De há oito anos para cá, começou a fixar-se em Lisboa uma teia invisível que cria ligações entre artistas, músicos, empresários da restauração e todo o tipo
de personalidades que se movem nos círculos culturais da
capital. Cities Without Houses (CWH) é a rede global da
Soho House que abrange mais de 80 cidades, facilitando
conexões entre criativos, sem o compromisso de instalar
um espaço permanente. “Esta abordagem dá-nos flexibilidade para crescer de forma orgânica e criar uma comunidade diversificada, inclusiva e talentosa em novos destinos onde vemos potencial para abrir uma Soho House”,
explica, à conversa com a Máxima, Katrin Schlieter, head of
Memberships do projeto.
São 47 as “casas” que a Soho House tem atualmente espalhadas pelo globo, em cidades como Londres, Nova Iorque,
Banguecoque e Istambul. Com a CWH, o objetivo passa por
conectar profissionais de áreas criativas que estão fixados
em locais onde não há uma Soho House. “A adesão a esta
rede global dá aos nossos membros CWH acesso às Soho
Houses que existem globalmente quando viajam”, esclarece Katrin. “Localmente, junta-os através de eventos culturais.” Na capital portuguesa, esses encontros acontecem uma a três vezes por mês, entre atividades organizadas no âmbito de eventos culturais de grande dimensão
– como a Arco Lisboa – e momentos que reúnem a comunidade em alguns dos locais mais cool do circuito.
“Sou apaixonada por criar experiências únicas, de uma
só noite, que os nossos membros realmente apreciem e
recordem para o resto da vida”, partilha Katrin Schlieter.
“Muitas vezes, fechamos parcerias com criativos e marcas locais para dar vida ao espírito Soho House através de
eventos de música, bem-estar, arte e moda.” Esses momentos especiais podem assumir vários formatos: jantares, performances ao vivo, conversas, workshops, retiros
de fim de semana – recentemente, aconteceram dois,
em Barcelona e Mykonos. Voltando o foco para a capital
portuguesa, durante a Arco Lisboa a CWH organizou um
jantar privado em parceria com a galeria Her Clique e a
artista Marie Tomanova. Ao longo destes oito anos, e com
mais de 80 cidades na teia, foram muitos os momentos
memoráveis da CWH. Katrin recorda, entre outros, uma
intervenção de Marina Abramovic no Dubai e um takeover
do Old Clare Hotel, em Sidney, durante o festival South by
Southwest 2023.
Com comunidades a crescer em destinos tão distintos
como Milão, Bogotá ou Cidade do Cabo, como se gere a
presença internacional da CWH? “Temos gestores regionais”, esclarece. “Em cada cidade, trabalhamos com um
contacto local dedicado, alguém profundamente enraizado na área, com uma compreensão íntima do panorama criativo da cidade.” Esses gestores desempenham um
papel crucial, sublinha, ao ligarem a teia global às redes
locais, formando comunidades autênticas no terreno.
Também são eles que fazem a curadoria dos eventos e
dos membros que aderem à comunidade, para garantir
“a consistência” dos valores da Soho House, refletindo, simultaneamente, “a cultura distinta de cada cidade”.
Sobre os planos para o futuro em Lisboa, a head of Memberships prefere não comentar as perspetivas de um espaço permanente da Soho House, deixando as possibilidades em aberto. Mas aproveita para lançar o desafio aos
criativos que vivem na cidade. “Se quiserem fazer parte
deste universo e conhecer pessoas interessantes, o Cities
Without Houses é uma adesão verdadeiramente única.”
Uma porta de entrada para um mundo em que a criatividade não tem morada fixa – mas tem sempre onde se
encontrar.