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Beleza / Wellness

Essas borbulhas depois do sol? Pode não ser acne

A erupção polimorfa causada pela luz solar tem diversas manifestações e, embora seja mais comum no corpo, pode surgir no rosto. Se a sua cara parece ter comprado um bilhete de volta para a adolescência, este pode ser o seu problema. A Máxima falou com uma dermatologista.

Não é acne, é alergia ao sol
Não é acne, é alergia ao sol Foto: Getty Images
11 de junho de 2026 às 12:47 Madalena Haderer Adicione como fonte preferencial no Google

Se, com a chegada do calor e do sol que queima, começou a notar que algo de errado se passa com a sua pele – e não, não estamos a falar de escaldões –, saiba que pode tratar-se de uma alergia solar ou, melhor dizendo, uma erupção polimorfa causada pela luz solar. Na sua forma mais comum, esta erupção manifesta-se no corpo e não no rosto, assumindo a forma de pequenas borbulhas, manchas vermelhas ou bolhas, que causam comichão intensa. O problema é que “polimorfa” é o nome que se dá a algo que assume diversas formas e, embora não seja comum aparecer no rosto – porque esta parte do corpo está em contacto com a radiação UV ao longo de todo o ano –, isso pode acontecer. Aliás, pode desenvolver-se no rosto, sob a forma de borbulhas que não causam qualquer prurido e que, para os olhos de um leigo, se assemelham muito a acne. 

Foi, exactamente, dessa forma que a erupção polimorfa causada pela luz solar se manifestou nesta jornalista há uns anos – já contei anteriormente - e, este ano, voltou a aparecer. Apesar de já ter passado por isto, não reconheci imediatamente o que era, até porque surgiu numa altura em que o sol ainda estava fraco e havia outros factores a ter em conta, como stress, alterações hormonais e utilização de produtos de skincare que nunca tinha usado antes e que podiam estar a causar alergia. À medida que esses factores foram sendo excluídos, só sobrou um: o sol. Seria? Outra vez? Mas ainda está frio e o céu está nublado.

Já em desespero, decidi experimentar as cápsulas Ultra D da marca Heliocare, que sabia já tinham sido receitadas por dermatologistas a pessoas que conheço para tratamento de alergias solares. Na prática, estas cápsulas são um suplemento alimentar formulado com extratos de plantas, Vitamina D e antioxidantes naturais, que contribuem para uma proteção adicional contra a exposição solar, reforçando a capacidade da pele para suportar os ataques da radiação UV. No meu caso, a minha cara começou a melhorar no dia em que tomei a primeira cápsula e três dias depois estava impecável.

Motivada por esta história pessoal e para perceber melhor este problema de pele, decidi falar com a dermatologista Marta Ribeiro Teixeira, da Clínica Espregueira, no Porto, que disse logo que “a erupção polimorfa à luz, muitas vezes chamada de ‘alergia ao sol’, é uma das fotodermatoses mais frequentes”, e prosseguiu explicando que patologia é esta: “Trata-se de uma reação inflamatória da pele desencadeada sobretudo pela radiação ultravioleta (UV), em particular a UVA, que surge habitualmente horas a poucos dias após exposição solar, sobretudo na primavera ou no início do verão, quando a pele ainda não está ‘habituada’ ao sol.” 

Sobre a forma como se manifesta, a médica confirma que pode ter várias apresentações: “Pequenas borbulhas vermelhas, placas, pápulas, lesões tipo eczema ou urticária e, menos frequentemente, pequenas vesículas. O sintoma dominante é quase sempre a comichão, por vezes acompanhada de ardor ou sensação de pele quente. Surge tipicamente em zonas expostas ao sol, mas que não estiveram expostas durante o inverno, como decote, braços, antebraços, dorso das mãos, pernas ou ombros. Pode aparecer só no corpo, só no rosto ou em ambos, embora o rosto seja menos afetado porque está mais crónicamente exposto à luz ao longo do ano e, por isso, pode estar mais ‘adaptado’”. 

A dermatologista revela ainda um dado curioso: “Apesar de poder ter diversas manifestações em termos de morfologia das lesões, a mesma pessoa costuma ter repetidamente ao longo dos anos as mesmas áreas afetadas.”

Marta Rebelo Teixeira também desmistifica a ideia de que a erupção polimorfa à luz só surge em pessoas de pele clara, garantindo que “pode ocorrer em todos os fototipos”. “Em fototipos mais altos,” esclarece, “pode ser menos reconhecida, porque a vermelhidão é menos evidente e as lesões podem manifestar-se mais como relevo, textura, prurido ou alteração de pigmentação”. De acordo com esta dermatologista, “estima-se que possa afetar cerca de 10 a 20% da população, embora a gravidade varie muito de pessoa para pessoa. Surge normalmente na idade adulta. [...] É mais frequente nas mulheres, com vários dados epidemiológicos a apontarem para uma predominância feminina, até dez vezes superior do que nos homens em algumas zonas geográficas. A explicação não é totalmente clara, mas poderá envolver fatores genéticos, hormonais, imunológicos, padrões de exposição solar, maior procura de cuidados médicos e maior atenção a alterações cutâneas”.

Sobre a possível influência do stress, que esta jornalista identificou no seu caso, a especialista confirma que “a relação com o stress é uma observação frequente dos pacientes afetados e faz sentido biologicamente, embora não seja considerada uma causa direta e única. O stress pode influenciar o sistema imunitário, aumentar a inflamação cutânea e comprometer a barreira da pele. Assim, é correto dizer que o stress pode funcionar como fator agravante ou facilitador em algumas pessoas, mas raramente é o único responsável”.

Quanto ao tratamento, a especialista afirma que “assenta em três pilares: prevenção, controlo das crises e aumento gradual da tolerância ao sol”. A prevenção inclui “exposição solar progressiva, evitar as horas de maior radiação, usar roupa com proteção UV, chapéu, sombra e protetor solar de amplo espectro, com boa proteção UVA, aplicado em quantidade adequada e reaplicado”. Se, não obstante todos estes cuidados, a erupção polimorfa à luz se manifestar, Marta Rebelo Teixeira explica que “na fase aguda sintomática podem ser usados corticoides tópicos e anti-histamínicos orais e, em casos intensos, pode estar indicada a toma oral de corticoide”. Já no que concerne a “casos recorrentes ou limitantes”, a médica sugere o tal aumento gradual da tolerância ao sol, nomeadamente, através de “fototerapia médica no fim do inverno ou início da primavera que pode induzir ‘hardening’, ou seja, uma adaptação controlada da pele à radiação UV. Em casos extremos e de difícil controlo pode estar indicada medicação imunossupressora ou imunomoduladora, sempre prescrita por um dermatologista”.

Por último, quanto à utilização das cápsulas Heliocare Ultra D, a dermatologista confirma que “existem estudos que sugerem benefício na redução da intensidade da erupção polimorfa à luz ou no aumento da dose de UV necessária para desencadear lesões, mas deve ser visto como complemento, não como substituto do protetor solar, da roupa protetora ou da estratégia médica individual”. E conclui dizendo que existem “outras opções muito interessantes no mercado e com estudos também interessantes, como é o caso do Sunisdin cápsulas”.

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