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O melhor da alta relojoaria mostra-se em Genebra

Em Genebra, o Salão Watches and Wonders está a mostrar o que de melhor e mais belo se está a produzir na área da Alta Relojoaria e Joalharia. Para consumo de uma pequena elite e deleite estético dos outros. Por Maria João Martins, em Genebra.

Foto: Cartier no Watches & Wonders em Geneva. Getty Images
01 de abril de 2022 Maria João Martins

Marcam a passagem do tempo e, no entanto, nada resiste tão bem a modas e mudanças sociais e políticas como um bom relógio de pulso. Num mundo de apps para tudo o que se possa imaginar, essas maravilhas mecânicas que são as peças de alta relojoaria despertam autênticas paixões, como se pode ver até ao próximo domingo, no salão Watches and Wonders, que está a decorrer em Geneva.

Organizado pela Fondation de la Haute Horlogerie, com sede nesta cidade suiça, o evento assinala, depois de dois anos de pandemia, o regresso ao formato presencial e talvez, por isso, reúne, sob o mesmo tecto, algumas das marcas mais importantes do segmento de relógios de luxo, como a Rolex, Patek Philippe, Tag Heuer, Jaeger-Le Coultre, Zenith, Piaget, Seiko, Tudor, mas também as de moda e joalharia que também trabalham o setor, como Chanel, Bulgari, Van Cleef & Arpels, Cartier, Chopard, etc. Em clima de grande entusiasmo, estão a ser lançadas algumas das novidades mais vibrantes destas e outras marcas, a que não será estranho o facto da relojoaria de luxo viver um dos melhores momentos da sua História recente. No ano passado, o mercado global de relógios suíços movimentou 22,3 bilhões de francos em valor de exportações, segundo o relatório anual do Morgan Stanley com a consultoria suíça Luxe Consult. 

Chopard.
Chopard. Foto: Getty Images

Embora este seja, antes de mais, um evento profissional e uma montra para as grandes marcas, a componente artística e criativa da arte da relojoaria não foram negligenciadas. Entre outras iniciativas, o Watches and Wonders apresenta, em preview, a exposição "Time Design", que estará patente na Pont de La Machine de 14 de Abril a 8 de Maio, proporcionando ao visitante uma viagem através da História do fabrico da relojoaria desde o século XVII à atualidade. Em espaços concebidos pelos estudantes da Lausanne Art School, os visitantes poderão apreciar quase uma centena de peças que marcaram a história da relojoaria. Mas nem só de passado, por mais glorioso que seja, vive esta mostra. Os estudantes da Geneva Art and Design School apresentam cinco trabalhos que têm como propósito questionar o futuro desta área num mundo tão digitalizado como o nosso.

Cartier
Cartier Foto: Getty Images

Como a Suiça se tornou a capital mundial da Relojoaria

O relógio mecânico, que dominou o mundo até ao final da década de 1970 (altura em que apareceram os primeiros modelos electrónicos), é um produto do Renascimento europeu. Calculam os estudiosos do tema que tenha surgido mais ou menos em simultâneo em França, Itália e Alemanha pela mesma época em que a frota comandada por Cristóvão Colombo chegava à América. Em pouco tempo, os poderosos da Europa chamaram sua à invenção: Em 1518, o rei Francisco I de França gastava uma fortuna em dois relógios e, décadas mais tarde, seria a vez de Isabel I de Inglaterra ordenar a criação de um anel com relógio, com sistema de despertador incluído.

Van Cleef & Arpels
Van Cleef & Arpels Foto: Getty Images

Mas estes monarcas de tamanhos caprichos também podiam ser tirânicos: A perseguição aos huguenotes em França (seguidores do protestantismo, sobretudo da via calvinista) levaram muitos profissionais da relojoaria a abandonar o país, trocando-o pela vizinha Suiça. 

Inicialmente, a produção de relógios ficou concentrada sobretudo em Genebra. Mas , em pouco tempo, estes profissionais ultrapassaram a cordilheira do Jura e espalharam-se por outras regiões. Em Neuchâtel, desde o século XVII, criaram-se autênticas dinastias dedicadas ao fabrico de relógios de bolso e de instrumentos profissionais, a que se associaram mais tarde os relógios de pêndulo. Com a industrialização da Europa e Estados Unidos, a concorrência cresceu. A Suiça teve, pois, que apostar na inovação. Foi, assim, que nos anos de 1920, a Rolex concebeu o primeiro relógio à prova de água, enquanto no ano de 1926 em Grenchen, no cantão de Soleura, foi produzido o primeiro relógio de pulso automático. 

Patek Philippe
Patek Philippe Foto: Getty Images
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