Entre espelhos e intenções. A Máxima com Matilda, nos bastidores do lançamento de “Meu Norte”
Cantar sobre sentimentos? Obviamente cool.
Nos bastidores, Matilde move-se com a naturalidade de quem sabe exatamente onde está - mesmo quando canta sobre a dúvida. Entre luzes prateadas, tecidos que refletem como constelações e uma presença serena mas magnética, a artista portuguesa apresenta-se como uma estrela-guia contemporânea: luminosa, intuitiva e profundamente ligada à emoção. Meu norte não é apenas um novo single - o terceiro que antecipa o seu álbum de estreia. É uma declaração de identidade.
Crescer rodeada de música nunca foi um peso, mas um chão. O legado de Carlos do Carmo existe, claro, mas vive nela sobretudo como memória afetiva, como colo e não como comparação. Matilde/a carrega essa herança com leveza, escolhendo outro idioma sonoro: um pop melodioso com contornos de r&b, feito de confissões suaves e verdades que nos atravessam a todas. Canções sobre amor, sobre perder o rumo, sobre aquelas pessoas que funcionam como bússola quando tudo à volta parece desfocado.
Nestes momentos captados em behind the scenes, vê-se mais do que uma artista a preparar um lançamento. É uma miúda cool, segura da sua visão estética, que entende a imagem como extensão da música. Vestida de prateado, quase etérea, Matilda encarna a metáfora da Estrela Polar: aquela que não impõe caminhos, mas indica direções. E talvez seja isso que a torna tão relevante no presente da música portuguesa, capacidade de iluminar sem ofuscar, de ser norte sem nunca deixar de ser humana.
Quem guia o caminho
Como em qualquer constelação, chegar ao nosso norte é mais fácil quando não estamos sozinhos. Cada estrela que nos guia - uma amiga, uma família, uma colaboração - forma juntos o mapa que nos orienta. É essa rede de afetos e criatividade que ilumina Meu Norte para além da música.
No lançamento do single, essa luz tomou forma física: a joalheira Juliana Bezerra criou uma peça única, inspirada na Estrela Polar e na estética prateada de Matilda, transformando a simbologia de orientação e afeto em talismã contemporâneo. E não foram sozinhas: a parceria de longa data com Francisca Cabral, conhecida como Maria Morango, tornou-se um motor criativo essencial. Da amizade nasceu a direção artística que transforma cada detalhe do lançamento em experiência visual e emocional.
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