Francisca Nabinho apresenta "LUCKY" na ModaLisboa: "Vestir pode ser uma forma de explorar a identidade"

Antes de sabermos exatamente quem somos, muitas vezes começamos por experimentar através da roupa. É esse momento inicial - livre, intuitivo e cheio de tentativas - que inspira a nova coleção da designer portuguesa.

Francisca Nabinho apresenta coleção "LUCKY" na ModaLisboa Foto: Francisca Nabinho
13 de março de 2026 às 21:00 Safiya Ayoob

No âmbito da edição Pebbling da ModaLisboa, conversámos com Francisca Nabinho sobre LUCKY, a nova coleção que apresenta nesta temporada e sobre a qual partilhou com a Máxima um primeiro olhar em exclusivo. Partindo da ideia de que a roupa pode ser um dos primeiros espaços de descoberta da identidade, a coleção explora o momento inicial em que o gosto ainda está a formar-se e o vestir se torna um gesto de experimentação e liberdade.

Ao longo do desfile, essa narrativa evolui: as silhuetas passam de um registo mais intuitivo e exploratório para uma linguagem mais definida e segura, acompanhando também o amadurecimento da própria marca. A coleção integra ainda colaborações especiais, entre as quais a reinterpretação da filigrana portuguesa com a Joalharia do Carmo, que transporta uma técnica tradicional para um novo contexto criativo dentro do universo da coleção.

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Modelo veste criação de Francisca Nabinho com botas amarelas e detalhes em azul Foto: Francisca Nabinho

Podes falar-nos um pouco sobre a nova coleção que apresentas nesta edição da ModaLisboa? Qual é o ponto de partida conceptual?

Esta coleção fala sobre aquele momento em que começamos a descobrir quem somos através da roupa. Quando ainda estamos a experimentar tudo, sem muitas regras. Gosto dessa fase porque é muito livre e intuitiva. Ao longo do desfile, essa ideia vai evoluindo: os looks começam por ser mais experimentais e vão-se tornando mais claros e seguros.

Pebbling fala de pequenos gestos que criam ligação. Que sensações esperas que as tuas peças transmitam?

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Liberdade, sobretudo. A ideia de que vestir pode ser uma forma de explorar e brincar com a identidade, sem ter tudo totalmente resolvido. Espero que as peças transmitam uma sensação de liberdade e de curiosidade.

Coroa de estrelas inspira coleção "LUCKY" de Francisca Nabinho na ModaLisboa Foto: Francisca Nabinho

Que referências influenciaram o teu processo criativo desta vez?

Foi um processo muito intuitivo e pessoal. Interessa-me muito esse momento em que o gosto ainda está a formar-se. Ao mesmo tempo, tento sempre trabalhar a partir de técnicas ou linguagens mais tradicionais e depois desconstruí-las ou colocá-las num contexto inesperado. Nesta coleção fiz isso com a Joalharia do Carmo, reinterpretando a filigrana portuguesa dentro do universo da coleção.

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“It takes a village” para criar uma coleção. Quem é a tua aldeia?

As pessoas que me acompanham no processo criativo: família, amigos, colegas, fornecedores. Nesta coleção também houve colaborações muito especiais: a Joalharia do Carmo, com quem trabalhei a filigrana, e a Helena Mar, que desenvolveu o calçado do desfile.

Francisca Nabinho posa com um look moderno e arrojado Foto: Francisca Nabinho

Quais foram os momentos mais conturbados desta coleção?

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Quando tens muitas ideias ao mesmo tempo e precisas de perceber quais fazem realmente sentido juntas.

E os mais felizes?

Quando começo a ver as peças juntas e percebo que a coleção está finalmente a ganhar forma.

Produção de brincos com zircónias brancas, rosa e roxo Foto: Francisca Nabinho

Que materiais ou técnicas marcaram esta coleção?

Era importante para mim que tudo fosse original: roupa, calçado e joias. A filigrana feita à mão tem um papel muito especial porque traz a tradição para um contexto completamente diferente.

Que silhuetas definem esta coleção?

No início são mais livres e experimentais. Depois tornam-se mais definidas e seguras. A coleção acompanha esse crescimento.

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Francisca Nabinho cria joias para a Moda Lisboa 2026, unindo a tradição do Carmo ao design moderno Foto: Francisca Nabinh

Qual é o teu momento preferido do desfile?

Quando o público começa a perceber a história que o desfile está a contar.

Qual é, para ti, o propósito de um desfile hoje?

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Contar uma história e criar um universo.

Francisca Nabinho exibe um conjunto de losangos castanhos Foto: Francisca Nabinho

Como destacar uma marca no meio de tanto ruído?

Tendo um ponto de vista claro e não tendo medo de experimentar.

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Como vês a moda portuguesa neste momento?

Muito viva. Há uma geração nova muito interessante e Portugal tem algo muito forte: a ligação entre criatividade e saber fazer. Ao mesmo tempo, também é um meio difícil e nem sempre conseguimos fazer tudo aquilo que gostaríamos, seja por falta de recursos ou de estrutura. Mas é precisamente isso que também torna tudo entusiasmante: fazer parte de uma área que ainda está a crescer e juntar-me a outras pessoas com vontade de criar, experimentar e fazer diferente dentro de uma indústria que continua a desenvolver-se em Portugal.

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