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Silly, a artista portuguesa que vai dar que falar nos próximos meses

A portuguesa apresenta no CCB o recém-editado álbum de estreia Miguela, feito a meias com o baterista e produtor Fred Ferreira, que a acompanha em palco neste concerto.

Foto: Dani K. Monteiro
09 de fevereiro de 2024 Miguel Judas
O título do álbum, Miguela, remete para a infância de Maria Bentes, o verdadeiro nome de Silly, mais em concreto para o nome que os pais inicialmente lhe queriam dar. Teve uma vida familiar nómada, passada entre os Açores, o Alentejo e a grande Lisboa, que hoje, reconhece, também acaba por influenciar a artista: "há um sentimento de não pertença a nenhum lugar, mas de ao mesmo tempo me sentir em casa em vários sítios, que traz uma certa leveza e serenidade à minha música", diz nesta entrevista. Já não era propriamente uma debutante quando, no verão de 2022, foi ter com Fred Ferreira, para lhe mostrar algumas das suas canções, para tentar convencê-lo a trabalharem juntos. Em 2021 já havia lançado o EP de estreia Viver Sensivelmente, que lhe abriu as portas de salas como o Musicbox e os Maus Hábitos ou de festivais como NOS Alive e MIL LISBON. O encontro com o baterista e produtor, conhecido, por exemplo, pelo trabalho em projetos como Orelha Negra, Banda do Mar ou Buraka Som Sistema, acabaria no entanto por se tornar em algo muito maior e "até inesperado para ambos", segundo palavras da própria. O resultado é este Miguela, um trabalho que chama desde logo a atenção pela maturidade de canções como Coisas Fracas, Cavalo à Solta ou Herança, algures entre "uma pop intimista e um R&B mais futurista e atmosférico", com muitas referências de hip-hop pelo meio. A primeira apresentação ao vivo é já este sábado, no CCB, num concerto em que Silly e Fred irão estar, tal como em estúdio, frente a frente, rodeados de uma parafernália de instrumentos eletrónicos, para recriar em palco um disco de estreia como há muito não se ouvia.
"Vai ser um espetáculo em duo, no qual vamos estar frente a frente, rodeados dos mesmos instrumentos que usámos para trabalhar o disco." Foto: Dani K. Monteiro

Quem é a Miguela?

Sou eu, apesar disto poder soar um pouco estranho, até para mim, porque ao mesmo tempo trata-se de uma personagem. Tomei esta identidade para dar voz ao disco, porque ela representa a criança, o crescimento e a viagem que conduziu até à pessoa que sou hoje, desde o momento do meu nascimento até agora.

Como é que o seu percurso de vida mais nómada, chamemos-lhe assim, influenciou a música da Silly?

Influenciou tanto quanto tudo o que eu fui ouvindo enquanto crescia. Ou melhor, esse lado mais nómada da minha biografia, de estar sempre em contante mudança, se calhar está mais presente nas letras que escrevo e não tanto na música. Por outro lado, esse sentimento de não pertença a nenhum lugar, mas de ao mesmo tempo me sentir em casa em vários sítios, também traz uma leveza e uma serenidade à minha música, que consigo reconhecer nestas canções.

"A conexão foi tão forte que acabámos por partir juntos para novas ideias e, a dada altura, começámos mesmo a pensar num álbum." Foto: Dani K. Monteiro

Este disco, feito em parceria com o Fred, é o que esperava para um primeiro trabalho em nome próprio?

Não quero parecer pretensiosa, muito pelo contrário, mas quando ouvimos o disco pela primeira vez, já depois de pronto, ficámos ambos muito surpreendidos, no sentido da expetativa que tínhamos e do que realmente conseguimos fazer juntos.

Como é que o Fred entra neste processo?

Foi no verão de 2022, por sugestão de um músico com quem costumo tocar e que também toca com ele. Peguei nas minhas músicas e fui ter com o Fred. A conexão foi tão forte que acabámos por partir juntos para novas ideias e, a dada altura, começámos mesmo a pensar num álbum. Era obviamente um desejo que tinha para a minha carreira, mas tudo aconteceu de uma forma tão orgânica que nem sequer deu tempo para criar grandes expetativas. Foram apenas muitas coisas boas a acontecer ao mesmo tempo e deixar-me seguir nessa viagem.

Miguela, uma personagem criada por Silly, que representa
Miguela, uma personagem criada por Silly, que representa "a criança, o crescimento e a viagem que conduziu até à pessoa que sou hoje, desde o momento do meu nascimento até agora." Foto: Dani K. Monteiro

Olhando para trás, o que trouxe o Fred à sua música?

Muita coisa, não só à música, mas também à forma de a pensar e de a interpretar. Um dos aspetos que começámos logo a trabalhar foi a voz. Sinto que aprendi e evolui bastante a esse nível, além de ter ganho outra confiança. E musicalmente houve um respeito enorme pelo meu trabalho. Estivemos sempre em sintonia naquilo que pretendíamos fazer e nunca houve uma imposição da parte dele ou da minha, em fazer soar a minha música de outra forma. Foi um processo muito pedagógico, em que aprendi muito, mas se calhar eu também o ajudei a descomplicar algumas questões no universo dele. É por isso que digo que, apesar do disco estar assinado pela Silly, este é um álbum feito a dois.

"Há um sentimento de não pertença a nenhum lugar, mas de ao mesmo tempo me sentir em casa em vários sítios, que traz uma certa leveza e serenidade à minha música" Foto: Dani K. Monteiro

Tal como esta apresentação ao vivo do disco, no qual também terá a companhia do Fred em palco. Como vai ser o concerto?

Vai ser um espetáculo em duo, no qual vamos estar frente a frente, rodeados dos mesmos instrumentos que usámos para trabalhar o disco. E vamos também ter alguns convidados que fizeram parte deste processo, como o David Jacinto, dos TV Rural, e o quarteto de cordas que participou nos temas Herança e Vento Forte.

Silly
CCB, Lisboa. 10 de fevereiro, sábado, 21h. €10 a €15

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