7 exercícios rápidos para recuperar a concentração

Se sente que já não se consegue concentrar como antes, não está sozinha. A boa notícia é que o foco também se treina – e há pequenos hábitos capazes de devolver alguma disciplina a um cérebro cansado de estímulos.

Foto: Getty Images
12 de junho de 2026 às 13:32 Madalena Haderer

Quando foi a última vez que se levantou do sofá para ir à cozinha, mas, quando lá chegou, já não se lembrava do que tinha ido lá fazer? Ou que deu por si com um livro na mão, a ler a mesma frase três ou quatro vezes sem conseguir captar o sentido? Ou que se sentou ao computador para fazer qualquer coisa e perdeu o foco (e a vontade) em menos de nada? Ou que deu por si a estender o braço para o telemóvel a meio de um filme? O mais provável é que tenha respondido “hoje mesmo” a todas estas perguntas. A verdade é que estamos todos assim, com dificuldade em manter o foco e a concentração durante períodos alargados. Estudos recentes demonstram que, nos últimos 20 anos, o tempo médio que as pessoas permanecem concentradas numa única tarefa desceu de cerca de 2,5 minutos para aproximadamente 40 segundos. E convenhamos que 2,5 minutos já não parece, propriamente, brilhante.

A culpa, como deve imaginar, é dos suspeitos do costume: o colectivo smartphones/redes sociais. E, embora alguns adolescentes e jovens adultos, por estas e outras razões, tenham começado a regressar aos antigos telemóveis de teclas, isso pode não ser prático ou sequer viável para si. Mas tal não significa que não haja nada que possa fazer. Na realidade, há várias coisas que pode pôr em prática para recuperar a sua concentração. Se podemos exercitar o corpo para funcionar melhor, por que não a mente? E foi, precisamente, com esse objetivo que (depois de várias distrações) reunimos um conjunto de exercícios, técnicas e sugestões que lhe vão trazer de volta o foco de uma ave de rapina. Pelo menos, durante dois minutos e meio.

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Largue o Google Translate – O cérebro é um órgão que gosta de preservar energia. E quem é que pode condená-lo? Ora, se o seu trabalho a obriga a fazer traduções de textos, seja de emails, relatórios ou estudos, o mais provável é que tenha começado a usar a ferramenta de tradução do Google. Se estivermos a falar de textos em russo, dinamarquês ou swahili, provavelmente, não tem alternativa. Mas a maior parte de nós começou a usar o software até para traduzir textos escritos em idiomas que dominamos. Sim, é mais rápido, sim, nem sequer temos de puxar pela cabeça, mas é aí mesmo que está o problema. Daqui em diante, faça as suas próprias traduções. Puxe pela cabeça, que bem precisa.

Pare de fazer perguntas simples ao Chat GPT – Muitos de nós adoptaram o Chatty como um assistente pessoal meio lerdo. Às vezes acerta, às vezes diz asneira, mas com algum apoio, lá vai fazendo as coisas. O problema é que, como agora o nosso primeiro impulso para qualquer dúvida ou tarefa é recorrer à IA, o nosso cérebro, que é um músculo, começa a minguar. Por isso, da próxima vez que precisar de uma receita que use os ingredientes que tem no frigorífico, em vez de perguntar ao Chat GPT, invente. E quem diz isso, diz, por exemplo, informações relacionadas com acontecimentos históricos, que tem debaixo da língua, mas que não lhe apetece estar a fazer um esforço para recordar. Sucede que esse esforço vale ouro. É como pôr o cérebro a

Leia mais depressa – Eis uma sugestão contraintuitiva, mas que resulta mesmo. Se tem dificuldade em concentrar-se quando está a ler um livro ou um artigo de jornal, experimente ler mais depressa. A ideia por detrás desta técnica é que tornando a tarefa mais difícil, o cérebro vai aplicar-se com mais afinco e bloquear os outros estímulos. Aliás, o cérebro tem a capacidade de processar em média 1400 palavras por minuto. Porém, se contar o número de palavras que é capaz de ler num minuto, não vai ficar sequer chegar perto – em média, lêmos cerca de 250 palavras por minuto. Portanto, na prática, estamos a dar uma enorme seca ao nosso cérebro, que começa a divagar. É como pôr uma criança que já sabe ler e escrever numa aula de primeira classe onde os outros meninos ainda só sabem pintar com os dedos. Não há cérebro que aguente tanta lentidão.

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Eleja um dia sem smartphone Domingo. Diga lá que domingo não é um excelente dia para enfiar o smartphone na gaveta e o deixar lá a dormir até segunda-feira de manhã? Não quer perder uma oportunidade fotográfica? Ande com uma câmara digital. Precisa de ver as horas? Use um relógio. Quer ler um jornal ou uma revista? Compre na banca. O scroll infinito a que submetemos os nossos cérebros diariamente está a deixá-los desgastados e hiperestimulados. E rouba-nos tempo. Imagine todas as coisas que pode fazer com um dia inteiro sem estar agarrada ao telefone: um bolo daqueles a sério, com várias camadas, jardinagem, ver a saga completa d'O Senhor dos Anéis, trocar os botões a um casaco da Zara para que ele ganhe nova personalidade, pintar as unhas da mãos e dos pés, ir passear para o bosque. Tudo isto cabe no domingo sem redes sociais.

Começe aos poucos – Se um dia inteiro é muito para si, experimente definir um período – pode ser meia hora, pode ser uma hora e meia, depende da tarefa que tem em mãos e na qual deseja focar-se. Por exemplo, se dá por si no Instagram a meio de um filme, deixe o smartphone noutra divisão antes de se sentar. Se faz o mesmo quando quer ler o jornal, faça igual e, se tem uma subscrição digital e lê o jornal no telemóvel e o Instagram está mesmo ali ao lado e uma coisa leva à outra, passe a ler o jornal no computador, onde o Instagram é menos apetecível.

F Se pular de distração em distração em vez de trabalhar ou de estudar, como precisava, é uma ocorrência comum, para a próxima, pare tudo e vá dar uma volta. Até uma caminhada rápida à volta do quarteirão ajuda a aumentar não só a capacidade de foco, mas até a criatividade. Não imagina a quantidade de vezes que esta jornalista se sente incapaz de juntar duas frases com sentido e, depois de um passeio, regressa à secretária cheia de ideias. 

Que quadrados brancos e pretos são estes? – Lembra-se das velhinhas palavras cruzadas, em que tem de encontrar as palavras que cabem nos quadradinhos mediante pistas mais ou menos crípticas? Não é por acaso que a sua avó é uma ávida fã. Está provado que os jogos de palavras aumentam a capacidade cognitiva e ajudam a diminuir o risco de demência. Na prática, funcionam como uma passadeira rolante para o cérebro. E o cérebro é como qualquer outro músculo – se não o usa, perde-o. 

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