Café e cérebro: quantas chávenas por dia podem proteger contra a demência?

Um truque que ajuda a retardar, não a curar.

Beber café pode retardar a demência, sugere novo estudo Foto: Getty Images
11 de março de 2026 às 16:04 Joana Grilo / Com Patrícia Domingues

Demência. Um tema sensível e um termo genérico utilizado para caracterizar um conjunto de doenças nas quais existe deterioração do desempenho cognitivo e comportamental, colocando em causa a nossa autonomia. São vários os tipos de demência existentes e raros os que se podem tratar ou prevenir a 100%. Mas nada que um estilo de vida saudável e uns pequenos truques não possam retardar o aparecimento de alguma destas doenças.

O interesse em prevenir a doença levou investigadores a analisar alguns fatores como o estilo de vida, a alimentação, o e como é que estes podem influenciar o desenvolvimento da demência. E é daí que surge a evidência de que duas a três chávenas de café por dia podem reduzir o risco de demência.

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O café e o chá são feitos de compostos bioativos, como polifenóis (compostos químicos naturais que oferecem muitos benefícios à saúde devido às propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, fitoestrogênicas, antidiabéticas, prebióticas e cardioprotetoras deste composto) e cafeína, que têm vindo a ser considerados como possíveis agentes neuroprotetores. Ajudam a diminuir a inflamação e os danos nas células, para além disso, contribuem para o retardar do declínio cognitivo, confirmam os investigadores do Mass General Brigham, da Harvard T.H. Chan School of Public Health e do Broad Institute do MIT e Harvard, numa investigação da sua autoria

Apesar de promissora, a relação entre e o risco de demência ainda está longe de reunir consenso científico. Os estudos realizados até agora tiveram períodos de acompanhamento relativamente curtos e pouca informação sobre os hábitos de consumo ao longo do tempo, o que dificulta a compreensão do impacto real destas bebidas na saúde cognitiva.

É precisamente aqui que entram os dados de dois grandes projetos de investigação: o Nurses’ Health Study e o Health Professionals Follow-Up Study. Nestes estudos, feitos a longo prazo, os participantes foram acompanhados durante 43 anos, aproximadamente, e realizaram avaliações regulares relativamente à alimentação, ao risco de demência, ao declínio cognitivo e à função cognitiva medida por testes objetivos.

Os investigadores procuraram perceber de que forma o consumo de café com cafeína, chá e poderia influenciar a saúde cerebral. Os resultados sugerem que quem bebe café com cafeína tende a apresentar melhor desempenho em testes de função cognitiva global. O mesmo padrão foi observado entre os consumidores de chá. Já o café descafeinado não demonstrou os mesmos efeitos - um dado que reforça a hipótese da cafeína poder desempenhar um papel importante nestes possíveis benefícios neuroprotetores. Ainda assim, os especialistas sublinham que são necessários mais estudos para confirmar os mecanismos envolvidos.

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Os efeitos mais evidentes foram registados entre participantes que consumiam duas a três chávenas de café com cafeína por dia ou uma a duas chávenas de chá. Curiosamente, e ao contrário daquilo que pensávamos, um consumo mais elevado de cafeína também não ficou associado a impactos negativos - pelo contrário, revelou benefícios para a saúde cognitiva semelhantes aos observados na dose considerada ideal.


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