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Das profundezas do mar até Elizabeth Taylor. A história da joia mais famosa de sempre

Carmen Posadas reconstruiu a história de uma joia com mais de 400 anos. Em 'A lenda de La Peregrina' a autora traça a trajetória de uma peça que f guerras, revoluções, traições e a grandes histórias de amor.

Foto: Getty Images
14 de setembro de 2021 | Rita Silva Avelar

Apelidam-na da pérola mais famosa de sempre. Falamos da La Peregrina, a joia que atravessa mais de quatro séculos desde o momento que sai das profundezas do mar das Caraíbas – extraída por um escravo que queria conquistar a liberdade - até que chega às mãos de Elizabeth Taylor, oferecida por um dos seus maridos, Richard Burton.

A joia La Peregrina.
A joia La Peregrina. Foto: Getty Images

A sua beleza rara fez com que atravessasse a corte espanhola, passando pelo guarda-joias de várias rainhas, mas também pelas mãos de espiões, assassinos, ladrões, contrabandistas. Neste livro, a escritora uruguaia (que começou por escrever literatura infantil) leva-nos em todas essas viagens de forma tão apaixonante e misteriosa, como inesperada e desarmante, sempre numa tentativa de chegar à verdade, entre tantas lendas e mitos, tão próprios de uma história que tantos anos atravessa.

Carmen Posadas, a autora.
Carmen Posadas, a autora. Foto: DR
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"Ao nível da documentação é uma história muito glamorosa, sobretudo porque atravessa muitos períodos distintos. Mas também porque reapareceu uma joia esquecida na minha família, depois da morte da minha mãe, um anel com uma enorme pedra azul que pertenceu à minha avó, e que já tinha sido alfinete de peito e pendente" começa por contar Carmen Posadas. "Normalmente quando morre alguém de uma última geração, ficam sempre muitas perguntas por responder. E os objetos falam, sobretudo as joias, que estão sempre em muito contacto com as pessoas. Nasceu aí o interesse por contar esta história", justifica.

A joia La Peregrina num leilão da Christie's.
A joia La Peregrina num leilão da Christie's. Foto: Getty Images

"Lembro-me de ir ao Prado [museu] e ver a La Peregrina em quadros dos séculos XVI, XVII, XVIII, e perceber que ela sobrevivia a todos estes anos fascinou-me." Começou a investigar e a perceber o interesse nesta joia, cuja história ainda não havia sido reconstruída. "Consultei um especialista em joias, entendido sobretudo nas joias da monarquia espanhola, que me disse exatamente que livros deveria ler e como chegar à história verdadeira. Com a internet, há muita informação falsa."

A lenda de La Peregrina, Carmen Posadas, Leya
A lenda de La Peregrina, Carmen Posadas, Leya
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A investigação da autora materializa-se em dez capítulos, ordenados de forma intemporal, que começam em 1579, no arquipélago das pérolas, no Panamá. As várias narrativas atravessam várias cortes espanholas, de Filipe III a Carlos IV, até chegar aos Bonaparte, em França, em 1816, e enfim viajar até Inglaterra, a casa de um antigo membro do MI6, passando pela Suiça em 1969 até chegar às mãos de Elizabeth Taylor em 2002, em Bel Air, na Califórnia. "Vou contando as histórias destas pessoas, sendo que também foi importante ler muito sobre cada uma destas épocas" explica a autora, que foi consultando vários especialistas. Entre as suas preferidas, está "a de Nicolasito Pertusato [um anão italiano ao serviço da corte espanhola durante os reinados de Filipe IV e Carlos II] que surgiu num famoso quadro", e cuja história tem uma reviravolta muito caricata.

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