Moda

“Grotescamente falsas”, Alexander Wang responde às acusações de assédio sexual

O designer que viu o seu nome envolvido num escândalo sexual ainda antes de 2020 acabar, quebrou o silêncio ao fim de dias. Para além de negar qualquer uma das múltiplas acusações de que é alvo, promete responsabilizar quem as originou e disseminou via online.

05 de janeiro de 2021 | Marta Vieira

Mesmo no final de 2020, o universo da Moda assistiu a mais um escândalo de cariz sexual, oriundo e propagado nas redes sociais. Alexander Wang,37 anos, conceituado criador norte-americano, foi acusado de agressão sexual em vários depoimentos. Agora, vem a público afirmar a sua inocência, negando as acusações de que é alvo. Ainda assim, o debate sobre a falta de transparência na indústria está aberto – novamente.

Tudo começou quando o modelo britânico Owen Mooney publicou posts no TikTok e Instagram onde afirma ter sido alvo de agressão sexual numa discoteca em Nova Iorque, em 2017. Na ocasião, teria sido apalpado na zona íntima por um designer muito famoso, algo que o deixou paralisado. Mais tarde, toda a internet percebe tratar-se de Alexander Wang.

Entretanto, o post de Mooney foi amplificado pela Shit Model Management, que nos dias seguintes transmitiu nos seus stories acusações semelhantes contra o criador, sobretudo de denunciantes que preferiram manter o anónimato. Um alcance ainda maior foi atingido quando a conta de Instagram Diet Prada ­– com 2,4 milhões de seguidores e conhecida por denunciar irregularidades na indústria de moda – republicou estes mesmos posts, incluindo o de Mooney.

Grande parte dos incidentes terão ocorrido em clubes noturnos, com relatos de recorrência a drogas e álcool para obtenção de vantagem sexual, por parte do designer, como avança o Bussines of Fashion, que terá falado com cinco homens diferentes. Os denunciantes são na sua maioria modelos masculinos e também transgénero, como a modelo Gia Garson que afirmou ao The Guardian ter sido abusada sexualmente por Wang na mesma festa relatada por Mooney.

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O designer vem agora defender-se em comunicado "Nos últimos dias, tenho recebido acusações infundadas e grotescamente falsas. Estas alegações foram ampliadas injustamente por contas nas redes sociais infames por postarem material difamatório e de fontes não divulgadas e/ou anónimas, sem nenhuma evidência ou qualquer verificação dos factos".

O criador afirma ter sido "enfurecedor" ver essas mesmas mentiras sobre si estarem a ser perpetuadas como verdades. Na mesma declaração afirma querer justiça. "Nunca me envolvi no comportamento atroz que tem sido descrito e nunca me comportei da forma que tem sido alegada. Pretento chegar ao fundo [da questão] e responsabilizar quem quer que seja responsável por originar essas reavindicações e dissiminá-las cruelmente online". Neste momento, o designer bloqueou os comentários da sua conta pessoal (@alexwangny) e da marca (@alexanderwangny) no Instagram.

Nenhuma ação judicial foi movida até agora por nenhuma das partes. Pensa-se que tal se deva à falta de meios financeiros para obtenção de representação legal por parte dos modelos. De qualquer forma, a The Model Alliance, organização sem fins lucrativos criada em 2012 para advogar por condições de trabalho mais justas e seguras para quem trabalha na indústria de moda, mostrou-se em solidariedade com os denunciantes de Wang. No essencial, critica a falta de transparência prepetuada por esta indústria criativa.

Recorde-se que Alexander Wang lançou a sua marca homónima em 2005, na altura com 22 anos obtendo enorme reconhecimento nos EUA e um pouco por todo o mundo. Chegou a estar à frente da direção criativa da Balenciaga, de 2012 a 2015, substituindo Nicolas Ghesquière e tem o seu nome associado a inúmeras colaborações, como com as gigantes H&M, Adidas ou mesmo Bulgari. Mostra-se próximo de celebridades como Bella Hadid, Dua Lippa ou Kendall Jenner e a sua marca sempre esteve muito associada à vida noturna

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