenção e efeito protetor, conferindo maior elasticidade aos tecidos.