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As músicas da minha vida: A escolha de Ana Bacalhau

Desafiamos artistas a elegerem que músicas ou artistas marcaram a sua vida. Conheça as escolhas de Ana Bacalhau.

04 de maio de 2020 | Rita Lúcio Martins

Quando era pequenina queria ser professora de Português e de Inglês, tendo sido nessas áreas que realizou os seus estudos universitários, mas acabaram por ser as aulas de guitarra a revelar-lhe o talento e a definir-lhe o rumo. Depois de uma primeira banda criada em 2001, seguiu pelos trilhos do jazz até que, em 2006, fundou A Deolinda – projeto agora em suspenso que, além da visibilidade, lhe trouxe sucesso e muita estrada. Em 2017 apresentou Nome Próprio, o seu primeiro álbum a solo. Sempre apaixonada pela música e pela vida, Ana Bacalhau é uma presença regular nas rádios e televisões nacionais, seja através de projetos especiais ou das muitas colaborações regulares com artistas como Diogo Piçarra. 


Lilac Wine, Nina Simone

Entre a sobriedade da vida e a ebriedade do amor, escolherei sempre a última, mesmo que magoe mais.

Blackbird, The Beatles

Desde miúda vivi com os meus pais e com os meus avós maternos. Quando era adolescente, todas as noites dançava muito antes de ir dormir. Punha a música alto e bom som e lá ia eu pelo quarto a dançar. Houve uma noite em que não me apeteceu. Pus o Blackbird dos Beatles a tocar e assim fiquei sentada na cama a sentir que alguma coisa se despedia de mim. Poucos minutos depois, a minha avó encontrou o meu avô morto. E para sempre esta canção traz-me a memória do meu avô Mário. 

Preto e Branco, Maria João & Mário Laginha

Tinha começado a cantar há pouco tempo quando os vi e ouvi na televisão a tocar esta música. O meu mundo virou-se de pernas para o ar e jurei a mim mesma que iria sempre procurar aquela liberdade e júbilo a cantar e a sentir a música.

Estranha Forma de Vida, Amália Rodrigues

Todas as palavras e a forma como são cantadas me assentam como uma segunda pele.

Spiritual Trilogy - Oh, Freedom, Odetta

Não subscrevendo nenhuma igreja ou religião, acredito, no entanto, no poder curativo e redentor dos espirituais negros, nascidos na escravatura norte-americana, inspirados pelas histórias do Antigo Testamento e pela dor e sublimação humanas. Sempre que estou lá em baixo e ouço esta trilogia pela voz de Odetta, vou aos céus em êxtase e salvo-me um bocadinho da perdição.

Foto: Frederico Martins
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