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Como saber se uma pessoa está a mentir, segundo o mentalista mais famoso dos EUA

Oz Pearlman é um famoso mentalista norte-americano que consegue arrancar segredos das cabeças das pessoas como quem saca coelhos da cartola. Agora, escreveu um livro onde explica como usar esses métodos para melhorar relações e subir na vida.

Femme Fatale (2002)
Femme Fatale (2002) Foto: Getty Images
24 de junho de 2026 às 13:00 Madalena Haderer Adicione como fonte preferencial no Google

Há coincidências engraçadas. Oz Pearlman um famoso mentalista norte-americano – uma espécie de ilusionista que em vez de tirar coelhos da cartola, tira segredos das cabeças das pessoas – é amplamente conhecido no seu país de origem, mas não tanto em Portugal. Curiosamente, porém, no mês em que este seu livro foi lançado por cá, Pearlman ficou diante dos olhos de todos. No momento em que se começaram a ouvir disparos, durante o jantar de correspondentes da Casa Branca, com Melania Trump a perguntar “o que foi isto?!” com um ar assustado, o bem-parecido prestidigitador estava encaixado entre a primeira-dama e a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, grávida em fim de tempo, a tentar adivinhar o nome que esta última ia dar à sua filha. Nas imagens é possível vê-lo com um papel na mão onde está escrito “Viviana”. Pearlman estava certo, mas o atirador, inconveniente e inoportuno, estragou-lhe o truque.

E, convenhamos, “Viviana” é um palpite e tanto. Não só não é um nome particularmente usual, como até a grafia é inusitada. “Vivian” seria mais expectável. Ainda assim, ninguém ali, com excepção da futura mãe, sabia o nome da criança, e Oz conseguiu arrancar-lho da cabeça. Pearlman também é conhecido por adivinhar códigos PIN de cartões de crédito de pivots de notícias, em directo para todo o país, bem como nomes de melhores amigos de infâncias que já se passaram há mais de 50 anos, ou do primeiro animal de estimação. Às vezes faz truques em várias camadas, que envolvem descobrir coisas sobre a vida de diversas pessoas – coisas obscuras, que ninguém mais sabe e que não estão nas redes sociais – e que, no fim, Oz já trouxe escritas de casa num papel ou estampadas na t-shirt que traz vestida debaixo da camisa. O ar de choque, horror e confusão na cara das pessoas é impagável. Procure-o no Instagram que não se vai arrepender.

Femme Fatale (2002)
Oz Pearlman Foto: Luciana Golkman

No seu livro Lê a Tua Mente Oz ensina os leitores a fazer isto? Não, lamentavelmente, não ensina. (Era bom, não era?) Mas o que ele tenta fazer é explicar como é que se lê uma pessoa. No início dos seus espectáculos, Pearlman explica sempre que o seu trabalho não é ler mentes, mas pessoas. O que é que isto quer dizer? Bom, se vir os truques deste adivinhador profissional verá que ele está obsessivamente a olhar para a pessoa que está a usar no seu truque, especialmente para os olhos. Mesmo quando a pessoa desvia a cara, como é comum quando se tenta recordar alguma coisa, a cara do Oz vai atrás, com os seus olhos esbugalhados e incrivelmente fixos. (É um bocado perturbador, na verdade.) Pearlman é fluente em micro-expressões que denunciam o que nos vai na cabeça. A maioria de nós tem uma certa capacidade para perceber quando pessoas que nos são próximas estão a mentir, ou quando estão preocupadas, ou quando estão a esconder alguma coisa. Agora, imagine essa capacidade multiplicada por 10 mil. É isso.

Na prática, Lê a Tua Mente é uma espécie de livro de auto-ajuda escrito do ponto de vista de um mentalista. Ou seja, é um manual para viver melhor e ter mais sucesso usando os princípios do mentalismo. Resulta? É bem provável, mas dá trabalho e gasta tempo. Oz já leva mais de 30 anos disto e começou em criança, a fazer pequenos truques de magia num restaurante italiano. O mentalista narra todo o seu percurso desde essa altura, até à sua participação no programa de televisão Got Talent, que o catapultou para a fama, passando pelo seu amor pelas maratonas. O que é bastante notório é que Oz tem uma resiliência, um foco e uma disciplina invejáveis, características que aplicadas seja ao que for dão sempre bons resultados. Dá para desenvolver? Dá, mas é bastante mais fácil quando já se nasce assim.

Femme Fatale (2002)
“Lê a Tua Mente” Foto: DR

Por outro lado, Pearlman também ensina pequenos truques que qualquer pessoa pode aplicar na sua vida para aumentar as suas probabilidades de sucesso, tanto no trabalho como na vida pessoal. Um deles é ouvir os outros. Ouvir a sério. Desligar a mente, que é uma espécie de ponto que nos está sempre a querer dar a próxima deixa, e simplesmente ouvir. As pessoas que se encontravam com a rainha de Inglaterra relatavam sempre que durante os três minutos que estiveram com ela sentiam que não existia mais ninguém na Terra naquele momento. Isabel II tinha essa capacidade de fazer com que as pessoas sentissem que tinham a sua atenção a 100%. E isso é uma espécie de superpoder com capacidade para transformar as relações. E é uma forma irritantemente simples de pôr as coisas – afinal, não temos grande vontade de imaginar que a vida nos corre mal porque nos recusamos a ouvir os outros como deve ser –, mas a verdade é que se ouvirmos as pessoas com toda a nossa atenção, descobrimos muitíssimo. Não só sobre o que dizem e o que não dizem, mas sobretudo sobre como o fazem.

Outra sugestão que Oz partilha com o leitor e que cumpre escrupulosamente na sua vida é tirar notas. Imagine que este mentalista está a fazer um espectáculo numa empresa de alta finança onde, a determinada altura, o director refere estar preocupado com a apendicite da filha. Pearlman aponta essa informação e tudo o mais que lhe pareça relevante. Dez meses depois, os dois homens encontram-se por acaso e Pearlman pergunta-lhe se a filha já está completamente recuperada da apendicite. O diretor da alta finança fica maravilhado. Isso foi há tanto tempo. Como é que ele se lembra?! E, por conta disso, decide contratá-lo para animar a festa de aniversário dos 40 anos da mulher, onde Oz tem oportunidade de fazer muitos mais contactos e tomar muitas notas.

Lê a Tua Mente é um livro sobre o superpoder de prestar atenção e de guardar coisas na memória, e de conseguir influenciar as pessoas usando nada mais do que aquilo que elas dizem. Fala sobre a importância de superar a rejeição, a procrastinação e a dúvida. E ensina a aplicar os princípios da psicologia da persuasão na vida pessoal e profissional.

Se nada disto lhe interessa, Oz conta uma história tão hilariante que, sozinha, já vale o livro. Certo dia, cortesia da sua uma mãe excessivamente voluntariosa, a quem Oz não foi capaz de dizer não, o nosso jovem mentalista dá por si numa aldeia nómada curda a tentar fazer um espectáculo que assenta 100% na linguagem, perante uma plateia de não fala nem percebe patavina de inglês. Dizer que correu mal é um eufemismo. No fim, a sua tentativa de receber pagamento não só deixa o leitor com lágrimas de riso a escorrer pelas bochechas, como é testemunho da sua enorme resistência e perseverança.

Lê a Tua Mente é um livro editado pela Albatroz, uma chancela da Porto Editora, custa 15,98 euros e está disponível nas livrarias do costume.

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