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Moda / Tendências

Altos, ridículos e nostálgicos: os wedge sneakers estão de volta

Ups, we did it again. Mais uns ugly shoes para juntar à coleção (ou, dependendo da idade, ir só buscar ao armário).

Converse x Vaquera XXHi Slouch Wedge Chucks
Converse x Vaquera XXHi Slouch Wedge Chucks Foto: DR
02 de janeiro de 2026 às 16:01 Patrícia Domingues

E sim, continuam a dividir opiniões. Aqueles ténis com salto escondido que prometem altura sem sacrificar o conforto regressam com força, e eu confesso: vivi para isto. No início dos 20 usei a versão da Zara - e, como tudo o que é falso, fizeram-me sentir cinco centímetros mais alta, dez vezes mais cool e, no fundo, perfeitamente consciente de que estava a investir na minha própria ilusão. Mas that was so fetch

Tudo começou em 2011, quando Isabel Marant lançou o Bekett, um high-top com velcro, língua exagerada e um wedge escondido de 8 centimetros. Resultado? Filas de espera de seis meses, celebridades como Rihanna e Kim Kardashian a desfilar com eles, e um videoclip icónico de Beyoncé em Love On Top. Contexto: na altura, as sabrinas eram consideradas sem graça e os sneakers de luxo ainda eram novidade. O Bekett apresentou-se não só como um sapato, mas como uma declaração de estilo. E, sim, também era um bocadinho ridículo - o que o tornou ainda mais irresistível. Zendaya também se rendeu e hoje as suas primeiras publicações no Instagram são quase memes nostálgicos. 

Os anos 2010 eram exagerados, aleatórios e estranhamente encantadores. Tumblr, selfies lo-fi, Instagram ainda a tentar perceber-se, tudo contribuía para uma estética despreocupada e divertida. Hoje, quando revisitamos essa era, sentimos (sinto?) falta do que era menos curado e mais espontâneo. Os wedge sneakers ressurgem como um lembrete de quando a internet era mais sobre diversão do que sobre métricas. Lembrem-se, alphas e z’s: alguém teve de andar para que vocês hoje corram com os vossos wedge sneakers. E, desculpem-me trazer isto à tona, mas nós, millennials, tivemos a sorte de crescer sem conhecer totalmente o conceito de cringe… ou, pelo menos, antes de tudo ficar para sempre na internet. 

Converse x Vaquera XXHi Slouch Wedge Chucks
Foto:

Marant reeditou o Bekett em 2021, mas é em 2025 que o wedge sneaker volta verdadeiramente à ribalta. Outras marcas entraram na onda: no final do ano passado, a PUMA transformou o Speedcat clássico num wedge de inspiração motorsport; a Converse uniu-se à Vaquera e exagerou o Chuck Taylor em algo familiar e, ao mesmo tempo, estranho. E se Beyoncé pôs o seu amor pelos wedges sneakers no top, em 2011, agora é Blue Ivy, aos 13 anos, a provar que a reinvenção também pode ser vintage: os mesmos ténis, cargo jeans, mini carteira de strass e óculos finos. Mais Y2K do que isto, impossível. 

Converse x Vaquera XXHi Slouch Wedge Chucks
Beyoncé no videoclip de Love on Top (2011) Foto: DR
Converse x Vaquera XXHi Slouch Wedge Chucks
Jay-Z e Blue Ivy assistem a jogo dos Lakers em LA Foto: Getty Images

O regresso dos wedge sneakers não se explica apenas por ciclos da moda ou tendências económicas (apesar de a indústria adorar isso). Podia nem se explicar de todo, mas se tiver de nomear culpados, aponto para a nostalgia. É lembrarmo-nos de quando tínhamos 17, 20 anos e a vida online era divertida, aleatória e um pouco ridícula. Os wedge sneakers carregam essa memória. E mais: não são apenas um regresso à moda dos anos 2010, são a prova de que tudo é cíclico. O que era vulgar agora é cool, o que era exagerado agora é statement, e, no meio de tanta reinvenção, aprendemos que as nossas decisões de vida - mesmo as mais absurdas ou ridículas na altura - podem, afinal, fazer sentido. São oito centímetros de esperança, um passo de cada vez. 

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