Celebridades

Kamala Harris: "sou a primeira mulher neste lugar, não serei a última"

Harris, a primeira mulher e a primeira mulher negra a ocupar o cargo de vice presidente dos EUA, dirigiu-se ao povo americano, às sufragistas que lutaram pelo direito de voto nas mulheres, à sua mãe, a Biden e à sua família, mas a maior mensagem foi para todas as mulheres americanas. Um discurso para o mundo.

Foto: Getty Images
08 de novembro de 2020 | Rita Silva Avelar
O dia 8 de novembro de 2020 ficará marcado para a história como o dia em que os EUA e o mundo voltaram a ter esperança. Com a eleição de Joe Biden para 46º presidente e de Kamala Harris para vice-presidente, ficam quatro anos para trás marcados pela liderança desesperante de Donald J. Trump, uma figura misógina, racista, sexista, narcisista e altamente deturpadora da realidade, que tornou o país mais violento e sombrio. 

A eleição de Kamala Harris para vice-presidente devolveu a esperança a uma parte do mundo, sobretudo ao dar finalmente alento às mulheres, que vinham a ser constantemente humilhadas pelo futro ex-presidente dos EUA através de medidas e comentários misóginos e depreciativos.

Kamala Harris, 56 anos, nasceu em Oakland, filha de pais imigrantes, ela indiana, ele jamaicano, e é uma mulher ativista e feminista: além de ter acompanhado muitas vezes os pais em manifestações políticas, juntou-se aos protestos pela morte violenta de George Floyd, por parte da polícia, protestos esses que ecoaram não só por toda América como pelo mundo.

Harris é a primeira mulher a ocupar este cargo na história do país e também é a primeira mulher negra e sul asiática americana a fazê-lo. Mas esta não foi a sua primeira conquista. Foi a primeira procuradora geral da Califórnia, e em 2016, tornou-se apenas a segunda mulher negra na história a ocupar um lugar no Senado. Com esta vitória, a sua alegria foi evidente ao primeiro minuto, e quis partilhá-la logo com o mundo de uma forma original. "Joe, nós conseguimos! És o próximo Presidente dos Estados Unidos da América" disse, entre gargalhadas, num vídeo que partilhou no Instagram enquanto fazia jogging logo de manhã, de fato de treino, assim que soube das boas notícias. 
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We did it, @JoeBiden.

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Mais tarde, num centro de convenções em Wilmington, Delaware, fez um discurso vitorioso que pôs praticamente toda a audiência em lágrimas, começando por recordar uma frase do já falecido congressista John Lewis, que se dedicou especialmente aos direitos civis dos afro-americanos: "Proteger a nossa democracia requer luta, e requer sacrifício. Mas há alegria nisso. E há progresso. Porque nós, o povo, temos o poder de construir um futuro melhor" disse, o que se traduz num alívio pelo país não ter perdido a Democracia às mãos de Donald Trump. Ao usar um fato totalmente branco homenageou as sufragistas que lutaram para que as mulheres pudessem votar.

Agradeceu aos membros da campanha, e a todos aqueles que se juntaram de forma incansável para contar os votos. "A nossa nação deve-lhes uma dívida de gratidão. Protegeram a integridade da nossa Democracia." E agradeceu ainda ao povo americano, por chegar a números de voto históricos, e por fazer "ouvir a sua voz." Não deixou de mencionar os últimos meses difíceis, de luta e de luto, que o país viveu devido à pandemia de Covid-19, mas sem nunca baixar os braços. "Por quatro anos vocês marcharam pela igualdade, pela justiça, pelas nossas vidas, e pelo Planeta. E depois, votaram. Escolheram esperança, união, decência, ciência e sim, verdade" disse, dirigindo-se a todos os americanos. Agradeceu ainda a Joe Biden, ao seu marido Douglas Emhoff, e a toda a sua família

Num momento de reflexão final e dedicado especialmente às mulheres, Harris recordou a sua mãe, Shyamala Gopalan Harris, que deixou a sua casa na Índia para a Califórnia em 1958, com apenas 19 anos. "Talvez ela não tenha imaginado bem este momento", disse Harris. "Mas ela acreditava tão profundamente numa América onde um momento como este é possível" disse. "Por isso estou a pensar nela, e nas próximas gerações de mulheres, mulheres negras, asiáticas, brancas, latinas, nativo americanas, que ao longo da história da nossa nação trilharam o caminho para este momento, esta noite. Mulheres que lutaram e sacrificaram tanto por igualdade, liberdade e justiça para todos" afirmou, dirigindo-se depois às lutas das sufragistas, as de há 100 anos e às da atualidade. Uma das frases que nos últimos meses partilhou com o mundo, sobre as aspirações que a sua mãe, que já faleceu, tinha para ela, foi precisamente a de que iria chegar longe. "Kamala, podes ser a primeira a fazer muitas coisas, mas certifica-te que não és a última" ter-lhe-á dito. Ei-la neste cargo, um dos mais altos na Casa Branca, pronta para começar a trabalhar, como fez questão de repetir várias vezes. 

Kamala Harris terminou com uma mensagem forte, ainda dirigida às mulheres, antes de Biden discursar. "Embora eu possa ser a primeira mulher neste lugar, não serei a última", disse Harris. "Porque cada pequena rapariga que [nos] observa esta noite vê que este é um país de possibilidades. E para as crianças do nosso país, independentemente do seu sexo, o nosso país enviou-lhe uma mensagem clara: sonhe com ambição, lidere com convicção e veja-se de uma forma que os outros possam não ver, simplesmente porque nunca o viram antes. E nós aplaudiremos cada passo do caminho", concluiu, entre os aplausos estridentes da multidão que a ouviu. 


Acima de qualquer convicção política, a eleição de Harris e de Biden simboliza a esperança para um país que precisa de encontrar a igualdade, eliminar a violência e a discriminação racial, de erradicar o sexismo, diminuir o consumo de drogas, melhorar os acessos às condições de saúde numa pandemia que devastou esta área, e acima de tudo entrar num estado maior de paz e harmonia. 

Veja o discurso completo de Harris aqui, partilhado pelo The Guardian:

Saiba mais Kamala Harris, Joe Biden, Democracia, EUA, Califórnia, Donald J. Trump, Oakland, Senado, política, Feminismo, Ativismo
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