A casa cool que não aparece no Google Maps

Há uma comunidade criativa a crescer na capital sem morada fixa, mas com ligações que se estendem por mais de 80 cidades. A "Cities Without Houses", rede global da Soho House, tem vindo a tecer uma presença invisível - mas cada vez mais relevante - na cena cultural.

Comunidade criativa em Lisboa encontra ponto de encontro na rede global Soho House Foto: DR
08 de janeiro de 2026 às 16:58 Maria Salgueiro

De há oito anos para cá, começou a fixar-se em Lisboa uma teia invisível que cria ligações entre artistas, músicos, empresários da restauração e todo o tipo de personalidades que se movem nos círculos culturais da capital. Cities Without Houses (CWH) é a rede global da Soho House que abrange mais de 80 cidades, facilitando conexões entre criativos, sem o compromisso de instalar um espaço permanente. “Esta abordagem dá-nos flexibilidade para crescer de forma orgânica e criar uma comunidade diversificada, inclusiva e talentosa em novos destinos onde vemos potencial para abrir uma Soho House”, explica, à conversa com a Máxima, Katrin Schlieter, head of Memberships do projeto.

São 47 as “casas” que a Soho House tem atualmente espalhadas pelo globo, em cidades como Londres, Nova Iorque, Banguecoque e Istambul. Com a CWH, o objetivo passa por conectar profissionais de áreas criativas que estão fixados em locais onde não há uma Soho House. “A adesão a esta rede global dá aos nossos membros CWH acesso às Soho Houses que existem globalmente quando viajam”, esclarece Katrin. “Localmente, junta-os através de eventos culturais.” Na capital portuguesa, esses encontros acontecem uma a três vezes por mês, entre atividades organizadas no âmbito de eventos culturais de grande dimensão – como a Arco Lisboa – e momentos que reúnem a comunidade em alguns dos locais mais cool do circuito.

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“Sou apaixonada por criar experiências únicas, de uma só noite, que os nossos membros realmente apreciem e recordem para o resto da vida”, partilha Katrin Schlieter. “Muitas vezes, fechamos parcerias com criativos e marcas locais para dar vida ao espírito Soho House através de eventos de música, bem-estar, arte e moda.” Esses momentos especiais podem assumir vários formatos: jantares, performances ao vivo, conversas, workshops, retiros de fim de semana – recentemente, aconteceram dois, em Barcelona e Mykonos. Voltando o foco para a capital portuguesa, durante a Arco Lisboa a CWH organizou um jantar privado em parceria com a galeria Her Clique e a artista Marie Tomanova. Ao longo destes oito anos, e com mais de 80 cidades na teia, foram muitos os momentos memoráveis da CWH. Katrin recorda, entre outros, uma intervenção de Marina Abramovic no Dubai e um takeover do Old Clare Hotel, em Sidney, durante o festival South by Southwest 2023.

Com comunidades a crescer em destinos tão distintos como Milão, Bogotá ou Cidade do Cabo, como se gere a presença internacional da CWH? “Temos gestores regionais”, esclarece. “Em cada cidade, trabalhamos com um contacto local dedicado, alguém profundamente enraizado na área, com uma compreensão íntima do panorama criativo da cidade.” Esses gestores desempenham um papel crucial, sublinha, ao ligarem a teia global às redes locais, formando comunidades autênticas no terreno. Também são eles que fazem a curadoria dos eventos e dos membros que aderem à comunidade, para garantir “a consistência” dos valores da Soho House, refletindo, simultaneamente, “a cultura distinta de cada cidade”.

Sobre os planos para o futuro em Lisboa, a head of Memberships prefere não comentar as perspetivas de um espaço permanente da Soho House, deixando as possibilidades em aberto. Mas aproveita para lançar o desafio aos criativos que vivem na cidade. “Se quiserem fazer parte deste universo e conhecer pessoas interessantes, o Cities Without Houses é uma adesão verdadeiramente única.” Uma porta de entrada para um mundo em que a criatividade não tem morada fixa – mas tem sempre onde se encontrar.

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